sábado, 15 de agosto de 2009

O sol sagrado

Natália acordou, olhou para o tempo, o sol nascia com seus raios fortes e aquecedor. Escovou os dentes, vestiu uma bermuda, abraçou uma criança e foi para o parque. Lá, no parque, estava uma liberdade solteira. Antes, nunca tinha se sentido tão livre: uma sensação boa vinha misturada com o vento das árvores e com o canto dos pássaros. Natália abriu os braços e correu estrada afora, com sorriso de felicidade, sendo acompanhada pela criança. "Tudo é tão lindo", a criança disse. O sorriso de Natália contemplou aquele momento.

E, em algum lugar os peixes nadavam, brincavam... E os humanos apenas riam, se divertiam; a criança continuava subindo e descendo a escada. "Tia, vem brincar comigo?", "Diego, estou com uns amigos, não posso ser criança agora". Diego riu, Natália também. E a felicidade contemplava aquele momento.

Natália parecia livre, parecia que tinha encontrado a liberdade. Naquele parque ela se sentia tão bem, bem longe das máquinas, dos livros com seus artigos e códigos que a cada vez mais só procura coisificar a humanidade. Natália se parecia tão humana, tão mulher, tão criança, pena que os códigos controlam as pessoas em seus escritórios, e uma cadeira com um crachá coisifica o que chamo de humano. Natália, acho que ela se perdeu no parque.

A criança, possivelmente esteja rindo, brincando, subindo e descendo a escada (da vida), a escada do parque. Na estrada, guardo apenas aquele sorriso, aqueles sorrisos.

Natália, já não existe mais. Diego, talvez, eu o encontre por aí, e ele abra um sorriso. Confesso, não terei coragem de perguntar por Natália. Ela deve está muito longe nesse momento. E feliz, só as lembranças de um momento feliz.

E o brilho do sol, pela manhã, todas às vezes que acordo, ele me faz lembrar aquele momento feliz; acho que o frio da noite, levou aquele sorriso lentamente.

adenildo lima

Um comentário:

Márcio Ahimsa disse...

é... deve ter levado, mas as coisas ficam, rs.