terça-feira, 4 de agosto de 2009

29 e 30

... Todos começaram a chamá-lo de louco, a ignorá-lo, até, a deixá-lo à margem da sociedade, dita, moderna.

30 anos e alguns dias que corriam para se encontrar com os 31 anos. O nome dele era Douglas (e continua com o mesmo nome). Residência: São Paulo capital. Cabelos grandes, barbas grandes. Sempre que caminhava procurava escutar com detalhes o barulho dos seus pés, e observava os lugares que os olhos olhavam.

Falava pouco ou, quase não falava nada, gostava de escrever, mas odiava editoras. Publicou seu único livro aos 29 anos, um livro de 30 páginas e um prefácio com 29 linhas, escrito por um amigo. Fez uma tiragem de 90 exemplares, conseguiu vender 58.

No dia 8 de um mês que não será descrito aqui, ele morreu. Deixou apenas um livro, falou pouco, mas nunca se entregou à escravidão pós-moderna. E douglas, hoje, em algum lugar, continua vivendo.

adenildo lima

Um comentário:

Vivian disse...

...feliz do Douglas que
pode deixar um pedacinho
da sua alma em forma de
um livro.
o filho parido em longas
horas de inspiração.

conta-se tempo para se deixar
marcas nos corações sensíveis?

penso que não...

bjbj