segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sem explicações

Para ser um grande poeta
não precisa mais do que um poema.

adenildo lima

Brincando de pós-modernismo

"Mas você não tem um cachorro?"
"Não."
"Mas como, não?"
"A solidão em mim, ainda nao chegou ao êxtase."

adenildo lima

domingo, 30 de agosto de 2009

Vestidura

Essa vestidura
que veste teu corpo
guarda tantos segredos
aos meus olhos.

Tua pele suave
por debaixo desse veste
é revestida de ensejos
aos desejos dos meus beijos.

Teus beijos que veste
teus lábios molhados
carnudos
transmitem-me o sentir.

Sentir tua pele vestida de pele
ao toque suave e breve do cariciar
do meu carinho ninar
revestido de desejo

Ah, onde estão teus beijos?

adenildo lima

Diário

Madrugada. Tempo frio. Lugar deserto. Lá, só eu e Rafaela, dormindo no mesmo quarto. Ela levanta, enquanto durmo, sai para contemplar o universo, céu estrelado, lua majestosa, um vento suave; começa escrever em seu diário.

Levanto, olho para um lado, olho para o outro lado, Rafaela não está. Saio, apressado, e vou a procura dela. Ela está lá no terreiro escrevendo no diário, parece que contempla a natureza como o amante aprecia a amante.

- Você, sozinha aqui, Rafa?
- Contemplando a natureza, é tão bom ficar livre de tudo e escrever sem compromisso.
- O que você tanto escreve?
- Segredo.
- Como segredo, se você está livre? - pernguntei, rindo.

Ela riu e me abraçou. Nos beijamos, ali, livres... tão livres que, naquele momento, éramos parte da natureza, ou, a própria natureza. Nossos lábios se beijaram, nossos corpos se uniram. Nos amamos como se ama por uma noite e por uma eternidade.

E amar é esquecer que existe uma definição. É apenas viver, e isso basta!

adenildo lima

sábado, 29 de agosto de 2009

Cartas de amor

"Professor, me ensina fazer uma carta, uma carta de amor." Gabriela pediu com o olhar mais carinhoso que possamos imaginar.
"Cartas de amor, Gabriela?! Mas professor não ensina fazer essas coisas".
"Ah, professor, ensina, sim. O senhor que não quer."
"Não, Gabriela, cartas de amor não se ensina mesmo, em lugar nem um do mundo. Amor é declaração livre, sem regras e sem pontuação. Escreva você mesma, sua carta de amor."
"Não sei se posso fazer isso. É tão difícil dizer o que sentimos a um professor."

adenildo lima

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Os ditames de 2.000 e alguma coisa

Encontrar uma definição para a palavra arte, seria tentar resumir o infinito. Sabemos que só ao ser que chamamos de humano, é possível. Ela representa os momentos de um povo, a história de um povo através da sensibilidade do artista. Por isso, hoje, até um vaso sanitário é colocado numa exposição, representando a arte contemporânea.

Quem sou eu para dizer que um vaso sanitário não é arte, ou qualquer outro objeto? Se a arte é a representação da humanidade, podemos ver o vaso sanitário como representação da sociedade atual, ou até mesmo como um ato irônico, diante da socieda atual. E quem disse que a arte não é irônica?

Ela é o maior grito de um povo: a música, a poesia, a pintura...

A sociedade pós-moderna caminha sem saber pra onde. No modernismo ainda existia a ilusão de chegar a algum lugar, hoje, dificilmente é enxergado assim. Nós somos um monte de objetos, muitas vezes, caminhando em cima de uma nuvem de gelo. A cada momento o gelo começa a derreter, e nós corremos mais e mais... Qualquer desvio, corremos o risco de cair no abismo, de sermos puxados pelos dragões, de sermos engolidos pela mãe ganância.

Os jovens, já nem existem mais. Muitos, são meros bonecos se construindo para satisfazerem a grande mídia.

Mas a arte pós-moderna está aí, basta que cada um abra a boca e vomite o que as grandes massas estão forçando-nos a engolir.

Triste mesmo é saber que nós brasileiros conhecemos tão pouco a nossa história. E sem história, não existe um povo, uma sociedade pensante, exercendo o papel de cidadã.

adenildo lima

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Na lista

São tantas faces facetadas e fingidas nas avenidas que já não cabe mais a mim identificá-las. Para resumir um pouco escrevo o que eu também não sei explicar e, nestas linhas, faço frases com ritmos poéticos, patéticos... e assim vou escrevendo sem começo e sem fim, talvez tenha um meio, mas um meio sem desenvolvimento.

O ser que chamamos de humano, nos dias atuais, está tão individualista, tudo bem que isso está na lista dos pós-modernistas nessa correria, essa agonia absurda de querer ser belo, conforme determinam os meios de comunicação, os shoppings; os panfletos de jornais. A guerra por um dinheiro querendo sempre mais e que não sobra nunca.

É, o que digo mais, amigo leitor?

adenildo lima

domingo, 23 de agosto de 2009

Concreto e discreto

Caminhando pela avenida, sem rumo e sem direção, apenas enganando o que chamo de vida, olho os prédios, olho as pessoas, olho os sorrisos misturados com as maquiagens, vejo um grande disfarce. Disfarço que não estou vendo, mas é impossível! É maquiagem demais nos corpos andantes.

adenildo lima

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Em outra direção

Teus passos lentos e tão corridos vindo em minha direção, senti um frio misturado com ansiedade e ensejos dos teus beijos. Pensei em correr também, mas o vento vinha em outra direção. Te esperei! um segundo pareceu uma eternidade e a cada passo que você dava eu te desejava bem mais. Abri os braços para te receber, mas o vento vinha em outra direção e não permitiu. Ainda hoje sinto o sabor daquele beijo que não aconteceu, daquele abraço que o vento levou, dos nossos olhares que os nossos lábios não abraçou; ainda hoje lembro e sinto você vindo em minha direção com seus passos lentos e tão corridos. Mas o vento vinha em outra direção. Maldito automóvel!

adenildo lima

escrita e visão - fotografia

faltaram-me as palavras, veio-me o silêncio, mas não calei
falei
gritei
andei
lutei
faltaram-me os teus sorrisos, veio-me o desejo de chorar, mas não chorei
amei
registrei e
contemplei o motivo de viver em todos os ângulos fotografados pelos meus e os teus passos corridos

adenildo lima

um dois um dois

A pressa dos mortos vem através dos passos corridos dos vivos.

adenildo lima

todas as coisas do mundo

"Você é artista, né?'
"Não sei, é tão difícil definir."
"Mas você é, num é?"
"Não sei, só sei que quando não estou fazendo nada, faço arte."

adenildo lima

terça-feira, 18 de agosto de 2009

XXI

Todo mundo se organizando, vamos fazer a prova.

– Não vou fazer.

Um aluno levantou a voz, a sala inteira o acompanhou. Gritavam, xingavam o professor e a algazarra crescia. A diretora foi convocada.

– Bernardo, vamos à diretoria.

Bernardo levantou a voz, levantou a mão e meteu o dedo na cara do professor. A diretora ficou surpresa, não queria acreditar no que estava vendo, ficou sem reação, perdeu a voz.

– Este fessô é folgado, ele acha que é quem, dona Diva?

Dona Diva, apenas ouvia. Se fez forte, chamou o aluno, e o suspendeu por cinco dias.

– Tudo bem, dona Diva, vou te respeitar, não vou contra à senhora não, mas diga pro senhor Josemar que a coisa tá feia pro lado dele, beleza?

Na hora do intervalo os alunos não falavam em outra coisa, a notícia correu muito rápido, alguns até chegaram a falar que o professor Josemar tinha tomado um tapa na cara, que Bernardo tinha mandado a Diretora pra puta que pariu. Bernardo ao ser suspenso da escola, ficou lá fora, sentado na calçada.

– Tá fudido comigo, fessô.

Josemar ouviu, olhou fixamente nos olhos dele, observou os movimentos de suas mãos, e saiu caminhando, enquanto Bernardo se aproximava dele.

– Você aponta o dedo na minha cara e ainda quer me desafiar aqui fora? Lembre-se, lá dentro sou seu professor, aqui somos homens de igual para igual. Se você acha que é malandro, na vila onde eu moro, morre garotos iguais a você todos os dias. Para ser malandro precisa ser inteligente, rapaz.

– Mas, temos umas contas pra acertar, você é muito folgado, fessô.

– Estou trabalhando, não tenho conta nenhuma para acertar com você.

Enquanto o professor se virou e saiu andando. Bernardo pôs a mão no bolso da blusa, tirou uma arma com muita rapidez e atirou. No momento em que ele ia atirar alguém gritou. A bala não atingiu o mestre. Mas no outro lado da avenida surgiram uns gritos. Eram os gritos de uma senhora que passava, a bala tinha lhe atingido. Bernardo correu. Várias viaturas foram à procura dele. Foi preso. Era menor de idade. Não ficou muito tempo na prisão.

Dizem que lá, na prisão, ele tornou-se profissional e, hoje, dificilmente erra uma pontaria.


adenildo lima

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

flores no chão de concreto

estou caminhando como sempre

em mim, nada mudou:

cada palavra,

cada momento,

cada segundo...

se vale a pena pra você!

Reconquista-me!

estou na rua, na praça, no parque...

... você se mostra tão ausente,

é engraçado,

nem parece que somos tão amigos.

é estranho, né?

eu lutei tanto por nós

e sempre fui tão aberto, tão sincero...

amigo é assim!

assim como uma semente:

nasce em campo limpo,

no parque,

na rua,

na praça...

mas deixa pra lá,

desculpa!

pensei até que já tivesse

te conquistado.


adenildo lima

Deleites

A vida é um barco pronto para se afundar. Hoje os navegantes da meia viagem te abraçam, brincam, amam; amanhã viram as costas e fazem de conta que você nunca existiu. Aproveite cada momento da vida, por isso amo cada segundo vivido.

adenildo lima

sábado, 15 de agosto de 2009

O sol sagrado

Natália acordou, olhou para o tempo, o sol nascia com seus raios fortes e aquecedor. Escovou os dentes, vestiu uma bermuda, abraçou uma criança e foi para o parque. Lá, no parque, estava uma liberdade solteira. Antes, nunca tinha se sentido tão livre: uma sensação boa vinha misturada com o vento das árvores e com o canto dos pássaros. Natália abriu os braços e correu estrada afora, com sorriso de felicidade, sendo acompanhada pela criança. "Tudo é tão lindo", a criança disse. O sorriso de Natália contemplou aquele momento.

E, em algum lugar os peixes nadavam, brincavam... E os humanos apenas riam, se divertiam; a criança continuava subindo e descendo a escada. "Tia, vem brincar comigo?", "Diego, estou com uns amigos, não posso ser criança agora". Diego riu, Natália também. E a felicidade contemplava aquele momento.

Natália parecia livre, parecia que tinha encontrado a liberdade. Naquele parque ela se sentia tão bem, bem longe das máquinas, dos livros com seus artigos e códigos que a cada vez mais só procura coisificar a humanidade. Natália se parecia tão humana, tão mulher, tão criança, pena que os códigos controlam as pessoas em seus escritórios, e uma cadeira com um crachá coisifica o que chamo de humano. Natália, acho que ela se perdeu no parque.

A criança, possivelmente esteja rindo, brincando, subindo e descendo a escada (da vida), a escada do parque. Na estrada, guardo apenas aquele sorriso, aqueles sorrisos.

Natália, já não existe mais. Diego, talvez, eu o encontre por aí, e ele abra um sorriso. Confesso, não terei coragem de perguntar por Natália. Ela deve está muito longe nesse momento. E feliz, só as lembranças de um momento feliz.

E o brilho do sol, pela manhã, todas às vezes que acordo, ele me faz lembrar aquele momento feliz; acho que o frio da noite, levou aquele sorriso lentamente.

adenildo lima

Flashes

Pareciam monstros diante de seus olhos. Um som suave e forte entrava e adentrava sua vida. Ele imaginava tantas coisas: pedras subiam e desciam, morros despencavam dos seus lugares, árvores caíam de onde se encontravam, crianças choravam, homens gritavam, mulheres imploravam, animais fugiam. Ele não sabia mais onde estava e o que estava vivendo.

adenildo lima

Ditames

Foi numa viela que tudo aconteceu. Ela veio uma vez, bateu na porta ele não estava (nessa vez que ela veio ainda o amava, na verdade, estava nascendo um amor, cheio de ilusão, sonhos e esperança). Na segunda vez ela veio e ele não estava (Nessa segunda vez o amor já estava meio perdido, não se sabe porque, mas tudo acredita que ela nunca o amou, porém um dia declarou que o amava; declarou de peitos abertos, sem medo, com a maior convicção.

Foi na segunda vez que ela trouxe um livro de poemas, poemas de amor, outros de dor e outros mais, dos sonhos de um menino que só acredita no amor e, diante do próprio amor ele se coloca numa contrdição terrível. E até tem medo que uma menina fala que o ama, parece que ele está meio congelado, gelado, frio; sem acreditar em tudo que acontece com o amor.

Foi numa viela que ele perdeu-a sem nunca ter tido-a.

É, ela foi embora, talvez nunca mais venha por uma terceira vez, talvez ela esteja morta, talvez ele não exista mais, e ela muito menos, afinal a vida é uma ilusão.

adenildo lima

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O agricultor e sua plantação

Se plantamos uma semente
e ela nasce
precisamos preservá-la
às vezes o sol é muito quente
e queima-a
noutras vezes o frio congela-a
a planta pode até não morrer
mas precisa ser lembrada
ao contrário
vai murchando aos poucos.

adenildo lima

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Rascunho

Na vida, precisamos fazer alguma coisa para dar sentido a existênica: eu escrevo. Escrevo para não adormecer tão cedo, para poder ver o sol nascer, escrevo para não conhecer a morte tão rápido, escrevo para acordar os adultos e fazer dormir as crianças, escrevo para não deixar o tempo ser tão monótono, escrevo para criar pessoas que eu gostaria de ter, escrevo para enganar a realidade. Escrevo, porque já nao me resta mais dúvida de que a única coisa real na vida é a ilusão.

Escrevo, pois é preciso viver!

adenildo lima

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

um dois três...

um tijolo
dois tijolos
três tijolos
quatro tijolos
a cama já tenho
o travesseiro
acabei de construir
espero que não chova
que não venha pessoas
com os pés grandes
preciso dormir
a madrugada
está me ajudando
o frio já se foi
tudo bem que aqui
não tem estrelas
(sinto saudades)
as luzes são fortes
um tijolo
dois tijolos
três tijolos
quatro tijolos
duro mesmo
é correr
é não ter tempo
pra pensar
assim
sinto um coração
(aquela menina é tão bonita)
agora deito e durmo
sentindo o peso do mundo
(a menina teve nojo de mim)
agora sonho um sonho profundo
abraço-me e durmo
(nossa - as pessoas continuam correndo)
um tijolo
dois tijolos
três tijolos
quantos momentos
de amor que esquecemos
e sem viver
morremos
acho que a menina boneca
a boneca menina
cegou com tanta
maquiagem

adenildo lima

domingo, 9 de agosto de 2009

quem somos?

Você, amigo leitor, talvez ainda não tenha parado pra pensar "quem somos?". Quem somos, amigo leitor, nesse mundo pós-moderno que nos leva para lugares infinitos, mas sem ponto de partida e sem ponto de chegada? Eu também não sei quem eu sou, mas sei que isso que chamo de corpo humano tem 70% de água, alguns por cento de carne e alguns por cento de ossos... É, acho que sobram os cabelos. Pois na lei da natureza tudo é relativamente absoluto.

adenildo lima

Cinzas e ventos

foram tantas palavras ditas, outras escritas
tantos momentos vividos, outros curtidos
tantas palavras faladas, outras amadas
tantos dias juntos, agora a neblina da noite cai, você não vem com aquele abraço, eu espero, mas você se foi, você partiu, jogou no ar, entregando ao vento em movimento os nossos mais belos momentos. Ah, se aparecesse algum louco poeta, ou algum poeta louco, talvez ele pegasse no ar nossos momentos e registrasse em poesia
eu iria sentir uma enorme alegria
e até gritaria alguns nomes
talvez maria
maira
mariana
ana
mara
e seria uma maravilha poder te reviver em um poema, poder lembrar a nossa história tão linda e, eu iria até acreditar no amor, na paixão, na ilusão e sonharia com uma vida bela
e talvez gritasse outros nomes
marcela
gabriela
isabela
bela
e ficaria com as flores e os risos da aquarela e não teria medo de me olhar no espelho e ver meu riso como rios.

lembraria o momento em que você disse que me amava enquanto nossos corpos se encontravam

adenildo lima

Nave de gelo

E seguimos nós na nave de gelo, rumo ao infinito, rumo aos prazeres da vida, rumo a um lugar desconhecido. A nave está derretendo, os nossos pés estão escorregando, restam poucos segundos para chegarmos àlgum lugar, gritos, barulhos fortes nos atormentam; corremos mais e mais. Agora, parece que estamos no meio da caminhada, mas não temos tempo pra pensar nos momentos vividos, não temos tempo pra pensar nas coisas simples da vida; continuamos a correria, e em cada passo corrido que damos ignoramos o olhar das pessoas, não paramos pra nos olharmos no espelho e, de tanto correr, pisamos em cima de tanta gente, atravessamos tantos lugares com esta venda nos olhos, porém seguimos, e a nave de gelo está se desmanchando, restam poucos segundos... Será que ainda sobra tempo pra pensar?

na nave navegando a nado nadamos nesse mundo vago

adenildo lima

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Rios e risos

As pessoas mudam, e o mundo delas muda junto com elas. As palavras somem indo no vento, as palavras de amor, de amigo, de amizade, de relacionamento. O bom dia desaparece, a boa tarde não chega nunca mais, a noite é apenas noite sem estrela, sem lua, sem luar e o frio da madrugada fica quente na tristeza de não querer acreditar no que é capaz o ser que se diz humano.

Mas as borboletas continuam voando. E mesmo que a flor murche, nunca perderá a essência, será sempre flor.

adenildo lima

O jeito dela

Hoje, vim aqui para falar de nós, mas quero mesmo é falar de você. Falar dos teus cabelos loiros caindo pelas costas, falar do teu corpo de violão transmitindo-me ensejos, desejos... a vontade do teu beijo, falar do teu sorriso deslumbrante vindo a mim. Hoje, estou aqui para falar do teu olhar.

Quero falar do teu olhar com aquele jeito infinito adentrando minha alma, transmitindo-me calma, tirando um pouco o estresse da vida, fazendo com que meus passos pisem mais calmamente. Você pode não acreditar, mas afirmo que é verdade: quando caminhas o tempo para, o vento paira... e eu fico contenplando apenas o teu andar.

E não se esqueça que em algum lugar levarei o teu jeito de menina, afinal o homem não se apaixona pela mulher, mas pelo jeito dela.

adenildo lima

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Nauseando 6

Amigo leitor, este texto é daqueles que, praticamente, todas às vezes que vou escrever não sei o que será escrito, tenho apenas o ponto de partida que é a inspiração - inspiração existe, pelo menos para mim -, mas neste momento não sei se falo de um sentimento apaixonante, ou se falo do círculo da vida, porém, digo que viver é uma paixão, ao contrário, não cruzaremos a ponte construída com linha, vidro e pedra.

Aqui, diante da tela do micro, veio-me um nome, um nome bonito, acho-o forte, e já cheguei a usá-lo para personagem de um conto e para título de um poema. O amigo leitor ficou curioso para saber, eu sei que o leitor é curioso, afinal, falo por mim, sou muito curioso (rs), mas só vou citar este nome no final deste texto.

Confesso, quando comecei a escrever este rascunho - vou chamá-lo de rascunho - estava pensando em outro tema inteiramente diferente e, agora, estou pensando no amor. Vou declarar para você, amigo leitor, eu sou um poeta amador, só consigo falar de amor e, quando estou falando, me perco nas palavras infinitas, às vezes esquisitas, mas tão bonitas.

E quando falo de amor, não sei o motivo, mas a primeira palavra que me vem como rima é dor, não sei, desculpa, essas coisas não sei mesmo, pode acreditar. Eu vejo muito o amor com rimas fortes com dor, às vezes de lutador, noutras vezes, de vencedor, sofredor. E diante destas contradições fico me perguntando o motivo de sofrer com sofrimento de amor já que de um sentimento nasce um sentimento tão bonito. É só querermos e, da dor nasce flor.

É, o leitor deve ficar bravo comigo, já me perdi no que estava escrevendo ou no que eu imaginei em escrever, mas acho tão bonito o texto caminhando sozinho sem precisar do autor atrapalhá-lo.

Lembro que no começo falei que ia falar de paixão, ou da vida...Coisas assim, e como eu ainda nao li o que escrevi nem sei se as partes estão coesas, se o leitor achar coeso, fico feliz, afinal não escrevo para críticos, escuto a todos, mas preservo o que acredito que seja melhor para o texto e para o leitor.

É, acho que para não terminar o texto sem sal e sem açúcar, assim como a náusea de um escritor vou falar um pouco da vida. A vida é boa, mas é froid, a escravidão pós-moderna atormenta a gente. Relógio grita: levanta!!! outro relógio espera na empresa: se atrasar, outra pessoa pode marcar o ponto. Mas o maldito relógio esquece que no caminho é difícil: ônibus lotados, trânsito infernal... Oh, relógio maldito! Acho melhor falar de paixão.

Lembro que falei lá no começo deste texto que tem um nome que eu admiro muito, acho-o muito forte. Desculpa, agora resolvi não falar. Vai que de repente uma pessoa com este nome passa por aqui, faz uma leitura deste texto que estou escrevendo agora, e fica triste? Não quero deixar ninguém triste, prefiro que você, amigo leitor, imagine aquele nome que você tanto ama, afinal: vivemos sempre apaixonados, né?

viver sem paixão é ter um vazio enorme dentro de si, mas não saber controlar as paixões é ser um fraco sem coragem até de se olhar no espelho.

Termino assim para deixar o leitor prossegui-lo nas estradas da vida. Caminhar é escrever a própria história.

adenildo lima

29 e 30

... Todos começaram a chamá-lo de louco, a ignorá-lo, até, a deixá-lo à margem da sociedade, dita, moderna.

30 anos e alguns dias que corriam para se encontrar com os 31 anos. O nome dele era Douglas (e continua com o mesmo nome). Residência: São Paulo capital. Cabelos grandes, barbas grandes. Sempre que caminhava procurava escutar com detalhes o barulho dos seus pés, e observava os lugares que os olhos olhavam.

Falava pouco ou, quase não falava nada, gostava de escrever, mas odiava editoras. Publicou seu único livro aos 29 anos, um livro de 30 páginas e um prefácio com 29 linhas, escrito por um amigo. Fez uma tiragem de 90 exemplares, conseguiu vender 58.

No dia 8 de um mês que não será descrito aqui, ele morreu. Deixou apenas um livro, falou pouco, mas nunca se entregou à escravidão pós-moderna. E douglas, hoje, em algum lugar, continua vivendo.

adenildo lima

sábado, 1 de agosto de 2009

No calar da noite

A noite caiu na calada da noite diante do sorriso de uma menina caliente. Chuva, silêncio no silenciar do olhar dela; ela parecia solitária. Estava sentada na calçada, e parecia que colhia o barulho dos passos andantes das pessoas vindo do trabalho, outras passando com companheiros, companheiras indo para as festas... E a festa da vida para aquela menina não acontecia, mas ela estava sentada, ali, na calçada esperando os lírios da noite que, às vezes, cai nos olhares solitários, pois neles, reinam o verdadeiro amor de uma mulher - no calar da noite!

adenildo lima