sábado, 25 de julho de 2009

Realidade e ficção

Victor Lucas saiu rua afora à busca de inspiração para escrever um poema, um poema que falasse de amor, que falasse da ilusão, que falasse das contradições da vida; que falasse dos sonhos de um poeta, dos caminhos de um poeta.

Era noite, quando ele saiu, jogou uma sacola nas costas, pôs um diário dentro dela, e uma caneta no bolso, e se foi. Entrou no ônibus, complementou o cobrador. O cobrador mal balançou a cabeça. Possivelmente estava cansado. Sentou lá nos fundos e ficou olhando a cidade pela janela.

Noite bonita, e parecia calma. Desceu no terminal, entrou na estação de metrô, atravessou a catraca, e desceu a escada rolante.

- Você tá louco! Não olha por onde anda?
- Desculpa, jovem.
- Desculpa...

No metrô restavama apenas dois lugares. Ele sentou. A moça, com cara de nervosa, olhou pra ele e recusou o acento.

- Se você quiser sentar, eu levanto. Acho que estou sendo incômodo em sua vida.
- Pode ficar à vontade, magina.

Victor Lucas abriu a bolsa e tirou um livro de poemas, e ficou lendo.

- Desculpa, me intrometer em sua leitura, posso fazer uma pergunta?
- Sim, fique à vontade, jovem.
- O que faz um rapaz igual a você ler poesia?
- Mas como assim, igual a mim? A sua pergunta fica solta no ar, não sei responder, não me conheço o bastante.

A jovem riu, e sentou ao lado dele. Ele fez mensão de se levantar.

- Você vai descer?
- Sim, desço na próxima estação.
- Tá indo pra onde, mesmo?
- Não sei, nunca fui ciente do ponto de chegada, só conheço mesmo o ponto de partida.
- Nossa! Além de gostar de poesia, é filósofo?
- Todos nós somos filósofos, todos nós pensamos um pouco, mesmo diante dessa nave de gelo que chamo de "Mundo pós-moderno". Não sei, mas nesses dias atuais temos algum objetivo?

A moça ficou um pouco assustada. Ele levantou, e desceu. Antes que as portas do trem fechassem, ela levantou-se com um jeito desesperado, quase foi atropelada pelas portas. E gritou:

- Por favor, me espera!
- Não tenho nada para falar contigo.
- Seu estúpido, custa me esperar?
- E o que você quer comigo, jovem? Não tem medo de ser sequestrada por mim? Você demonstra ser de classe média alta, e eu, sou apenas um jovem de periferia. Sabia que moro na periferia? Você deve ter medo de pesssoas que moram nas partes esquecidas da cidade, né?

- Idiota! Só quero falar com você, não estou perguntando onde moras, e quem és, quero apenas falar com você, posso?
- Pode, já que sou um idiota, você pode falar tudo o que quiser, não vou entender nada mesmo, né?
- Como você é irônico!
- Já que insiste, não converso com estranhos, qual o seu nome?
- Thalita.
- Prazer, Victor Lucas. Posso saber pra onde você estava indo?
- Estava indo pra casa do meu namorado, briguei por telefone, e agora ia terminar pessoalmente.
- Quer dizer que você parou pra conversar comigo, porque tá carente, tá achando que sou psicólogo?
- Vai pra merda, Victor, você é muito arrogante.
- A realidade irrita, né?

Ficaram conversando um pouco e em seguida foram para um barzinho. Passaram a noite toda ouvindo um som ao vivo , e bebericando uma cerveja. Amanheceu o dia. E a partir dali, uma história começa, novos poemas são escritos, pois a ficção imita a realidade e a realidade, às vezes, encontra-se com a ficção, e histórias surgem!

adenildo lima

Um comentário:

Márcio Ahimsa disse...

...verdade, a realidade se encontracom a ficção e esta se encontra com a ilusão de parecer real. Assim são as pessoas, assim é a vida...

Beleza de texto, Adê

Abraços.