sexta-feira, 10 de julho de 2009

Nauseando 5

Mariana acordou com uma sensação ruim. Levantou-se, foi até a janela de seu quarto, e ficou observando as pessoas passando: indo e vindo, vindo e indo. Alguns vinham do trabalho, outros iam para o trabalho. Ficou perguntando consigo mesma: o que é a vida? Para que viver? Por que a vida tem que ser um círculo?

Essas perguntas já atormentava-a por um bom tempo, mas naquele momento, exatamente 5h da manhã, esse ponto de interrogação veio adentrando o seu ser com muita ênfase. "Ir e vir, vir e ir, por quê?" - Ao se questionar elevou seu olhar para o espelho do guardarroupas, teve um susto! Em reflexos ela viu Ana, Mariana, Maria, Maira, Mara... E não conseguiu ver o olhar de Mariana.

Chorou, dos seus olhos caíram uma lágrima, demonstrando um sentimento de náusea, aí, ficou nauseando ainda mais. Lembrou que era filha sem pai, e lembrou ainda mais de sua mãe materna que, na juventude, era prostituta. E Mariana nasceu de uma transa qualquer, com um homem qualquer, um homem sem rosto, uma mãe sem ventre materno.

A primeira coisa que a mãe de Mariana pensou em fazer foi abortá-la. Tomou remédios três vezes, e o feto resistiu ao veneno das drogas. Revoltada, resolveu tê-la.

E no dia 1º de janeiro de 1988 nascia uma criancinha que já tinha vencido a morte por três vezes, e recebeu o nome de Mariana. Em menos de uma semana ela foi doada para uma família. Mas aos 15 anos de idade ela ficou sabendo de toda a história dela, desde a gestação no ventre. Decidida, foi procurar sua mãe materna.

Depois de três anos de caminhada, encontrou-a.

Encontrou-a morta num hospital público, tinha sido assassinada numa mesa de cirurgia por médicos incompetentes (reflexo de uma saúde precária que temos em nosso país). Sim, ela tinha sido assassinada, chegou a falecer devido a uma cirurgia mal feita, e ainda mais, sem autorização da família. Mariana, ainda conseguiu ver o rosto de sua mãe materna.

Ali, olhando pela janela, ficava se perguntando qual a importância da vida, já que vivemos tão pouc?. Rancor de sua mãe materna? Nunca teve. Aos 21 anos de idade sentia falta do olhar de seu pai, mas ela tinha uma família. Família não é a que faz, é a que cria. Mas diante de sua própria realidade, ela via o reflexo de muitas pessoas em seu país.

Saiu da janela, tomou banho, vestiu-se e foi estudar, pois a caminhada da vida é o estudo de cada passo que damos.

adenildo lima

Um comentário:

* Fada * disse...

*Adenildo, estou aqui para TE

AGRADECER pelo teu comentário no

*Caderninho da Fada* e para

conhecer o teu blog !!!

*Ótimo domingo !!!

*Fiques com Deus.

*Um abraço.