quinta-feira, 23 de julho de 2009

Entre o desejo e a vida

Sílvia acordou pensativa, passou a noite toda lembrando o olhar do rapaz que ela tinha esbarrado no dia anterior ao sair do elevador. Passou a mão na cabeça sem querer acreditar que um sentimento de paixão estava perambulando o seu ser. Pior, Sílvia era casada, e os dogmas da religião dela considerava traição até mesmo o pensamento sem o ato da relação sexual ou o beijo.

Indo contra seus preceitos, uma semana depois sentou-se na calçada do prédio, e ficou esperando se aquele rapaz passaria ali, naquele mesmo horário que se esbarraram. Ela ficou uma hora, e ele não passou. Foi para o apartamento. Tomou banho, deitou-se com o marido, transaram. Mas nada ela sentiu. Isso a deixava ainda mais preocupada.

Passaram-se cinco meses e ela não conseguiu esquecer o olhar daquele rapaz. Estava tão atraída que ao lembrar dele se excitava. Sem ter mais a esperança de encontrá-lo, preservou a lembrança dele fixamente e começou a acariciar o corpo. Foi ao extremo do prazer, antes nunca tinha conseguido se sentir tão bem ao fazer amor com o esposo - único homem na vida dela.

Decidida, pediu a separação, o marido nada entendeu. Separou-se. Revoltada com os dogmas que a religião lhe impunha, deixou a religião. E despreocupada, sem ficar presa as imposições, posta e imposta pela sociedade, foi viver a vida. E viveu. Como? Não sei, pois a vida é o que cada um vive. Só sei que ela descobriu o próprio corpo, e isso ajudou muito para os momentos futuros, com seus futuros parceiros.

adenildo lima

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