quinta-feira, 30 de julho de 2009

O meu erro

Sei que as pessoas estão acostumadas a pedirem desculpas pelos erros, por terem errado, mas hoje, eu estou aqui para te pedir desculpa por ter te amado. É estranho, eu sei, mas é isso mesmo que você está ouvindo, não se assuste, estou te pedindo desculpas pelo amor que sempre tive por você.

Eu roubei tanto o seu tempo, falei tantas palavras bonitas (quando amamos ficamos assim), desculpa, você não merecia, só hoje eu descobri isso. .Às vezes levamos um tempo para entender o amor, principalmente o jeito de amar das pessoas.

Hoje, enquanto estava olhando pela janela do ônibus, lembrei de você (é, eu ando de ônibus) e consegui perceber o quanto fui abusivo oferecendo-te o meu amor. Quem disse que você iria amar um rapaz simples igual a mim? Desculpa, desculpa mesmo, acho que fiz você perder bastante tempo com o meu olhar carinhoso, compreensivo...

Mas mesmo assim eu lembro, eu te amei tanto, até cheguei a pensar que você pudesse ter um coração, um cérebro; que você não fosse uma máquina, o meu pensar se enganou.

Neste momento fico olhando as pessoas correndo sem saber pra onde, e falo: ah, se elas parassem um segundo apenas, talvez pudessem enxergar a si mesmo, e não se perderiam nessas caminhadas infinitas que levam... Pra onde?

adenildo lima

enlaços

calada
cálida
o teu falar
o teu calar
os caminhos se cruzam
se abraçam
se enlaçam
chorando
amando
brincando
as crianças pegam
e requebram e quebram
a brincadeira
difícil da vida
consumida
poluída
sorrida
caminhados os passos
beijam os enlaços
e deitam-se
no olhar solitário do infinito

adenildo lima

domingo, 26 de julho de 2009

Colhendo os lírios no asfalto

Hoje saí pela cidade à busca de um sorriso sincero: estava triste. Lembrei das amizades tão verdadeiras em suas palavras, lembrei das pessoas que até me assustaram ao falar que me amavam (falar que ama é tão sério para mim), mas de repente sumiram. Veio-me uma tristeza profunda, não pelo desaparecimento das pessoas que, muitas vezes ao meu lado, abraçavam-me, sorriam e dividiam momentos de felicidade. Tive vontade de desacreditar do ser que chamo de humano, mas não posso. E prossegui minha caminhada.

Saí pela cidade colhendo os lírios do campo, colhendo os olhares perdidos que transmitem tanto amor. Abracei o sorriso de uma criança que jogada nas avenidas da cidade esperava apenas que alguém colhesse o seu olhar; e como ela ficou feliz ao perceber que eu abraçava sua existência. E ali, encontrei um amor sincero.

Lembrei dos momentos em que pessoas que passavam horas e horas ao telefone, que passavam horas e horas ao ar livre conversando comigo, dividindo seus momentos mais íntimos e jurando uma amizade, mas que sem nenhuma explicação, sem nenhuma consideração humana, sumiram. Foi nesse momento que descobri que nem todos são humanos, são máscaras sorrindo sem nenhum sentimento.

Saí caminhando, prosseguindo meu caminho, já que não posso parar, sei que existe alguém que receberá aquele sorriso, aquele abraço, aquele olhar.

Almas falam, já máquinas, reproduzem som.

adenildo lima

sábado, 25 de julho de 2009

Realidade e ficção

Victor Lucas saiu rua afora à busca de inspiração para escrever um poema, um poema que falasse de amor, que falasse da ilusão, que falasse das contradições da vida; que falasse dos sonhos de um poeta, dos caminhos de um poeta.

Era noite, quando ele saiu, jogou uma sacola nas costas, pôs um diário dentro dela, e uma caneta no bolso, e se foi. Entrou no ônibus, complementou o cobrador. O cobrador mal balançou a cabeça. Possivelmente estava cansado. Sentou lá nos fundos e ficou olhando a cidade pela janela.

Noite bonita, e parecia calma. Desceu no terminal, entrou na estação de metrô, atravessou a catraca, e desceu a escada rolante.

- Você tá louco! Não olha por onde anda?
- Desculpa, jovem.
- Desculpa...

No metrô restavama apenas dois lugares. Ele sentou. A moça, com cara de nervosa, olhou pra ele e recusou o acento.

- Se você quiser sentar, eu levanto. Acho que estou sendo incômodo em sua vida.
- Pode ficar à vontade, magina.

Victor Lucas abriu a bolsa e tirou um livro de poemas, e ficou lendo.

- Desculpa, me intrometer em sua leitura, posso fazer uma pergunta?
- Sim, fique à vontade, jovem.
- O que faz um rapaz igual a você ler poesia?
- Mas como assim, igual a mim? A sua pergunta fica solta no ar, não sei responder, não me conheço o bastante.

A jovem riu, e sentou ao lado dele. Ele fez mensão de se levantar.

- Você vai descer?
- Sim, desço na próxima estação.
- Tá indo pra onde, mesmo?
- Não sei, nunca fui ciente do ponto de chegada, só conheço mesmo o ponto de partida.
- Nossa! Além de gostar de poesia, é filósofo?
- Todos nós somos filósofos, todos nós pensamos um pouco, mesmo diante dessa nave de gelo que chamo de "Mundo pós-moderno". Não sei, mas nesses dias atuais temos algum objetivo?

A moça ficou um pouco assustada. Ele levantou, e desceu. Antes que as portas do trem fechassem, ela levantou-se com um jeito desesperado, quase foi atropelada pelas portas. E gritou:

- Por favor, me espera!
- Não tenho nada para falar contigo.
- Seu estúpido, custa me esperar?
- E o que você quer comigo, jovem? Não tem medo de ser sequestrada por mim? Você demonstra ser de classe média alta, e eu, sou apenas um jovem de periferia. Sabia que moro na periferia? Você deve ter medo de pesssoas que moram nas partes esquecidas da cidade, né?

- Idiota! Só quero falar com você, não estou perguntando onde moras, e quem és, quero apenas falar com você, posso?
- Pode, já que sou um idiota, você pode falar tudo o que quiser, não vou entender nada mesmo, né?
- Como você é irônico!
- Já que insiste, não converso com estranhos, qual o seu nome?
- Thalita.
- Prazer, Victor Lucas. Posso saber pra onde você estava indo?
- Estava indo pra casa do meu namorado, briguei por telefone, e agora ia terminar pessoalmente.
- Quer dizer que você parou pra conversar comigo, porque tá carente, tá achando que sou psicólogo?
- Vai pra merda, Victor, você é muito arrogante.
- A realidade irrita, né?

Ficaram conversando um pouco e em seguida foram para um barzinho. Passaram a noite toda ouvindo um som ao vivo , e bebericando uma cerveja. Amanheceu o dia. E a partir dali, uma história começa, novos poemas são escritos, pois a ficção imita a realidade e a realidade, às vezes, encontra-se com a ficção, e histórias surgem!

adenildo lima

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Cotas para negros ameaçadas

Queridos leitores, a notícia que leremos a seguir, mostra, como sempre, o poder da elite e o poder da política podre que temos no Brasil, o pdoer de ir sempre contra os menos favorecidos. O partido DEM (observem bem o texto abaixo, leiam com atenção! Falo: o partido DEM). A advogada Roberta Kauffman, escreveu sua tese de mestrado contra as cotas, e agora assina uma ação como advogada do partido DEM e como procuradora do Distrito Federal para impedir/suspender as cotas para os negros na UnB, no Brasil. O texto abaixo mostra com detalhes a ignorância dela diante do assunto, se ela conhecesse a história do Brasil, não faria isso, mas tudo bem, é o pensamento burguês reinando em nosso país de reis e escravos, precisamos lutar para mudar essa situação. Leiam, por favor, pensem quando forem votar.

"Data: 23/07/2009
Veículo: TRIBUNA DO BRASIL - DF
Assunto principal: ENSINO SUPERIOR


A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental ajuizada pelo partido Democratas no Supremo Tribunal Federal (STF), na última segunda-feira, pede a suspensão imediata do sistema de cotas para negros na Universidade de Brasilia (UNB). O partido pede que seja declarada inconstitucionalidade de atos da universidade que resultaram na instituição de cotas raciais. Caso o STF dê parecer favorável ao DEM, as matrículas dos 654 candidatos cotistas aprovados no segundo vestibular de 2009 da UNB serão suspensas.

A ação é assinada por uma das advogadas do partido e procuradora do Distrito Federal, Roberta Kauffman. A petição sustenta que "no Brasil, ninguém é excluído pelo simples fato de ser negro". Segundo ela, o sistema de cotas adotado na UNB foi baseado no sistema adotado nos Estados Unidos da América, onde a realidade dos negros é diferente da realidade dos brasileitos.

O tema das cotas é também tese do mestrado defendido por ela na UNB, na qual foi orientada pelo ministro do Supremo, Gilmar Mendes. Ação, com mais de 500 páginas, sustenta que o sistema de cotas adotado pela universidade fere a igualdade de condições. "No Brasil o problema da integração dos negros a posições sociais de destaques e na universidade é um problema relacionado à pobreza, e não à raça", disse.

A decana de Ensino de Graduação da UNB, Márcia Abrahão, disse que a petição do DEM pegou a todos de surpresa. Segundo ela, desde 2004, ano em que o Sistema de Cotas entrou em vigor na universidade, apresentou resultados positivos. De acordo com ela, não há diferença no rendimento dos alunos cotistas para os não cotistas. E, mesmo com o sistema, para o aluno negro ingressar na universidade tem que atingir um número mínimo de pontuação exigido no curso escolhido.

Hoje, a instituição tem 2.621 alunos negros matriculados. Apenas no último vestibular da instituição, outros 654 alunos negros foram aprovados. "A universidade só teve a ganhar com o sistema de cotas. Antes, o número de estudantes negros na universidade era irrisório", disse.

Segundo ela, se o STF decidir a favor do partido vai atrasar todo o processo de matricula dos alunos, uma vez que todas as pontuações dos candidatos que não foram aprovados no último vestibular da UNB terão que ser recontadas.

Até agora, a Universidade não recebeu nenhuma orientação sobre o assunto. A orientação é que todos os calouros que passaram no último vestibular continuem organizando os documentos para fazer matricula, amanhã, na data prevista.

A professora defende também que o Sistema foi aprovado no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da universidade depois de anos de discussão. Na época da aprovação, em 2003, o sistema teve 23 votos favoráveis, um contrário e uma abstenção. Desde então, 20% das vagas do vestibular são destinados a estudantes negros e afrodescendentes. "O primeiro ganho que tivemos é que abre o acesso para as pessoas que não tinham condição e, o outro, a universidade passou a ter uma diversidade maior", disse.

A professora-doutora em História, Joelma Rodrigues, vê a ação movida pelo DEM como um retrocesso para a sociedade brasileira, pois desde a abolição da escravatura o país nunca estabeleceu nenhuma política pública voltada para a população negra. Para ela, a criação do sistema de cotas foi a primeira vez que o tema foi discutido não apenas dentro das universidades, mas no campo político. "Mesmo a afrodescendente mudando a classe social sofre discriminação racial, sim", disse.

A defesa da UNB perante o STF será promovida pela Advocacia-Geral da União. Se o pedido for acatado pela corte, todas as outras universidades do país, que já adotam o sistema, terão que revê-lo, uma vez que a decisão do Supremo tem efeito vinculante."

Vamos torcer para isso não acontecer.


FONTE:
http://www.linearclipping.com.br/cnte/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=93&codnot=809269

adenildo lima

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Coisificamo-nos coisa

O ser, que chamamos de humano, é muito complexo, é uma contradição enorme. O mesmo ser que luta pela paz, faz a guerra, faz a disordem, e alimenta o individualismo ao propagar a luta pelo dinheiro sem conceitos humanos.

A ganância, a falta de amor a si mesmo, destrói aos poucos a sensibilidade de um ser que chamamos de Ser Pensante. E, felizmente ou infelizmente, não entendo nada dessa coisa que chamamos de humano.

adenildo lima

Entre o desejo e a vida

Sílvia acordou pensativa, passou a noite toda lembrando o olhar do rapaz que ela tinha esbarrado no dia anterior ao sair do elevador. Passou a mão na cabeça sem querer acreditar que um sentimento de paixão estava perambulando o seu ser. Pior, Sílvia era casada, e os dogmas da religião dela considerava traição até mesmo o pensamento sem o ato da relação sexual ou o beijo.

Indo contra seus preceitos, uma semana depois sentou-se na calçada do prédio, e ficou esperando se aquele rapaz passaria ali, naquele mesmo horário que se esbarraram. Ela ficou uma hora, e ele não passou. Foi para o apartamento. Tomou banho, deitou-se com o marido, transaram. Mas nada ela sentiu. Isso a deixava ainda mais preocupada.

Passaram-se cinco meses e ela não conseguiu esquecer o olhar daquele rapaz. Estava tão atraída que ao lembrar dele se excitava. Sem ter mais a esperança de encontrá-lo, preservou a lembrança dele fixamente e começou a acariciar o corpo. Foi ao extremo do prazer, antes nunca tinha conseguido se sentir tão bem ao fazer amor com o esposo - único homem na vida dela.

Decidida, pediu a separação, o marido nada entendeu. Separou-se. Revoltada com os dogmas que a religião lhe impunha, deixou a religião. E despreocupada, sem ficar presa as imposições, posta e imposta pela sociedade, foi viver a vida. E viveu. Como? Não sei, pois a vida é o que cada um vive. Só sei que ela descobriu o próprio corpo, e isso ajudou muito para os momentos futuros, com seus futuros parceiros.

adenildo lima

terça-feira, 21 de julho de 2009

Aconchego do tempo

É uma declaração de amor. Desde o momento que vi seu corpo nu, apaixonei-me! Você caminhando livremente naquele deserto, seu vestido abraçava o vento e a todo momento eu te observava. Você veio, pediu que eu tirasse sua roupa com a sutileza da ponta dos dedos. Tremi! Senti seus seios palpitando o meu desejo de te amar, de te abraçar, de te consumir.

Os pássaros cantavam naquele entardecer, a lua contemplava os nossos momentos. E, sem que eu percebesse, você estava nua diante de mim. Teu corpo! Pura obra de arte que num encarte se fez viva ao meu olhar, e fiquei a te contemplar. Nos beijamos, nos amamos... E o tempo nos acolheu.

adenildo lima

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Viver ou morrer: qual é mais difícil?

Viver. A palavra viver não tem apenas um significado, e tem vários sinônimos conforme o ambiente. Viver é difícil, fácil é morrer, mas não é tão fácil assim.

Este texto começa com uma cara estranha, o amigo leitor está achando isso, e eu também estou. Estamos cansados de dizer e de ouvir que moramos num país democrático, eu confesso que sofro muito ao tentar usar o que a nossa Constituição Brasileira de 1988 assegura: A liberdade de expressão. Quem disse que posso falar? Quem disse que posso lutar pelos meus direitos? Até luto, mas os dragões são muito fortes, fortes demais!!!

A lei maior do nosso país é o poder, o poder. Um dia, uma moça que se dizia minha amiga me fez uma pergunta interessante que me marca até aos dias de hoje: "Você não se acha crítico demais?", Lembro que na hora até tive um susto, e falei comigo mesmo: é o mínimo que eu posso fazer - ter senso crítico. Mas a pergunta dela é muito interessante, ela retrata a ditadura silenciosa em que vivemos, em que moramos, em que comemos...

Eu, este ano, comecei um curso de Pós-Graduação na PUC/SP, Especialização em língua portuguesa. Eu me mostrei, na sala, diante dos professores como um ser pensante, quem disse que eles aceitaram? Houve um reboliço! Eu provei que estava certo, busquei fontes e tudo o que eu podia (isso com a professora Dieli Vesaro, numa matéria anterior, até hoje ela não entregou as notas). Na matéria seguinte a outra professora já me conhecia, como né? rs. Agora, ao pegar o resultado dessa professora que já me conhecia, Lílian Passarelli, sabe o que aconteceu? O método de avaliação dela me reprovou, e reprovando numa matéria nesse curso, o melhor a fazer é cancelar, e é isso que farei. Como fui reprovado, né?

Então, como vocês estão vendo, viver é difícil, muito difícil, e morrer também não é tão fácil....rs...

E assim seguimos enganando a vida e procurando viver uma vida melhor. Para mim que não tenho nem partido nem religião, apego-me ao amor, apego-me no amor, apego-me a você que está ao meu lado, que está comigo, pelo menos que se mostra meu amigo.

adenildo lima


quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pois é

É dia, se está bom eu não sei (rs) desde 4ª feira passada que ando meio piongo, fiquei de cama na 5ª e na 6ª e ao sábado fui à facul .... mal mal mal.... e hoje estou aqui. E para que saber se estou bem, já que nunca estive tão mal assim? rs

Que todos tenham um bom dia...

adenildo lima

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Corpo, pele e coberta sem alma

- Preciso falar com você.
- Não quero mais te ouvir, entre mim e você não existe mais nada para ser comentado, Débora.
- Como não, Victor?!
- Não e não. Você é uma covarde, garota! Só estava comigo para preencher um vazio que nem sei qual é, que está aí dentro de si mesma, até falou que me amava. Covarde! tenho nojo de você.
- Não, você não pode falar isso sério. Eu te amo!!!
- Se você soubesse que o amor não é isso que você vive, não terias duas faces.

O amigo leitor, com certeza está querendo saber o motivo de tanto ódio no coração de Victor. Victor na verdade não tem ódio, ao contrário, só tem amor. A única coisa que ele não perdoa é a covardia. Ele amou Débora por um sorriso e por uma eternidade. Foi amigo fiel, sincero, compreensivo e presente. No primeiro momento em que ela começou a gostar de um outro rapaz, passou a ignorá-lo; esqueceu a existência dele. Ela se mostrava sincera, amiga, compreensiva. Mostrava-se tão amiga que Victor não tinha dúvida de sua fiel companhia. Até que ponto chega a falta de humanismo no ser que se diz humano?

E Victor estava decidido. Levantou de onde estava, ergueu a cabeça e saiu caminhando.

- Victor, eu te amo, eu juro por toda a minha vida, eu te amo, me perdoa, me perdoa...

Ele virou o rosto e falou:

- Eu também te amo, mas como posso ter certeza que isso que estás falando é verdade? Quando você aparecer nua em minha frente, e mostrar que teu corpo não pode ser mais importante do que os ideais de uma pessoa, prometo te abraçar e dar o meu carinho que sempre tivesse em suas mãos.

adenildo lima

segunda-feira, 13 de julho de 2009

o cachorro, a criança, o adulto e o velho

Era dia, o velho tinha se levantado, e caminhava sem destino. De repente, viram-o deitado na calçada; não estava deitado, tinha caído. Um cachorro veio e lambeu suas feridas, uma criança veio e sorriu, em sua inocência de criança. Um adulto estava passando e chutou-o.

O senhor, ali, caído, sentiu a dor do chute, mas o que doeu mesmo foi a dor do desprezo.

O cachorro, a criança, o adulto, o velho. Até hoje aquele senhor procurar entender o amor do adulto que passou.

adenildo lima

Desabafo

Têm dias que passo horas e horas tentando escrever alguma coisa e não consigo, mas têm dias que escrevo tanto que fico assustado comigo mesmo: escrevo no blog, escrevo pra revista, escrevo textos para 4ª capa de livros, escrevo vários poemas, escrevos minhas cartas de amor - direcionadas não sei a quem - escrevo trabalho pra faculdade, escrevo tanto que nem sei o quê, mas como é gostoso escrever!

E agora escrevo pra você, amigo leitor, pra dizer que estou bem e que você esteja também.

adenildo lima

A ilusão

(Normalmente, escrevo para depois escolher o título, mas aqui o título veio primeiro). Quero falar da ilusão, como o próprio nome do texto já deixa claro, mas não quero falar da ilusão ilusória, quero falar da ilusão construtiva, da ilusão que salva, pelo menos por um segundo.

A ilusão é a única realidade que existe, não é falsa, existe de verdade. Todos nós precisamos dela, ela nos conforta e nos faz sentir os pés no chão, abre novos horizontes, e deixa uma esperança no sorriso dos lábios beijando os dentes.

Precisamos da ilusão ilusória de um sentimento chamado paixão; precisamos sempre estar apaixonados; ela é doce, e quando amarga, faz parte do processo de felicidade que todo ser humano passa.

Matar a ilusão é matar a si mesmo.

adenildo lima

Brincando com as palavras

Escrever é desenhar a vida nas letras garrafais dos dias que passam.

adenildo lima

domingo, 12 de julho de 2009

Máscara e alma

Era noite, Rita queria dizer alguma coisa. Tentou abrir a boca, não conseguiu. Mexeu com os olhos, estava sem forças pra reagir. Rita fechou os olhos, e se foi. Nunca mais voltou. Alguém até chegou a dizer que hoje ela está morando num paraíso. Só que o paraíso fica num lugar infinito. E as últimas palavras que ela queria dizer ficaram escritas num poema, num poema da vida.

"Caíram as máscaras
Vestiram em mim
uma vestidura branca,
Devolveram-me à terra
Voltei a ser semente
E na mente,
tenho certeza:
Máscaras não duram muito".

adenildo lima

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Nauseando 5

Mariana acordou com uma sensação ruim. Levantou-se, foi até a janela de seu quarto, e ficou observando as pessoas passando: indo e vindo, vindo e indo. Alguns vinham do trabalho, outros iam para o trabalho. Ficou perguntando consigo mesma: o que é a vida? Para que viver? Por que a vida tem que ser um círculo?

Essas perguntas já atormentava-a por um bom tempo, mas naquele momento, exatamente 5h da manhã, esse ponto de interrogação veio adentrando o seu ser com muita ênfase. "Ir e vir, vir e ir, por quê?" - Ao se questionar elevou seu olhar para o espelho do guardarroupas, teve um susto! Em reflexos ela viu Ana, Mariana, Maria, Maira, Mara... E não conseguiu ver o olhar de Mariana.

Chorou, dos seus olhos caíram uma lágrima, demonstrando um sentimento de náusea, aí, ficou nauseando ainda mais. Lembrou que era filha sem pai, e lembrou ainda mais de sua mãe materna que, na juventude, era prostituta. E Mariana nasceu de uma transa qualquer, com um homem qualquer, um homem sem rosto, uma mãe sem ventre materno.

A primeira coisa que a mãe de Mariana pensou em fazer foi abortá-la. Tomou remédios três vezes, e o feto resistiu ao veneno das drogas. Revoltada, resolveu tê-la.

E no dia 1º de janeiro de 1988 nascia uma criancinha que já tinha vencido a morte por três vezes, e recebeu o nome de Mariana. Em menos de uma semana ela foi doada para uma família. Mas aos 15 anos de idade ela ficou sabendo de toda a história dela, desde a gestação no ventre. Decidida, foi procurar sua mãe materna.

Depois de três anos de caminhada, encontrou-a.

Encontrou-a morta num hospital público, tinha sido assassinada numa mesa de cirurgia por médicos incompetentes (reflexo de uma saúde precária que temos em nosso país). Sim, ela tinha sido assassinada, chegou a falecer devido a uma cirurgia mal feita, e ainda mais, sem autorização da família. Mariana, ainda conseguiu ver o rosto de sua mãe materna.

Ali, olhando pela janela, ficava se perguntando qual a importância da vida, já que vivemos tão pouc?. Rancor de sua mãe materna? Nunca teve. Aos 21 anos de idade sentia falta do olhar de seu pai, mas ela tinha uma família. Família não é a que faz, é a que cria. Mas diante de sua própria realidade, ela via o reflexo de muitas pessoas em seu país.

Saiu da janela, tomou banho, vestiu-se e foi estudar, pois a caminhada da vida é o estudo de cada passo que damos.

adenildo lima

terça-feira, 7 de julho de 2009

Um sorriso apenas

O lugar é público, centenas de pessoas esperam um atendimento; uma criança chora nos braços de sua mãe. Os funcionários, todos bem uniformizados, quase todos: pequenos bonecos maquinados pelas regras impostas pelo Estado e pelas regras UNIFORMES.

Mas nem todos são iguais, lá, no outro lado, uma jovem garota, bonita, simpática mostrava uma determinada preocupação; a criança continuava chorando nos braços de sua mãe, a mãe lhe fazia um carinho, mas a criança não parava de chorar. As pessoas ao lado fechavam a cara, ficavam incomodadas, achando ruim.

A moça rasga as regras do uniforme vai ao seu chefe e fala:

- Eu posso ir até àquela criança?

O rapaz se assustou, olhou pra ela, não quis acreditar no que estava ouvindo.

- Isso vai contra as regras do estabelecimento, como você sabe, sou nova aqui?

Ele, ainda mais admirado disse:

- Ninguém nunca fez isso, mas se você quer ir, fique à vontade.

A bela menina saiu de onde estava, foi até à criança que se encontrava nos braços da mãe, sorriu, tirou o crachá e começou a brincar. As pessoas, ao lado, ficaram assustadas, olhando com um olhar de interrogação.

A criança parou de chorar. No lugar das lágrimas, um sorriso...

O nome daquela moça, não sei. Só sei que o que ela fez foi um ato de amor, e quando se ama os gritos ganham o silêncio, o silêncio fala mais alto e algo se harmoniza.

Ainda existem pessoas que nos dão o prazer de viver, não são máscaras, são faces... espero que por detrás do sorriso daquela moça simpática tenha um corção humano, já que muitos sorrisos vem mascarados... Espero que ela realmente seja um pouco de sua atitude.

Não precisamos de muita coisa para sermos felizes, basta apenas sermos o que somos.

adenildo lima

domingo, 5 de julho de 2009

corpos adornando

E eu que imaginei contigo no decair da madrugada, depois dos corpos satisfeitos... Um beijo, um abraço... Imaginei ter seu corpo nu abraçado ao meu, seus seios encostando em meu peito, seu suspiro de mulher realizada, amada, encontrada... Imaginei sentindo o cheiro da sua pele adentrando as minhas narinas, e nossos sexos adornamdo o prazer de amar, abraçados com o aconchego nosso... E ali, imaginei nossos corpos dormindo e, antes que amanhecesse o dia, nossos olhos se beijassem com o carinho de duas pessoas que estavam com a felicidade... E eu que imaginei esse momento... Hoje, te vejo tão distante.

adenildo lima