quarta-feira, 17 de junho de 2009

Nauseando 4

Ontem quando estava indo para casa, no finalzinho do dia, veio-me uma vontade saborosa para escrever um texto, mas, ao chegar em casa, diante do cansaço, faltou a coragem, e agora vou tentar reproduzir através da escrita aquela história que se fez em minha imaginação. Não é uma história muito feliz, talvez ela fique feliz aqui, mas o persona principal é um suicida.

Vamos lá, amigo/a leitor/a, comigo nesse embarque...

Mônica sentou na beirada de sua cama, abriu a gaveta do guardarroupas, tirou sua arma, olhou com carinho e disse:

- Com você eu posso acabar o mundo, basta apenas puxar seu gatilho, com o seu cano apontadao para a minha cabeça, e o mundo acaba.

Ela estava decidida a morrer, se ela vai morrer, eu também não sei, mas que a arma nesse momento está apontada em direção a cabeça dela, está. E essa é uma decisão muito difícil, mas ela estava decidida.

"Estou com 28 anos de idade, casei uma vez, mas melhor seria se eu nunca tivesse casado, fui traída por uma melhor amiga, e mesmo assim, hoje, sinto-me apaixonada pelo Carlos, e ele não parece ser uma boa pessoa, afinal é advogado, isso me deixa uma suspeita, ele por detrás de sua gravata pode esconder muitas coisas, mas eu gosto dele, confesso, não que eu tenha alguma coisa contra a essa profissão, ao contrário, eles poderiam mudar o mundo com o seu conhecimento das leis".

Não sei se o amigo/a leitor/a vai concordar comigo, mesmo eu não querendo que esse texto te leve a concordar com quem o escreveu, afinal um texto precisa ganhar vida própria e caminhar sozinho por aí sem precisar do seu autor. Agora, falando da vida, digo que, realmente é difícil, esse momento em que a Mônica se encontra, e quem sou eu para dizer que ela está certa ou errada com essa arma em sua direção? Eu amo a vida e não terei essa coragem, mas será que ela vai puxar o gatilho? Moça bonita, tem uns cabelos longos, soltos por cima dos ombros, um olhar forte e carinhoso, faz amizade com quase todo mundo, é acolhedora... O que está levando-a a essa situação?

Mônica permanece lá, e já passou dos cinco minutos, os olhos dela deixa cair uma lágrima. Abaixa a arma, pega uma caneta e um papel:

"Não chorem por mim, é uma decisão minha, não que eu não ame a vida, eu amo, só que ela perdeu o sentido para mim, não pegue isso como exemplo, isso é apenas uma decisão minha. Eu sempre quis mudar o mundo, transformá-lo, e só agora percebo que posso acabá-lo, descobri que o mundo só existe por eu existir, então vou eliminar todas as dores que me corrói, que me destrói..."

A arma voltou para o mesmo lugar que estava antes, o cano em direção a sua cabeça. Antes de puxar o gatilho, novamente, veio-lhe uma lembrança muito forte do jovem rapaz advogado. Ela sempre o amou, sempre foi apaixonada por ele desde o momento que o conheceu. Pra ela, ele sempre foi um anjo, um grande amigo, e aquilo lhe despertava um desejo além da amizade; ela sentiu vontade de beijá-lo... E o suicídio?

Estava entre a vida e a morte. No momento a vida era o desejo de um beijo, a vontade de sentir a pele daquele rapaz que lhe fazia tão bem, mesmo ela, tendo suas desconfianças.

"Morrer. Por que o desejo da morte? Por que essa náusea na vida de Mônica? A vida mesmo sofrida é tão linda... Sofrer faz parte, Mônica, e lembre-se: o amor nasce da dor. Não morra, Mônica"! - Uma voz vinha suavemente aos seus ouvidos.

Talvez em um outro texto eu conto um conto falando da vida de Mônica. Tão linda, tão bela, apaixonada...

Por um segundo, ela diante da vida e diante da morte, teve um cochilo, um sonho rápido, sentiu os lábios daquele rapaz, sentiu a pele dele em seu corpo e, naquele sonho, nunca mais acordou.

A vida é um sonho, a morte a eternidade. Por onde anda Mônica? Eu não sei, e nem sei se ela morreu, ou se está viva, a conheci tão pouco... Foram trinta minutos escrevendo esse texto. Mônica!

adenildo lima

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