sexta-feira, 22 de maio de 2009

Relógio

Joana levantou muito cedo naquela segunda-feira. Abriu a janela do tempo, da casa, do quarto e ficou procurando ver alguma coisa que lhe chamasse a atenção. Viu apenas uma senhora caminhando com sua bengala. Ela parecia ter uns 95 anos de idade. E Joana tinha 16 anos apenas.

Joana não conseguiu ver nada, viu aquela senhora como uma cena vista em qualquer esquina da rua, da vida, dos becos, das janelas, dos olhares perdidos. Mas o que Joana não viu mesmo era que tinha um poeta. Ele passou como sempre passou todos os dias, mas ao ficar diante daquelas duas pessoas, algo lhe chamou a atenção.

Uma senhora com mais de 90 anos de idade e uma adolescente com apenas 16 anos. Isso lhe fez despertar uma interrogação além do seu simples olhar. Primeiro, ele viu poesia ali, viu um poema pronto, faltava apenas passá-lo para o papel. Ele tentou, mas não conseguiu. Ficou um pouco frustrado, mas de nada adiantou, as palavras não vieram.

Uma senhora e uma adolescente. Uma voltando a ser criança e a outra querendo alcançar a maturidade. E, diante desses questionamentos, ele ficou se perguntando ainda mais: e se as duas morressem hoje, a idade faria alguma diferença?

A idade, o tempo, nossas histórias... o que tudo isso nos dizem?

adenildo lima


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