domingo, 8 de fevereiro de 2009

Sementes e flores

5h da manhã, estava aquele jovem rapaz sentado na calçada. Olhava para um lado, olhava para o outro. Parece que nada ele via. Mostrava ansiedade, seus olhos mostravam uma determinada pertubação. Fui até ele, perguntei seu nome. disse: Vinícius. Prazer: Pedro. Conversamos um pouco, perguntei o que fazia ali, ele disse que na verdade nem se encontrava ali, estava bem longe, muito longe do que eu pudesse imaginar.

No começo do nosso diálogo, fiquei meio confuso, sem entender. Ele estava sentado em plena calçada, numa manhã de 2ª feira, na frente de um prédio abandonado. Mas continuei conversando com ele, e suas palavras eram tão fortes: "O homem é igual uma calçada, um prédio abandonado, uma criança sem mãe; o homem é um olhar perdido no meio da imensidão".

Confesso que suas palavras mexeram comigo. Perguntei o que ele fazia da vida. Disse apenas que colhia orvalho, que abraçava o vento, e gostava do frio da madrugada. "Na solidão e na tristeza o ser humano tem mais essência". Como assim? eu perguntei. Ele respondeu que, quem não sabe interpretar palavras tão simples iguais a essas, ainda não nasceu.

Difícil dialogar com aquele rapaz. Muito inteligente. Antes, imaginei em levar um carinho pra ele, um apoio humano, mas no final descobri que aprendi bem mais com ele, do que mesmo ele comigo. Aquela figura, antes, mostrava ser um poeta morto, mas de um poeta até de uma folha seca brota semente.

adenildo lima

2 comentários:

Writer disse...

Excelente texto,parabéns!

Cris Animal disse...

Sabe, adoro conversar com essas pessoas que chamam de "malucas", "perigosas"....a uma sabedoria de vida muito grande dentro deles.
legal seu texto!
beijo
...........Cris Animal