quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Nauseando 2

Têm momentos da nossa vida que nos deixam pensando. Momentos, muitas vezes, que nunca mais serão vividos; assim: se foi.... Vou confessar o que aconteceu comigo hoje, poderia ser algo simples, mas naquela hora não foi.

Eu estava dentro do ônibus, enquanto ele parou num ponto qualquer, uma jovem garota veio correndo, com um caderno na mão, com os cabelos soltos, um sorriso infinito. Eu declaro abertamente que não queria ficar paralisado, mas fiquei, fiquei estatuado olhando pra ela. Podia ser uma menina qualquer, mas me chamou atenção. Pior, o que eu vou descrever não é nada poético, é filosofia mesmo, e filosofia, como diz meu irmão, é loucura!

Ela entrou no ônibus com aquele jeito de apressada; pior, ficou ao meu lado. Ela percebeu que eu a observava. Ela é linda demais!!! pode até não ter nada de conteúdo humano, mas a matéria... Ao lado dela, fiquei pensando: daqui a pouco ela me xinga, mas não aconteceu isso, ela começou a arrumar os cabelos, a ficar meio que, nossa! estou sendo observada.

Mas eu não esperava isso dela. Ela sentou (eu estava em pé), abriu o caderno, tentei olhar o que tinha no caderno dela; perdão, leitor, eu queria saber um pouquinho só quem era ela. Não consegui ver nada. Num determinado momento, ela olhou para trás, e era pra mim, quando ela percebeu que eu estava observando-a, ficou sem graça.

Mas em meu pensamento veio uma loucura (e é isso que não chamo de poesia). Pensei: se ela em dez anos tiver filhos, essa barriga estará inteiramente diferente, os seios também, essa beleza física, talvez nem exista mais. Isso me incomodou, até mesmo porque não vivo futuro, mas não posso impedir meus pensamentos.

Ela saltou no terminal, eu também. Ela me olhou fixamente dentro dos olhos, observou o meu diário, o meu livro, e saiu caminhando. Confesso, ela gostou de mim! linda, linda, linda! acho que nunca mais a verei, e se eu vê-la, talvez não tenha a mesma importância que hoje. Mas aquele olhar eu vou guardar.

E esse amor platônico, eu a terei sempre que lembrar. Mas amanhã, já nem lembro mais, eu gosto mesmo é de sentir a pele salgada e doce e suave da mulher. A mulher que passa, passa...

Adenildo Lima

Nenhum comentário: