sábado, 24 de janeiro de 2009

Paula

Eu queria começar esta história pelo meio, pelo fim, mas vou começá-la pelos simples detalhes. O nome da personagem principal deste texto será Paula, estou escolhendo este nome, pois sei que existem milhões de Paulas, assim, as mais próximas não ficarão bravas, ou alegres, comigo.

Paula aos 16 anos de idade, saiu mundo afora, ao fazer 18 anos, se encontrava numa grande empresa de publicidade. Tinha um rosto lindo, um corpo exuberante , aos olhos, ditos, do mundo pós-moderno. Por um acaso, em uma tarde qualquer, eu a encontrei num ponto de táxi.

Toda xique, ela perguntou as horas. Falei. Fiquei todo impolgado. Ela, solitária, ali, sozinha, puxou conversa comigo (eu era vendedor ambulante, vendia rosas). Perguntou quanto custuva cada rosa. Respondi: um real. Ela abriu a carteira e pediu uma.

Olhei dentro dos olhos dela e disse: um real é muito pouco. Ela quis me ofender, com palavras ofensivas. Perguntei o nome dela. Ela apenas disse que não me interessava. Tudo bem, eu falei. Me levantei, ela pegou em meu braço e disse: não se vá agora.

Fiquei. Olhei pra ela e perguntei mais uma vez: qual o seu nome? me fala, por favor, você não é apenas um rosto bonito, você tem uma história, menina, e o seu nome é a sua história. Qual o seu nome? não precisa ficar com medo de falar, eu não sou bandido, vendo rosas, e essas rosas não são as rosas de Hiroshima, são rosas. Um real é muito pouco para você ter uma rosa, toma! é sua, eu te dou, você merece bem mais.

Percebi que ela não entendeu, mas ficou comovida pelas palavras, e pela rosa. Continuei falando: eu não sei quem é você, você não quis se apresentar para mim; tudo bem, sou um simples rapaz. Você parece ser uma moça da mídia, daquelas que vende seu corpo, por um rosto bonito na revista. Não estou te chamando de prostituta, reflita! estou falando, daquelas moças que vendem o corpo para ser objeto de propagandas.

Ela pediu que eu calasse a boca. Me levantei mais uma vez, e fui andando. Meu nome é Paula!!! e o meu é Vinícius, falei. olhei para trás, ela estava chorando, não sei o motivo, mas naquele momento as minhas palavras mexeram com ela.

Pobre rica menina Paula, ali, olhando para um vendedor de rosas, e se sentindo um objeto humano, com menos valor do que aquelas rosas.

Paula, onde aonde e pra onde vai, ou estás?

adenildo lima

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