sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

História parte 1

Numa casa com um quarto, uma sala e uma pequena cozinha morava seu João. Sozinho. Sim, ele morava sozinho. Trabalhava como jardineiro de uma escola pública; cuidava das flores. (amigo leitor, a história de seu João é linda que me sinto emocionado ao descrevê-la, mas preciso contá-la, só que resumidademnte).

Cuidava das flores, quando chegava em casa não tinha muita coisa para fazer, sentia um vazio, uma solidão, nunca teve filhos, a esposa faleceu e ele não se casou mais. Até que um dia conheceu Juliana. Juliana era uma adolescente de apenas 15 anos de idade, morava com a avó, senhora tradicional. Juliana sofria muito nas mãos de dona Benedita.

De um lado seu João, do outro lado Juliana, jovem, simpática, mas vivendo, praticamente, da mesma vida que o jardineiro. Que eles eram solitários? Não, acredito que não, viviam apenas sozinhos. E o que é ser sozinho, né, amigo leitor?

adenildo lima

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Nauseando 7

Um poema. Pra que serve um poema? - Perguntou Elisa. Pra nada, ou pra tudo, vai depender do leitor. - Respondeu José. Um poema foi o que Elisa recebeu no dia do seu aniversário do rapaz que ela estava namorando. Esperava receber um presente de grande valor representativo, no sentido dinheiro. Mas não foi isso que Carlos deu pra ela.

Carlos amou Elisa por uma década e alguns anos mais. Muitas noites deitava e não conseguia dormir, ficava pensando em estar ao lado dela, vivendo com ela, amando-a e sendo amado. Por ela ele mudou o jeito de viver, a maneira de vestir-se, o comportamento; mudou inteiramente pra conquistá-la. E deixou até de arrumar namorada.

Elisa era do tipo menina-boneca, às vezes meiga, noutras vezes burguesinha. Carlos era o rapaz que de bem material tinha apenas um um par de chinelos, uma bermuda e uma camiseta e, no olhar, um pouco de poesia. Ele quando a via com outro, entrava em desespero, até chorava. Era um rapaz de uma sensibilidade incrível, respeitador, trabalhador; tinha tudo o que uma grande mulher procura num homem.

Com mais de 10 anos de batalha, ele conseguiu conquistá-la. Digo, namorá-la, conquistá-la não sei. O amigo leitor a partir de agora fica sabendo o que Elisa foi capaz de fazer com ele. E eu também ficarei sabendo, já que estou escrevendo sem saber como este texto vai terminar.

Elisa tinha olhos verdes, cabelos loiros, pele amarelada e media 1,60m de altura. Tinha um corpo em forma violonado e um sorriso contagiante. Ao começar namorar com Carlos, os primeiros dias até que foram bem legais, mas Ele era do tipo de homem que confiava tanto nela, e estava tão feliz por ter "conquistado-a" que não media palavra para falar dos seus sentimentos.

Elisa pela primeira vez percebeu que podia fazer o que bem quisesse com ele, já que ele estava cego, louco e incapaz de reagir àquela paixão. E foi o que ela fez.

Depois de 3 meses de namoro, desprezava-o, tratava-o como se ele fosse um incapaz. E foi justamente no dia do aniversário dela que tudo aconteceu. Ela rasgou o poema, jogando-o nos pés dele. "pra que eu quero um poema, deixa de ser brega, idiota!"

Ele ouviu aquilo e ficou sem querer acreditar, pois além do poema ele tinha comprado outro presente, o presente que ela tanto queria. Mas ela não sabia, era surpresa, pois o poema representava a sensibilidade de um homem apaixonado, mas quem disse que era isso que ela queria?

Carlos sentiu vontade de chorar, mas naquele momento ele descobriu o segredo da vida - pelo menos pra ele, pra vida dele - olhou pra ela fixamente, falou do presente que tinha comprado, cuspiu na face dela e finalizou com esta frase:

"Melhor seria se eu tivesse me apaixanado por um verme, já que você, neste momento, tem menos importância do que as bactérias que vão comer teu corpo."

Falou isso, virou-se e foi embora. E aprendeu a respeitar o tempo, sem perdê-lo nas ilusões improvisadas.

adenildo lima


domingo, 29 de novembro de 2009

Um eterno amor

Natali entregou-se completamente, acreditou no amor como nunca dantes. E como ela amava! Mas o amor é algo que precisa ser vivido, e não apenas esperado. E ela viveu! Conhecia Vinícius há um ano, mas nunca tinham transados. Transa para ela era muito pouco, sonhava em fazer amor, em viver um grande amor. E viveu!

Combinaram para passar o final de semana numa chácara, junto à natureza, recebendo o ar fresco e ouvindo o som do cantar dos pássaros. Natali tinha de Vinícius, todo respeito e amor possível que uma mulher espera de um homem, e isso lhe fazia bem.

Tomaram banho na piscina, acompanhados com o carinho da lua. Saíram e foram para o quarto. Uma música acompanhava e contemplava aquela hora tão esperada pelos dois. Vinícius tira a roupa de Natali com a ponta dos dedos e, acariciando a pele do corpo dela com a sensibilidade da ponta da língua. Natali vai ao extremo. Nunca tinha vivido um momento daquele antes.

Natali excita-se ao sentir o cheiro de Vinícius entrando pelas narinas. Sente o sexo sendo acariciado pelo carinho apaixonante dele. Sente os corpos juntandão-se e se transformando-os em apenas um. Ela o beija, geme e sente o amor como nunca dantes.

Os pássaros cantam, a natureza contempla aquele momento: os dois amam-se! Natali atinge o orgasmo, por um segundo ela desmaia. Vinícius abraça o seu corpo, beija os seios, e dormem!

Natali levanta da cama enquanto Vinícius dorme. Por um segundo sentiu medo de nunca mais viver aquele momento. Natali decidiu morrer amando, tendo a certeza que foi amada. E deixou uma carta explicando sua decisão.

Vinícius chorou, ficou triste, mas ele sabia que precisava respeitar a decisão dela. E por amá-la tanto. A respeitou.

adenildo lima

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Nauseando 6

Na calçada, numa rua sem nome, sem começo e sem fim, estava sentado um senhor com umas barbas brancas, bem grandes! Tênis rasgados, roupa suja; um diário, um livro de poesia, um de filosofia e outro de litaratura. Ele estava lendo DOSTOIÉVSK.

Caminhando, como se estivesse correndo, vinha Natália. Jovem, com uma bolsa nas costas, um vestido solto ao léu; ao ver o senhor, desviou a caminhada.

- Bom dia, filha. Não precisa ter medo de mim, pra onde você vai com tanto charme, eu também eu vou pro mesmo lugar, com a minha simplicidade.

Ela assustou-se. Parou, e ficou lá onde estava. Olhou-o, como quem não quer nada, e perguntou?

- Para que serve a leitura para o senhor? Tantos livros!
- Jovem, eu que te pergunto: para que serve o saber para uma menina de sua idade?

A reação dela era de espanto, não esperava parar e ficar conversando com mendigo. Teve curiosidade de saber o que o levou para as ruas. Sentiu vontade de perguntar, não teve coragem. Olhou para o celular, estava um pouco atrasada, a empresa do pai dela, esperava-a.

- Anda com pressa, jovem? Não adianta correr tanto. Você sabia que pode chegar primeiro do que eu para o lugar que estou me aproximando?
- Desculpa, senhor, não entendi. O que o senhor quer dizer com isso?
- Não quero dizer nada, se as palavras não disseram, quem sou eu para querer explicá-las. Mas te olhando bem, posso ser sincero? Você tem um belo corpo.
- Vai pra merda!!!
- Calma, garota, só estou pensando ele indo de encontro a terra, voltando, transformando-se em cinzas ou lama. Mas não se preocupe, se você está fazendo alguma coisa de útil, pode ser lembrada, depois que partir.

Ela já estava ali, há uns dez minutos, aproximadamente. Olhou, de relance, a capa do livro de poemas.

- O senhor gosta de Fernando pessoa?
- Não tenho nada contra a ele. Mas se eu tivesse o conhecido, talvez não gostasse tanto dos seus escritos.
- Como assim, senhor?
- Como assim, filha, você pergunta? A arte é uma coisa, já o artista, outra. Leio porque preciso respirar, e escrevo porque não tenho espaço para falar. Os meus escritos são vômitos, tudo o que tentam forçar para eu engolir, que eu não aceito, vomito.
- Nossa! Nunca tinha ouvido isso antes.
- Você vive num mundo da fantasia. A univerisadede, te ensina o quê? A tua vida de filha de empresário, te ensina o quê? Me fala!!!

Ele alterou-se um pouco. Ela ficou o observando. Era estudante de filosofia, mas nunca tinha ouvido um discurso tão filosófico, tão real. E ele falava da vida, como um verdadeiro vivente, a vida vivida nas entrelinhas do dia-a-dia, a vida sentida, ao contrário da vida dos livros, que ela tinha.

Natália perguntou o nome dele. Ele disse que não tinha nome. Perguntou o que ele gostaria de ganhar no natal. Ele disse que não acreditava em papai noel. Natália queria fazer alguma coisa. O quê? Não se sabia. Ele pediu pra ela ir embora. Ela foi.

Quase todos os dias ela passava ali, e olhava, com um olhar procurando alguém. Aquele senhor não se encontrava mais naquele lugar. Ela queria fazer alguma coisa de útil para se sentir importante. (Tinha tudo o que queria e depois que ouviu as palavras daquele senhor, descobriu que não tinha feito nada de importante em sua vida).

E, num determinado tempo, numa manhã sombria, no lugar daquele senhor, estava um jovem, barbas cortadas, cabelo penteado e todo sorridente.

- Natália! - ele gritou.
- Quem é você? - ela perguntou.
- Não lembra de mim, Natália? Mas você lembra quando tentou me humilhar, lá na empresa do seu pai, lembra, né?

Ela assustou-se. Tentou ir embora. Ele pediu que ela ficasse mais um pouco.

- Natália, lembra do senhor que estava aqui, naquele dia? Foi você que o pôs aqui. Mas ele cortou o cabelo, arrumou a barba e vestiu uma roupa nova. Viu como ele mudou? Hoje ele é até encontrado nas livrarias.

- Natália, agora sou eu que te pergunto: quem é você?

adenildo lima


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Feira do livro na USP



Queridos e queridas acontece na USP a 11ª Festa do Livro da USP/2009 - Dias:
25-26-27 de novembro, das 9h às 21h.

LIVROS A PARTIR DE 50% DE DESCONTO !!! metade do preço !!!!!! VAMOS!!!!!!!!

Saguão do Prédio de Geografia e História da USP - FFLCH
Av.
Prof. Lineu Prestes, 338 - USP

Cidade Universitária - São Paulo - SP

Abraços, e vamos lá!

adenildo lima

A pós-modernidade

Estamos vivendo num mundo confuso, num mundo de perguntas sem respostas, de respostas sem perguntas; estamos vivendo no mundo das faces inventadas, o mundo pós-moderno.

O dia ou a hora em que surgiu o mundo pós-moderno, não sei, e acredito que não sabemos. Muitos estudos citam o ano de 1930, lá no mundo hispânico. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman acredita que a pós-modernidade surge com Freud no livro O mal-estar na civilização.

Na verdade não sabemos, eu sei que o termo pós-modernidade ganha ênfase no mundo a partir dos anos 50. Eu, particularmente falando, vou pegar o Brasil como base para este texto. Digo que o pós-moderno chegou no Brasil depois da Ditadura, isso por volta de 1984/5. E por quê?

No modernismo reinava o pensamento de esperança, o de chegar em algum lugar, de quebrar as regras construídas pelos modelos paradigmáticos, como por exemplo, os sonetos parnasianos, os modelos europeus etc. A pós-modernidade, no ponto de vista meu e, acredito que ponto de vista de muitas pessoas também, não há mais esperança, não existe um ponto de partida e muito menos um ponto de chegada no olhar dessa humanidade que corre desesperada sem saber pra onde. Por isso digo que o pós-moderno chegou no Brasil depois da ditadura, pois naquela época ainda existia um sonho, uma luta, um desejo de chegar em algum lugar.

A internete é a maior revolução na pós-modernidade, ela liga o mundo em um só segundo, mas ao mesmo tempo deixa as pessoas tão solitárias, e tão desligadas. E o pós-moderno é isso, é a busca da liberdade, é a busca de estar livre. Mas livre como? Os adolescentes têm milhões de amigos, mas ao mesmo tempo estão ausentes da própria família e, quando procuram um abraço, a tela virtual não é o suficiente para fazer isso. E as amizades, naquele momento, parecem inexistentes.

O mundo atual é o espaço dos rostos maquiados, inventados, recriados. Este é o momento de desconforto, de nunca estar bem, sempre querendo se renovar, sempre querendo imitar o primeiro popstar que aparece na mídia.

Resumindo, já que estou com sono e preciso dormir: o ser humano pós-moderno desconhece do próprio ser, é um estrangeiro sem coragem de encarar o espelho.

adenildo lima


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Falta a pontuação em pleno século 21

quando os dias passam as horas passam juntas mas os dias são apenas dias e as horas são apenas horas e o amor é algo que as pessoas pensam que existe mas o dia já passou as horas também e já não há mais tempo para amar resta apenas um segundo e um segundo é muito pouco tempo para perder e para amar e para viver e para querer e o amor é sempre ausente e quando fica bem próximo não acreditamos e sem querer ficamos naquela dúvida que duvida do sol que nasce da tarde que entardece do riso que chora da lágrima que ri e o tempo corre e as horas passam e as palavras já não dizem nada e dizem tantas coisas e os dicionários perdem o valor e a gramática não serve mais para consulta e os poemas perdem os versos e os poetas já não significam mais nada e nadando os faróis se fecham se abrem com a tristeza dos peixes querendo viver em terra seca na rua sem saída onde as crianças parecem felizes com uma bola no pé e os professores choram desesperados porque as crianças nas escolas choram e em casa não tem comida e viver é uma briga mas no chão de concreto nasce flor e os espinhos não resistem as tempestades e murcham e secam e caem ah mas as pessoas que amamos sempre estão tão distantes e parecem ausentes

Adenildo Lima

filosofia de bêbado

maria já não ama mais
deixou o amor escapar
pelas fechaduras das portas
abertas
e abertas as portas
as janelas ficaram observando
o que passava
maria hoje ama mais
mas precisa aprender
que amor não se aprende
se vive

adenildo lima

observando os pomares

quando um poeta cala
tenha cuidado
é momento de
observação

adenildo lima

deixa

Diexa deixa a deixa
deixa Diexa
a deixa
deixa

adenildo lima

silêncio, o poeta fala

quando surge um silêncio nos palácios dos reis os túmulos se agitam e uma voz parece não querer calar

adenildo lima

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

e mortal

que a vida passa por um piscar de olhos isso é verdade e diante dessa situação nós humanos não aceitamos ter momentos tão breves e assim construímos nossos deuses nossos alicerces dando sentido a uma continuidade incerta e a certeza passa a ser algo conforme a crença de cada um e os dias voam e as horas correm e os minutos já não são mais minutos e os segundos perderam o seu valor diante dessa multidão de faces do cidadão pós-moderno que procura a cada instante se encontrar se renovar se maquiar trocando pelo primeiro rosto encontrado nas esquinas e eu pergunto o sentido de deixar de viver em vida para esperar uma vida que ainda não conhecemos pois não tenho religião mas também não sou ateu acredito no amor no amor das pessoas que com um olhar carinhoso olha os detalhes simples e além do amor o que resta a não ser viver cada segundo sim cada segundo e um segundo é muito importante é o tempo suficiente para declararmos o nosso amor por alguém através de um olhar mas que a vida corre com muita pressa corre sim e quando olhamos o tempo já não é mais dia no lugar do sol uma lua tímida aparece com seu frio para acarinhar os nossos abraços os nossos sonhos das noites ninar ninando o grito dos adultos e os uivos dos lobos em orquestra harmônica de um mundo melhor

adenildo lima

domingo, 15 de novembro de 2009

Um livro solitário na estante

Não reclame de minha ausência, Lúcia, me ausento porque te amo, fujo porque sei que não posso estar contigo, e não choro porque não tenho você para secar minhas lágrimas. Lúcia, não reclame do meu desaparecimento, entre mim e você, eu sou mais eu, eu preciso me preservar, você me fez sofrer demais; não, não diria você, você não tem culpa. Que culpa você tem de eu me apaixonar? Você não sabe o quanto é duro quando, pelas janelas dos meus olhos você passa com seu namorado, rindo, toda feliz. Mas, por favor, entenda: não é a sua felicidade que me deixa triste, talvez seja a culpa de mim mesmo de nunca ter declarado esse amor que tenho por você. É, Lúcia, mas esse amor é grande demais e eu tive medo que ele te assustasse, tive medo que você não acreditasse e, como sempre te falei: "O medo é a derrota de quem nunca teve a coragem de conhecer a vitória". Não reclame de minha ausência, Lúcia, você não sabe o quanto estou feliz pelo o que você está vivendo, tudo bem que eu gostaria que fosse comigo, mas entre mim e você eu sou mais eu, pois se eu me entregar a este amor que te tenho, posso até morrer só e, sendo mais eu, podemos ser nós mesmos.

Lúcia, não reclame de minha ausência, pois nesse momento não é egoísmo meu ser mais eu, por favor, entenda.

adenildo lima

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

carinho ninar

Era sexta-feira, Viviane saiu rua afora, nas noites paulistanas. Desceu na estação brigadeiro, e ficou passeando pela paulista. Cabelos soltos, vestido ao léu, sentou num lugar qualquer, ficou observando as pessoas passando, indo e vindo vindo e indo. Observa também os bares, todos lotados, noite quente. E as pessoasali tirando um pouco do estresse do trabalho. Sentou-se, sozinha, numa mesa posta na calçada. Sentada e saboreando uma cerveja, ficou olhando o movimento dos transeuntes. Lá dentro, um rapaz cantava e tocava Zé Ramalho. E como o relógio não espera ninguém, já era meia-noite. Tirou de sua bolsa um diário e fez um rascunho qualquer.

o mundo corre na velocidade
do lugar onde você mora
as pessoas são o que é a cultura
daquele lugar
o ser humano é uma metamorfose
ao mesmo que é racional
é máquina
ao mesmo tempo que é máquina
é selvagem
nós somos o que sonhamos ser
e não somos o que somos
somos, na verdade, uma metáfora

Ela escreveu estes versos, embrulhou e pôs na bolsa. Não sabia se era um poema, apenas escreveu para expressar o que estava sentindo. Depois pagou a conta e foi passear abraçada à noite.

adenildo lima

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

um sentimento de amor

Hoje, olhando sua foto , tive saudades de você. Não uma saudade do tempo que passamos juntos, mas uma saudade do tempopo em que estamos distantes, com uma ausência meio sem explicação. Olhei o sorriso refletido na imagem da fotografia, e te vi, rindo para mim. No meu olhar, caiu uma lágrima, confesso que não queria chorar, mas aquela gota de lágrima caindo dos meus olhos demonstrava amor, um amor tão sincero que sempre tive por você e, confesso que mesmo apaixonado, nunca deixei transparecer em meu olhar. Na caixa de e-mails, você não mais aparece, o telefone da minha casa ficou mudo, e minhas mãos pesam quando penso em te ligar, não sei, talvez você esteja ocupada, e eu não quero te atrapalhar.

Saudades é não mais ouvir sua voz, e suas palavras rindo para mim em cada e-mail.

adenildo lima

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Pra onde?

Os dias passam pelas esquinas das ruas. Verônica sabe disso, mas nunca parou para pensar. Pega o ônibus todos os dias, e vai trabalhar. Em cada olhar perdido nas ruas da cidade, a vida passa, passa lentamente numa correria que nós não percebemos, não temos tempo para pensar, observar os nossos olhares perdidos. E perdidos continuamos correndo sem saber pra onde.

adenildo lima

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Alerta

Natasha

Natasha. Se ela existe eu não sei, mas ela não me parece estranha. Um dia desses ela foi confundida com uma atriz da novela das oito; noutro dia, com uma cantora americana. Ela gosta muito de fazer transformações: pinta o cabelo igual ao da menina do comercial, veste uma roupa igual à roupa da cantora que aparece na televisão, calça um par de tênis da última geração, troca de celular, normalmente, todo mês, fica horas e horas na internete, mas esquece de fazer a atividade escolar, tem milhões de amigos e, assim mesmo, se sente tão sozinha.

Será que Natasha existe, ou é pura imaginação minha para escrever este texto?

adenildo lima

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Na ala e na ola

Um sapato sem cadarços
Dois sapatos sem cadarços
Um pé descalço
Dois pés descalços
Um vento frio
Uma madrugada
Uma calçada
Uma barriga sente fome
Um saco de cola
Uma coco cola
Uma criança sem escola
Uma rua cheia de crianças com bola
Uma lágrima no olhar da mãe
Um sorriso solitário da criança pedindo pão
Um aperto de mão do político
Uma maldade no coração dos políticos
Um pai
Uma mãe
Um menino
Uma menina
Um pé descalço
Dois pés descalços
Coca cola
Bola
Cola
Isso substitui
Escola?

adenildo lima

Amizade

Na nossa vida aparecem pessoas que começa a fazer da nossa existência. Algumas vão embora muito rápido, aparecem apenas como personagem no dia a dia. Já outras pessoas são seres que vêm para ficar, para fazer parte mesmo dos nossos dias vividos, das nossas dores, dos nossos amores. Eu prezo muito a amizade.

Faço amizade com todo mundo, alguns são apenas, mas outros são amigos. Que amigos que não vejo há dez anos, mas com este mundo globalizado onde a internete tem o poder de, às vezes, separar que vivem próximos e o poder de, às vezes, juntar quem vive longe. Várias vezes encontro amigos nesse mundo virtual. E como a nossa amizade continua a mesma, como é incrível; amizade é algo eterno.

Por isso, vamos preservar sempre os amigos que temos!!!

adenildo lima

DVD

Ela me pediu um beijo. Dei um abraço. Ela reclamou. Eu disse que estava cansado. Deitei, virei e dormi.

adenildo lima

sorriso cabido

um sorriso cabido num olhar
disfarçado
da menina que tinha
acordado
coube apenas abraçar o sol
sozinha
pessoas subiam e desciam
a calçda
da rua que ficava parada
ela abraçou a boneca
e, tristemente riu,
viu
que a vida dela não era uma
aquarela
olhou pro sol e
desejou
a primavera

adenildo lima

terça-feira, 3 de novembro de 2009

uma gota de saudade caiu de uma folha no meu jardim

uma saudade aperta o peito e eu sigo sem jeito estrada afora sem data e sem hora. a imensidão do tempo me faz lembrar você, o mar, as ondas calmas da praia, o vento suave, o sorriso da mulher desconhecida na poltrona da frente, no ônibus, a balsa cortando a água para me levar para ilha. uma saudade aperta o peito e eu sigo sem jeito. uma poesia construída na infinitude da natureza que beleza, me apaixono por tudo aquilo, um gole de cerveja para refrescar a mente, o corpo cai na água e abraça suavemente a imensidão do mar, uma criança brinca, outra corre na areia, sorrisos ganham o silêncio mar adentro; amigos se divertem, conversam sobre a vida, sobre o bom de viver, outros apenas vivem. uma saudade aperta o peito e eu sigo sem jeito estrada afora sem data e sem hora. lembro da infância; e muitos me respeitam pela infância que tive, um respeito carinhoso para alguém que tanto ama a vida e tanto lutou e luta sempre buscando respeito, lembro também das brincadeiras de adulto, e quem disse que sou adulto? aquela criança vive em mim sem fim, enfim, ser criança é tão bom. uma saudade aperta o peito e eu sigo sem jeito estrada afora sem data e sem hora. lembro da mulher amada e tenho saudades da mulher odiada, pois sei que ela tem tanto amor pra dá, lembro dos beijos saborosos, sim, saborosos com sabor de amor, que hoje, vem com saudade; ah, lembro também do carinho carinhoso do meu pai.

uma saudade aperta o peito e eu sigo sem jeito estrada afora sem data e sem hora.

adenildo lima

É novembro

Olá, queridos leitores e leitoras, depois de uma bela viagem nesse feriado volto ao trabalho. É bom viajar um pouco, descansar, desci na sexta e cheguei hoje pela madrugada, estava em Ilha Bela, lá é muito lindo, quando alguns amigos me convidam eu aproveito e vou...rs...

Agradeço a todos pelo mês de outubro, a todos que visitam este espaço. Agora vamos viver um belo mês de novembro.

adenildo lima

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Travesseiro de concreto

Era um dia de sábado, aproximadamente umas 19h, Lígia estava sentada no banco da praça central da cidade. Um olhar distante, um sorriso perdido no rosto infante, observava as pessoas indo e vindo, alguns sentavam nos bancos, outros brincavam como crianças num parque de diversão, eram casais de namorados. E apaixonados são como crianças no vão do tempo, todos felizes. Mas Lígia não estava namorando, muito menos passeando. Ali era a sua casa, era onde ela deitava, dormia, acordava e a vida nada mudava, e até parecia que não passava. Jovem, tinha aproximadamente uns 22 anos. Veio para cidade grande à procura da vida, não encontrando foi morar numa cidade do interior, e o único lugar que encontrou como hospedaria foi a praça, com aquela cama dura, com aquele travesseiro de concreto. Estava sozinha, não tinha ninguém por ela, lembrava constantemente de sua família, lembrava da roça, do canavial, do plantio de mandioca; da vida que levava lá no interior do país. Sabia, como ninguém, plantar, colher e comer. "Na cidade grande é diferente, se não tivermos cuidados, nós que somos comidos". - Ela se lamentava, ali, no banco da praça. Seus cabelos pretos e longos, sua cor queimada pelo sol, seus olhos verdes... estavam ao léu no banco da praça. Procurou emprego em todos os lugares possíveis. Ouvia sempre a mesma coisa: tem experiência? Não, né? Então não serve. E a história dela é dolorida, ela não veio por espontânea vontade, ela conta que foi seduzida por um comercial que ela assistiu na casa da tia dela na cidade, o comercial mostrava São Paulo como o centro do mundo, como o melhor lugar do mundo. E pode até ser, mas não pra ela. Lígia viveu mais ou menos um ano na praça. De repente sumiu. Nunca mais viram aquele olhar, aqueles cabelos pretos e longos depois daquela. Nunca mais!

adenildo lima

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Minhas colunas na revista

Olá, leitoras e leitores deste espaço, vou deixar um link de uma revista onde sou colunista, tenho lá, todos os meses um artigo cultural, se puderem, passem por lá....rs... é só copiar e colar o link que vai direto para página. Essa revista tem uma tiragem mensal (impressa) de 15.000 exemplares. Isso me deixa feliz, pois lá eu falo de um assunto que amo muito: arte.

http://www.companysul.com.br/edicoes/edicao-28/cultural.html

http://www.companysul.com.br/edicoes/edicao-29/cultural.html

http://www.companysul.com.br/

OBS: não tenho nenhum vínculo com a revista, além de colunista

Brigado a todos

adenildo lima

a lua é testemunha

era noite de lua cheia e isabella saiu caminhando estrada afora. estávamos num sítio, vivendo e aproveitando um pouco da riqueza natural que a natureza oferece. ela era ousada e se ousava a tirar o fôlego dos pobres rapazes, ali, presentes. depois, convidou ezequiel pra um passeio a luz do luar. caminhando estrada afora, com um vestido que acompanhava o movimento do vento, deixando os cabelos soltos ao léu. e do nada, convidou ezequiel pra sentar a beira de um pequeno lago. alguns animais vinham, bebiam água, sorriam pra eles e iam passear pelos matos. os dois, ali, continuavam conversando. isabella aos poucos ia encostando as pernas nas pernas de ezequiel. o corpo dele tremia de êxtase. ela merguçha na agua, ainda vestida e o seu vestido fica todo molhado deixando aparecer as marcas sensuais do corpo. ezequiel tenta disfarçar o olhar. ela o convida a sentir o carinho da água. em seguida aceita. e os dois se banham juntos. e o corpo dela ao encostar no dele, o dele no dela, as roupas caem, os corpos ficam nus, e eles se amam loucamente.

e nas loucuras do amor, uma folha cai, e a natureza os contempla.

adenildo lima

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

máquinas

É dia de sol, mas o dia passa pela janela do escritório. A janela está aberta, mas estou preso à vida, esta vida privada que levamos. A hora demora, os segundos sufocam... O tempo, o tempo, o tempo, o tempo... anda relógio miserável, filho de uma mãe que não te pariu... anda, anda, anda... mas o relógio não anda, os ponteiros não saem do lugar, e uma máquina fica na minha frente controlando-me, maldita máquina, tudo bem que não sois tãop ruim quanto a máquina humana, mas aos poucos me destrói... e a vida passa sem pressa com muita pressa para chegar o final de semana, mas o final de semana é muito curto e passa muito rápido e a segunda-feira chega, invade sem pedir licença. E na vida real o filme de charles chaplin se repete, só que em tempos pós-modernos, matando com mais suavidade.

adenildo lima


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Gabriela marca

Gabriela marca, sim, o nome dela é Gabriela marca, mas ela não existe, e existe. O momento que será descrito neste texto é atual, o cenário é em pleno século xxi.

Possivelmente ela tenha 17 anos de idade, não tenho a idade precisa, mas é o que me parece, 17 anos de idade, jovem garota a flor da pele, mas quem está lendo este texto, nesse exato momento, talvez esteja se perguntando: Por que ela existe? Por que ela não existe? E eu respondo que não sei, mas através das palavras, acredito que possamos desvendar esse mistério.

Sim, isso é um mistério. Se estivéssemos falando de filosofia, tudo bem, pois a filosofia deixa claro que tudo existe e tudo não existe (desculpa, claro não, a filosofia complica mais - rs - brincadeira, deixa os estudante de filosofia lerem este texto rs). Mas aqui não estamos falando de filosofia, estamos falando de Gabriela marca, uma jovem garota de 17 anos de idade, possivelmente.

Conversando com a mãe dela, descobri que ela passa por várias confusões de identidade. Têm dias que ela pinta o cabelo, noutros dias, se veste igual a menina da televisão. Adora ir ao shopping, diz ela que, lá se sente bem, fica olhando as vitrines, se olha no espelho, veste uma roupa, compra um tênis... tudo de marca, se não for de marca - a mãe dela diz que -, ela não se sente à vontade, perde a vontade de passear, de ir pra escola, se sente neutra, por isso precisa de uma roupa para marcar sua identidade através das marcas.

A mãe dela ri, brinca, fica preocupada e diz que não aguenta mais. Pobre de dona Cláudia, ganha apenas um salário mínimo, e sua filha nem sabe o que é isso, quer mesmo é produtos de marcas para marcar sua identidade.

É, dona Cláudia, essa é a época pós-moderna em que vivemos. Será que a Gabriela tem alguns objetivos?

adenildo lima

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

pequena crônica

Hoje, quando joãozinho acordou, estava chuvendo e, na imensidão do tempo, uns raios davam bom dia ao dia que seria corrido e estressante. Joãozinho, então, resolveu deitar mais um pouquinho, dormiu mais 30 minutos. Levantou, tomou banho, fez um café e tomou. Saiu em destino ao ponto de ônibus, ao chegar, não conseguiu entrar, veio um , dois, três, quatro ônibus... e nada! Mesmo calmo, ele xingou o poder público, e saiu em destino ao terminal de trem. No caminho, dentro do trem, começa conversar com uma jovem, aparentemente uns 20 anos de idade, simpática e muito conversadeira, sempre com um sorriso aberto. Conversamos, discutimos um pouco sobre a vida e, antes que ela fosse embora, perguntaram-se: o que é a vida, né? e riram.

adenildo lima

terça-feira, 20 de outubro de 2009

do meu diário

amigo leitor, este texto retrata uma data dolorida em minha vida e, neste dia, eu fiz um poema:

o voo da poesia

já é madrugada
a noite surge no silêncio...
com dois fones nos ouvidos
fico ouvindo umas músicas
a poesia vem aos poucos
me abraça, me ama
e deseja ter vida
ela quer ganhar asas, pernas, braços
através das mãos deste simples mortal
e o poeta é sinsível
sente vontade de chorar
vêm lembranças fortes
(neste momento estou na mesa de jantar
na sala está o meu irmão
fazendo trabalho de filosofia
sobre o manifesto comunista.
um dos meus irmãos está
na casa da namorada,
outro está dormindo;
a minha mãe também já deitou)
agora, já são quase duas horas da manhã
mas vou considerar como sábado
dia 10 de outubro de 2009.
a poesia quer ganhar asas, pernas
através das mãos deste pobre mortal.
o poeta é sensível e sente vontade de chrar.
hoje é dia 10 de outubro de 2009
justamente hoje, amigo leitor,
completam 2 anos que o meu pai partiu
ganhou asas e voou...
a madrugada tem um silêncio
muito forte e faz despertar em mim
uma saudade, um amor, uma pergunta
que a poesia procura me ajudar na resposta.
uma música entra pelo meus ouvidos
e eu voo e vou para muito longe
parece que a poesia começa a ganhar asas
o poeta ama e, na solidão do silêncio tão carinhoso,
abraça o tempo, beija o vento
e se vai
hoje é dia 10 de outubro de 2009
daqui a 2 meses se comemora
o meu aniversário - 10/12/09
o tempo pode passar
mas existem tempos que são
sempre presentes
mesmo que que seja no passado
memso que seja no futuro
pois só o presente existe

adenildo lima

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O carteiro

Hoje, senti saudade dos velhos tempos, tão novos e tão reviventes em minha vida. Cheguei na empresa e através da porta aberta do escritório, consegui alcançar o sorriso do sol me dando bom dia, um sol misturado com um ar frio, e com um vento bem carinhoso. Tive saudade das flores colhidas pelo caminho - que nós colhemos -, das flores plantadas pelas estradas - que nós plantamos -, tive saudade. Mas não foi uma saudade de ausência, foi uma saudade boa, sabe, aquela saudade que nos aproxima mais e mais das pessoas amadas...? Aí, abri um sorriso, mas não tinha espelho para poder vê-lo refletido, nessa hora lembrei de você, lembrei das flores e do jardim construído por nós. Tirei, de uma rosa, uma pétala, e pedi ao sol para levá-la até você, não sei se você recebeu, mas saiba que este é o meu simples presente que estou dividindo contigo.

(este texto é um e-mail que escrevi pra uma pessoa muito especial, gostei dele, por isso divido aqui com vocês, neste espaço).

adenildo lima

Saudade

Em algum lugar as flores estão caindo, o chão está ficando repleto de rosas, vejo em minha frente um tapete vermelho. Neste momento surgem em mim sonhos, lembranças, saudades. Mas o que traduz uma saudade?

Saudade é um sentimento de amor, algo que nos remete a momentos bons, que possamos dizer: eternos. E todas às vezes que lembramos, mesmo sentindo uma dor, vem uma coisa boa acompanhando aquela lembrança.

Saudade é um sentimento de amor, que muitas vezes esquecemos, e pensamos que é sofrimento.

Adenildo Lima

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

15 de outubro

Hoje, no Brasil, é comemorado o dia do professor. E eu pergunto: o que comemorar com essa educação que temos?

Comemorar algo é poder se orgulhar de algo, e como professor, eu me orgulho muito dessa doação de amor para a sociedade.

Sim, falo doação de amor. Com o salário que tem um professor no Brasil, com o descaso do poder público com a educação, com milhões de jovens, crianças e adultos todos órfãos de atenção política... Eu continuo me perguntando o que comemorar?

Vamos comemorar a garra do homem, da mulher que põe uns livros debaixo do braço entra numa sala de aula e se depara com 50, 55 alunos e, mesmo assim, fala em voz alta, explica ... com o objetivo de a sociedade melhorar.

Sim, somos heróis. Ser professor com a educação que temos hoje no Brasil somos heróis. Parabésn, professores, vocês sempre deixam um pouco de vocês com a gente.

Só espero que muitos alunos não tenham a mesma experiência que eu tive na PUC. A experiência de ter uma professora que entra na sala, não apresenta sua metodologia de ensino, avalia o aluno com apenas a prova, e ainda no final o reprova. Isso aconteceu comigo no curso de pós-graduação - especialização em língua portuguesa -. Cancelei a matrícula, não tinha saco para continuar ouvindo aquela mulher falando do cachorro que saiu pra passear com ela, do esposo, que é médico, do filho... do vizinho... dane-se... isso não é professor!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Então, prcisamos erguer os braços e, realmente, doar um pouco de nós pra essa sociedade pós-moderna, tão sem rumo e sem direção.

adenido lima

Leiam comigo

Queridos leitores, agora pela manhã fiz uma visita nesta página http://www.viomundo.com.br e encontrei o seguinte artigo, leiam comigo:

"por Marco Aurélio Mello, no Doladodelá, que está contando a história da TV Globo em riquíssimos detalhes. Ainda dará um livro:

"Os trabalhadores rurais sem-terra acabam de invadir uma propriedade no Pontal do Paranapanema", gritou um dos produtores da emissora, que ainda hoje captura a atenção de 3, dos 5 brasileiros que têm TV no país. Era abril de 2001. (O Abril Vermelho) Imediatamente, a editora-chefe encomendou uma nota para mim. Liguei para a 'praça', para apurar a notícia. Não teríamos imagens, porque o local era distante demais da emissora daquela região. Quanto aos fatos, sabíamos apenas que não houve uso da força e não havia ninguém na área, apenas um bosque e um enorme pasto, sem uso. O MST informava que tratava-se, não de invasão, mas de ocupação da área, que pertencia à União, era terra devoluta. Devoluta? Lá fui eu ao dicionário pesquisar direito o que era isso. Descobri que o termo derivava de uma lei de D. Pedro I, de 1850. Eram as terras devolvidas ao Reino de Portugal, caso não se tornassem produtivas no prazo de seis anos. Atualmente, a terra é considerada devoluta quando é possível comprovar que não é registrada, nem possuída por ninguém e está desabitada. Escrevi a nota dizendo mais ou menos isso (em trinta segundos!). No dia seguinte havia uma determinação do Rio (nunca dizem quem determinou, mas instintivamente a gente sabe...). A ordem era para que, a partir daquele dia, tratássemos as ações do MST de forma padronizada. No lugar de ocupação, teríamos que grafar invasão. Não falaríamos em 'terras devolutas, porque o povão não entenderia'. E acompanharíamos a decisão da justiça sobre a reintegração, ou não, da posse. Era um ponto de inflexão, se é que me permitem a licença poética. Aos poucos, e sem alarde, estávamos criminalizando um dos mais legítimos movimentos reivindicatórios da história do país. Aquele que, em 1996/97 marchou para Brasília e à força incluiu o tema na pauta do Governo de plantão. Hoje, quem diria, até o Kotscho faz coro contra os sem-terra. Ele se esquece dos 'provocadores', dos 'infiltrados', dos 'policiais à serviço dos grileiros', das 'demandas sociais de outros excluídos', que encontram refúgio no MST e, às vezes, excedem. Mas, mais do que isso, Kotscho se esquece do saldo de 1600 mortos em conflitos agrários. Que mundo é possível, vendo a realidade por lentes assim. Sinceramente, eu não sei..."

Para o leitor, assim como eu, que desconfia de tudo, é bom sempre fazer várias pesquisas, acredito que este artigo deixa claro o que é a mídia e o que é o MST

adenildo lima



Francisco

Francisco, um dia desses, pegou o trem sentido a Osasco, na estação cidade universitária o trem quebrou. Uma multidão de gente saiu desesperado, subindo e descendo escada. Francisco resolveu pegar o trem de volta. Voltou. Chegou em casa deitou e dormiu. Francisco agora faz um caminho diferente todos os dias. E até brinca com seus sonhos nessa estrada de ferro, com um trem quebrado na estação, com um trem voltando para outras estações. E assim ele continua vivendo. Francisco já não sonha mais, resolveu se transformar em matéria e voltar para os braços da mãe terra.

adenildo lima

terça-feira, 13 de outubro de 2009

sonho

ela saiu caminhando rua afora, toda exuberante, jogando os cabelos de um lado pro outro, e com um olhar atraente. os rapazes ficavam loucos, excitados, ao vê-la passar. Alguns tentavam ter sua atenção, ela sorria e seguia seu caminho, toda, demonstrando um ar de felicidade. tinha lá seus 21 anos de idade, já tinha casado uma vez, mas o casamento durou apenas 6 meses. estava no 2º ano da faculdade, cursando ciências sociais. jovem, ainda sonhava em mudar o mundo, o seu país. lia marx, darcy ribeiro, kabengele munanga, florestan fernandes... se encatava com as ideias de marx, se emocionava com o brasileirismo de darcy ribeiro, admirava o pensamento de igualdade de kabengele munanga e tinha florestan fernandes como um modelo, assim, como milton santos e tantos seres humanos no brasil e no mundo que dedicaram a sua vida à sociedade. menina, simpática, exuberante, sorridente... carregava no olhar o retrato de um mundo melhor, pelo menos em suas ideias e amor que carregava naquele coração de menina, de mulher, de estudante...

adenildo lima

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

pensando em você

hoje eu acordei com vontade de beijar o vento, abraçar o tempo e caminhar alegremente sem compromisso e sem regras para seguir. hoje eu olhei o tempo e o silêncio pairado no ar me fez lembrar você, me fez lembrar o seu sorriso, seu jeito de ser, o seu andar, o seu olhar. gritei seu nome, falei bem alto mesmo, mas acho que você não ouviu, aí, fiquei sonhando contigo livre toda sorridente. oh, liberdade é pensar em você.

adenildo lima

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

maria e a máquina

maria está de cara com a máquina. a máquina a encara e escancara um sorriso sarcástico. maria fica exausta, é a nona hora que ela se encontra ali. coloca alguma música pra tocar, tentando fazer com que a máquina não lhe dome. mas a máquina é irônica, nem liga, e não mostra ter medo de maria. maria bate com a mão na mesa, levanta, desce a escada, toma um café (maldito café, fizeram pra me enganar), volta. nada muda, a máquina continua lá, controlando os passos dela. ela sente vontade de chorar, sente vontade de largar tudo e fugir no mundo. a máquina ri, brinca com maria. coitada de maria sente até vontade de quebrar a maldita da máquina. a máquina, maria, o que tá acontecendo, vejo você quase morrendo? maria não responde, maria não fala, maria já se sente máquina. maria já não se conhece mais.

adenildo lima

a menina esperança

no campo minando água e flores coberto com rosas nasceu a menina esperança, ao nascer encontrou pedras, espinhos e gritos ruidosos. a menina esperança, primeiro, pensou em plantar, para depois, cuidar de sua plantação, e colhê-la. mas no percurso de sua vida encontrou a dona estupidez, toda sorridente, pois queria enganá-la, só que a menina esperança cheia de esperança conseguiu destruí-la, com apenas amor. as flores cresceram, os espinhos continuam nela, mas só fere quem não sabe lidar com eles, as pedras também continuam lá, e são tão amorosas. dona estupidez desapareceu. a menina esperança continua viva e vivendo sonforme o que acredita. e tudo o que ela acredita, existe. engraçado, né?

adenildo lima

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

sentimendo íntimo

Existem momentos em nossas vidas que sentimos saudades, sentimos uma dor no peito que até parece sem jeito, vem aquelas lembranças, às vezes da infância; parece que a nossa infância sempre foi feliz, mesmo quando é sofrida. E sentimos saudades! talvez seja da inocência que vamos perdendo com o tempo. Hoje mesmo, senti saudades de tantas coisas, de tantas pessoas, senti saudade até mesmo do amor, não que eu não esteja amando - eu sempre estou amando - não que eu não esteja sendo amado - sempre existe alguém que nos ama -, mas senti saudade do amor no olhar das pessoas, vejo-as correndo demais, às vezes penso que elas não tem tempo para amar, o tempo nessa correria se torna curto. É uma loucura tudo isso.

Um dia desses uma jovem menina ao conversar comigo se queixava do seu namorado, da ausência dele. Reclamou também que gostaria de ouvir um eu te amo de verdade, mas o eu te amo parece fugido na correria nas esquinas que se cruzam na cidade grande. Mas ela também, depois de uma longa conversa, acabou confessando pra mim que o tempo dela também era muito pouco pra desfrutar da vida, pelo menos a vida que ela sonhava. Eu disse a ela que um segundo é muito importante e pode valer por uma eternidade. Ela sorriu. Eu também. Nos abraçamos e ganhamos a estrada da vida, já que não podemos deixar um segundo pro amanhã.

adenildo lima

voz de poeta

O poeta um dia falou:
"amizade de homem com mulher só dura enquanto eles são namorados ou enquanto ela arruma um namorado, depois, só ficam as lembranças".

adenildo lima

dona núbia

95 anos vividos, dona Núbia tinha assistido a muitas cenas da vida, inclusive cenas da 2ª guerra mundial, mas sexta-feira, de uma data não noticiada pelos jornais brasileiros, ela partiu, abraçando o seu corpo, deixando voar o pássaro que estava ali, em si. Dizem que o sol mudou de cor, que o vento abrandou as dores dos seus familiare e que no chão de concreto nasceu flores.

Dona Núbia, mulher forte, mãe de uma nação, partiu, deixando milhares de pessoas sonhando com uma vida mais humana, menos desigual. Antes de partir, ela chamou seus 200 netos, seus vários filhos e tantos parentes mais - ao todo somaram 1500. E, diante deles, lembrou dos 500 anos de Brasil, lembrou dos milhões e milhões de negros e índios assassinados; diante dessa lembrança, ela chorou.

Ela viu o engenho nascer e ser destruído pela ganância humana, viu as crianças correndo e sendo assassinadas pelo sistema capitalista-buracrático-moderno-pós-moderno; o sistema que a humanidade tanto gosta. Ela viu e assistiu à 1ª guerra mundial, e viu chegar a 2ª guerra, viu nascer o sonho comum, o sonho de um comunismo, cheio de idealismo. E, leu o manifesto comunista ainda em alemão; teve vontade de ser socialista, e foi.

Ela sempre soube construir o seu mundo, um mundo de paz, fora das guerras; mas quase foi assassinada por uma bala que saiu de uma indústria, e foi. Mas, mulher forte que era, nunca cruzou os braços, nunca vendeu seus sonhos. Dona Núbia viveu 9 décadas e a metade de outra, deixou uma história, deixou uma família... E deixou também uma herança, chamada amor.

Dona Núbia continua nos olhares de quem acredita que o mundo pode ser melhor, e será. Basta não vendermos a alma, pois em algum lugar existe alguém que ama.

adenildo lima

terça-feira, 6 de outubro de 2009

escultura

ela me pediu uma poesia
nua, ficou diante do espelho
falei: belo poema!

adenildo lima

corrida humana

na escada
a vida passa
pelo tempo

adenildo lima

contemplando a natureza

o dia tá lindo
lindo demais
este sol

adenildo lima

momentos de lazer

caiu uma folha
surgiu o sol
veio felicidade

adenildo lima

querendo demais

ela me pediu um beijo
dei um abraço
ela falou em casamento
quebrei os laços

adenildo lima

Brincadeira de criança

Caiu uma lágrima
abracei um sorriso
a lua brincou comigo

adenildo lima

recordações

ela foi embora
deixando flores
pra aliviar as dores

adenildo lima

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Algo diferente

Amigo leitor, não se assuste comigo, mas hoje, pela manhã, vou rasgar todos os meus livros de poemas, decidi que não quero mais. Vou sair por aí sem destino e sem rumo distribuindo cada página dos meus livros a cada pessoa que eu encontrar. É, descobri que um livro de poemas tem muitos livros dentro dele, por isso vou rasgar todos os meus livros e sair por aí.

adenildo lima

sábado, 3 de outubro de 2009

Agradecimentos

Hoje, ao abrir esta página, lembrei de algo que eu fazia todos os finais de cada mês, eu agradecia sempre aos leitores. Peço desculpas por não ter postado mais esses agradecimentos, pois, quero que saibam que este espaço é para mim um grito de liberdade e, vocês são as pessoas que me ajudam a desabafar, a brincar, a falar de amor, de ódio... Na verdade não esqueci, apenas não postei (rs).

Essa semana mesmo, uma amiga me ligou e me deu os parabéns, falou que acompanha sempre este espaço. Confesso que fiquei muito feliz. É muito bom saber que as pessoas leem aquilo que escrevemos.

Agradeço a todos, de todo meu coração com carinho e amor (rs) que tenhamos um excelente mês de outubro.

adenildo lima

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

o tempo

e o tempo que nao deixou
um tempinho só
pra eu falar com ela
o tempo
o tempo que se foi
sem que eu percebesse
o tempo
que tirou você de mim
o tempo que não deixou
eu ficar mais tempo
ao seu lado
o tempo
maldito tempo
que eu não soube controlar
e fui controlado por ele
justamente o tempo
que eu procurei
para dizer que te amava
para dizer que você
era muito importante para mim
o tempo se foi
não deixando tempo
tempo o suficiente
para vivermos cada momento
cada segundo
é, cada segundo
e eu que não sabia
que um segundo
é muito tempo
tempo suficiente
para dizer a alguém
um eu te amo
um você é especial
o tempo
hoje sei que a culpa
não é do tempo
hoje sei que
foi eu que perdi
para o tempo
enquanto o tempo
precisava ser guiado
pelos meus passos
o tempo
hoje tenho tanto tempo
que sobra tempo
para expressar o meu sentimento
para expressar o meu carinho
o meu amor
hoje não reclamo mais do tempo
o tempo
o tempo
o tempo
tempo tempo
tempo
são as batidas do meu coração
dizendo que te ama
através deste olhar

adenildo lima

O voo do pássaro que deixou a menina

O sol vem surgindo por detrás das montanhas artificiais, uma menina abre a janela do seu apartamento e abre os braços recebendo o calor e o carinho do menino sol. As avenidas estão todas paradas e, aqui de cima parece que lá em baixo é uma paz só; engano dos olhares meus que sonham com esse momento. A menina continua com os braços abertos, e um sorriso sai com ar de liberdade do seu semblante. Vem um vento e balança seus cabelos ondulados; o sol a aquece mais e mais - ainda são 7h da manhã -. Ela entra e resolve tomar um banho para lavar a alma e encarar o dia lá embaixo. Tira a roupa, se despe - fica nua - abre o chuveiro e uma água morna lhe aquece, e aquele corpo molhado é pura obra de arte: seios, pernas, sexo... olhar. A menina veste seu uniforme, calça seus saltos altos, põe maquiagem, pega a pasta e sai. A menina da janela já não existe mais. O trânsito a deixa nervosa, fora de si, alguns rapazes dão olhares perdidos pra ela, e ela faz de conta que não está vendo nada, mas em segredo, fica feliz por saber que está sendo observada. Chega no escritório, uma máquina toma conta daquela menina uniformizada. Ela, olha-se no espelho e não consegue enxergar aquele olhar que pela manhã abraçava o sol. É séria, é senhora... O dia passa, a lua surge perdida, misturada com as luzes da cidade. A menina chega em casa, tira aquele uniforme, deita em sua cama, e chora, e chora, e chora. A menina lua é tão carinhosa.

"Quem sou eu?" - Ela se olha no espelho, abre a janela do quarto, abre um sorriso para a lua, e voa.

adenildo lima


domingo, 27 de setembro de 2009

As estações

E surgia a Primavera no olhar da minha prima Vera. Flores começavam a nascer enfeitando a ilha. E a ilha era uma casa perdida no meio de um lago cercado pela natureza.

Mas flores crescem, formam jardins e até sorrisos nos olhares das crianças. Depois secam dando lugar ao Verão. E no Verão as crianças se apaixonam pela poesia deixada nas folhas secas de cada pétala de flor.

A prima Vera já não é mais criança, já passou duas estações na vida. Agora, ela entra num período de transição: o Outono começa.

Vera conhece as indústrias, a vida humana, a vida dos humanos. O poder humano é tão forte que faz despertar no lugar das flores um monstro. A minha prima Vera briga, xinga, trai e até mata.

Sem rosto, sem flores no olhar ela volta para ilha. Aquela casa perdida no meio da natureza, cercada por um lago. E a criança que nasceu na Primavera fica adormecida no olhar da prima Vera.

E depois do Outono vem a Primavera.

Adenildo Lima

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

maria

e pode, maria
nessa agonia
o que é ilusão
ou o que é fantasia?
maria,
já que pode,
ajuda à maria
a resolver a dor
que mais doía
e dói.
oh, maria!

adenildo lima

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Nauseando 5

Queridos leitores, este texto vai falar de uma paixão, diria que, proibida, acredito que todos nós já passamos por isso. É uma loucura, uma náusea destrói a gente aos poucos, né? O sentimento de paixão é bom, quem dirá que não? Mas é sofrido, principalmente quando vem com seus empecilhos. Mas vamos lá, antes que o amigo leitor se canse e desista da leitura deste texto que estou escrevendo com tanta inspiração, com tanto amor, intusiasmo para relatar os detalhes e causas dessa paixão nauseante.

Nauseante é uma palavra estranha, mas é da mesma família de náusea, não se assuste. Vamos lá, leitor, pois neste momento estou com a mesma sensação que você: como vai terminar? Como é essa paixão proibida? É, escrever é uma tarefa árdua, doce, amarga, prazerosa... Eu prefiro chamá-la de prazerosa.

Karina, ao fazer 19 anos, casou-se. Casou com um rapaz encantador, para ela. Ela namorava com ele desde os 14 anos de idade, parecia amor eterno, eteno amor, mas será que existe amor eterno ou eterno amor? Não sei, confesso que prefiro descobrir os mistérios desta palavra vivendo e convivendo, já que não existe nem passado, nem futuro, é preciso dormir e acordar no presente.

Aos 17 anos, Karina teve o seu primeiro ato sexual - ela conta que foi maravilhoso - foi um pouco difícil: a timidez, o medo... Esses sentimentos, no momento, deixou-a meio preocupada, mas ao sentir as mãos do seu grande amor, deixando-a despida, ela se entregou loucamente, e se amaram sem medidas.

A vida corre, os dias passam e Karina começa a faculdade aos 21 anos de idade. O casamento já não era o mesmo, a rotina estava levando, aos poucos, aquele amor. Ela conheceu Cauê, na hora do intervalo da faculdade. Cauê estava com um livro de poemas nas mãos, lendo, ali, no pátio da facul, todo despreocupado.

"Cauê, esta é minha amiga, Karina."
"Prazer."
"Você gosta de poesia, Cauê?"
"Gosto muito."
"É tão difícil encontrar um homem, nestes dias atuais, apreciando poesia."

Um dia sim, um dia não eles passavam de relance um pelo outro nas horas de intervalos, às vezes na chegada, noutras vezes na saída. Karina começou a ser dominada por um sentimento, que ela acreditava ser proibido. À noite, sonhava beijando Cauê, entregando-se a ele de corpo e alma. Deitada, e o sono não vinha.

É, amigos leitores, difícil ficar perdendo noites de sono, principalmente quando ao lado daquela pessoa tem alguém que divide o mesmo espaço, que se amaram um dia, que se entregaram como se nada mais existisse. Mas Karina estava inteiramente dominada por aquele sentimento, um sentimento às vezes bom, noutras vezes destruidor. E ela não sabia o que fazer.

"Cauê, você tem namorada?"
"Tô procurando, você tem alguma amiga, assim, sabe... que eu possa me entregar a ela e viver lindos momentos de amor?" - falou com um jeito bem distraído.

Karina, naquele momento, quase foi ao chão, ela queria dizer que a amiga que ele estava procurando podia ser ela mesma, mas quem disse que ela teria essa coragem, e outra, ela era casada.

O tempo foi passando, e esse tempo já era dois anos destruindo aos poucos a sensibilidade daquela menina de cabelos compridos, olhar distraído e com um sorriso que faziam todos rirem, quando estavam ao lado dela.

Cauê arrumou uma namorada. karina, sofreu bem mais, perdeu as esperanças, se posso usar esta frase "perdeu as esperanças". Em sua casa, o casamento não dava mais pra continuar, estava insuportável.

Sozinha, sem o marido, karina estava livre para namorar Cauê, mas Cauê estava namorando, e estava bem com a sua namorada. Karina nunca conseguiu demonstrar abertamente que era apaixonada por ele.

É, amigos leitores, e a vida vai passando, o tempo não espera, inclusive a mim, o tempo vai embora, exemplo: estou no trabalho e saio às 5h da tarde e agora são 4h32, quando falta 15 minutos pras 5h, eu deslico o PC, isso quer dizer que ainda tenho, agora, 12 minutos.

A namorada de Cauê terminou o namoro. Karina tinha o seu espaço livre para o concretizar seus desejos, seus sonhos. Aproximou-se mais dele, mas mesmo assim, um pouco ausente. Só que um abraço carinhoso, fez com que ele percebesse que ela estava gostando dele.

"Lucas, tua amiga tá gostando de mim, sabia?"
"Como assim? Ela é casada."

Lucas ainda não sabia que ela tinha se separado (os leitores deste texto ficaram sabendo primeiro do que o próprio amigo de Karina, tá vendo? ). Sim, ela tinha se separado. Depois da separação, Cauê e Karina ficaram mantendo contato, mais próximos, quase um ano.

Uma noite. Numa noite tudo pode acontecer. Eles estavam entre amigos, beberam, riram, brincaram. Karina, sem dúvida, acreditava que daquela noite não passaria.

Cauê, muito educado, foi levá-la até à estação de metrô. Enquanto caminhavam, beijaram-se loucamente. Karina nem conseguia acreditar no que estava acontecendo. Amou! ficou deslumbrada.

Os dias passaram.

"Karina, quer namorar comigo?"
"Sim, aceito."

E Karina aceitou o namoro com outro rapaz. Cauê, nem conseguiu acreditar no que aconteceu.

Mas assim é a vida. E os amigos leitores vão pensar que essa náusea é ficção, onde na verdade o escritor só escreve o que conhece.

Ainda não li. Escrevi direto, será que ficou bom? Agora são 4h43

adenildo lima

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Miniconto 5

Vinícius estava ao telefone. Desliga, logo em seguida sua namorada liga:

"Ana Júlia."

"Ana Júlia, um caralho, meu nome nome é Juliana, porra!"

"Nossa, amor, como você está nervosa, você nunca parou pra pensar que a junção de Ana e Júlia formam Juliana?"

"Desculpa, então."

Um tempo depois o telefone toca:

"Juliana"

"Juliana, pode ser tua mãe, meu nome é Ana Júlia, esqueceu?"

adenildo lima

Miniconto 4

Pensativo, olhando para o infinito do tempo, pensou no futuro, pensou no passado... Percebeu que tudo estava tão longe. Deitou-se, fazendo planos para acordar no presente.

adenildo lima

Miniconto 3

De uns dias desses pra cá eu não estou te entendendo. Você anda estranha, meio ausente, calada... Você não me ama mais?
"MAIS???!!!""

adenildo lima

Miniconto 2

A chuva continuava caindo,
já não era possível diferenciar as lágrimas.
"Logo, logo a chuva se vai e o sol surge, Gabi."

adenildo lima

Miniconto 1

"Amor, não fale palavrão, por favor."
"Ah, mas você já falou fudida".
"Ham????"

adenildo lima

Não é um assalto

Não, não, por favor, nao precisa tirar a carteira, tire apenas a máscara que te reveste.

adenildo lima

O prazer da dor

"Você não está errada, errado está o vento que te levou para outros braços."
"Mas você nem ficou triste?"

adenildo lima

Valores

"Você quer quanto, mesmo?"
"Amor, apenas me ame, já não aguento mais tanta solidão."

adenildo lima

Máquina fotográfica

Estou com sono, mas a calçada está dura e fria. Estou com fome, mas o cachorro acabou de comer as migalhas que sobraram. O meu corpo está frio, essa casa sem janela deixa entrar todo o vento que vem de várias direções, mas o sol nascerá, será?

adenildo lima

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sonho de criança

Estou procurando um amor que tenha um coração muito grande, um olhar sedutor, um sorriso transparente, um abraço forte e ardente. Procuro-o nas esquinas, não me interessa o endereço, numa rua qualquer, pode ser até num jardim com borboletas voando, ou, num deserto... junto à natureza. Apenas procuro-o.

De mim, eu não tenho muito o que falar. Serei um namorado que todas as manhãs viverá um novo dia, e um novo amor todos os dias com o mesmo amor. À noite sairei de mãos dadas procurando estrelas para cair na grama e ficar contando anedotas... Abrirei meu coração e viverei intensamente o que a alma pedir. Procuro um amor, será que você não tem pra mim?

adenildo lima

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Reticências

... hoje eu acordei querendo tirar suas roupas beijar sua boca sentir seu cheiro ouvir seus suspiros e em cada delírio te apertar mais e mais hoje acordei quebrando as regras tirando da vida todos os pontos vírgulas e travessão só não tirei as reticências elas são legais me dão esperança de te encontrar mais vezes numa esquina qualquer num quarto qualquer num lugar qualquer hoje acordei sentindo sua falta e lembrei daquele dia em que nós nos beijamos nos amamos sentimos nossos cheiros nos abraçamos loucamente entre unhas e dentes aguçando aquele momento e você sussurrava em meu ouvido se entregando mais e mais com uns gemidos sensuais ardentes delirantes gostosos de se ouvir lembro que gozamos sem regras sem compromisso sem motivos de fazer perguntas apenas nos olhamos e descobrimos ali mesmo que estávamos nos amando mas você se foi assim sem dizer nada você partiu como folhas secas que ganham o vento e se vão sem deixar o cheiro o carinho você se foi sem mais e sem menos assim sem pontos sem regras deixando em mim as lembranças de seu olhar e de suas palavras dizendo que a minha voz era muito gostosa aos seus ouvidos você se foi só as reticências ficaram comigo...

adenildo lima

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Júlia

Era manhã de quinta-feira, uma criança saía para passear com sua mãe, enquanto andavam pelo parque uma folha caiu e, antes de beijar a terra, saiu voando, pairando no ar como beijaflor beijando a flor. Admirada, a criança ficou olhando fixamente. A folha caiu, beijou a terra e abraçando-a carinhosamente. A criança, apenas riu. E a mãe da pequena menina nem percebeu o que aconteceu naquele momento. Mas Júlia, nunca mais esqueceu, hoje, ela já é crescida e admira os pequenos detalhes da natureza, pois tudo é tão lindo!

adenildo lima

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Espinho

Dona Marinalva tinha uma criação de porcos. Criava, aproximadamente 100 por ano, todos para vender, com exceção de alguns que ela criava para matar na festas de natal, de final de ano. Marinalva dava nome a todos: Pretinho, Fofinho, Rajado... Espinho. Espinho, ela tinha um carinho especial por ele, estava criando-o para matar na virada do ano, pois ia receber um filho que chegaria de viagem.

Espinho foi crescendo e se tornando diferente dos outros porcos, aos olhos da dona Marinalva. Era carinhoso, brincalhão e adorava bater na porta da casa todos os dias às 5h da manhã, quando ela não levantava esse horário, ele sabia que ela tinha se atrasado para a lida.

Deitava-se no terreiro para receber o sol pela manhã que vinha rompendo a floresta por detrás das montanhas, com seus raios. Espinho abria as pernas e ficava todo relaxado.

"Espinho, vamos passear." dona Marinalva chamava-o.

Ele levanta-se com cara de preguiça, aquela falta de coragem e saía todo faceiro, contando os passos. E passeavam bananeira adentro, procurando cachos de bananas maduro.

E o tempo foi passando, já era dia 15 de dezembro. Dona Marinalva olhou para Espinho e sentiu uma dor no coração, pensou na morte dele, no corpo dele sendo cortado; pensou como seria a morte de Espinho. Imaginou consigo mesma numa morte diferente para o seu amigo, talvez uma morte com menos dor, uma morte diferente das dos outros porcos, já que ele era especial. Sentiu vontade de chorar.

"Não, não posso ficar assim, ele é apenas um porco". - pensou, com um olhar perdido para o infinito.

Espinho apareceu com um ar triste, enquanto ela pensava, acho que ele estava prevendo a sua morte, beijou a perna de dona Marinalva e saiu com seus passos lentos, todo faceiro, como sempre, só que diferente, estava triste.

Dona Marinalva começou a imaginar as cenas: um machado batendo na cabeça de espinho para fazê-lo desmaiar, e em seguida algumas pessoas pegando o corpo dele, ainda vivo, colocando-o em cima de um banco, e uma faca de oito polegadas entrando na garganta de Espinho, e ele dando um último grito. Ali, morreria o querido amigo de dona Marinalva.

Marinalva entrou, deitou em seu colchão de capim, ficou pensando, pensando, o dia amanheceu e ela não tinha conseguido dormir. 5h e alguns minutos, Espinho bateu na porta, ela levantou-se e foi cuidar da lida. Espinho acompanhou-a.

Chegou o natal. Foi matado um porco para a festa. Nesse dia Espinho saiu correndo, ao ver o corpo do seu amigo porco sendo cortado. Correu, gritou.... E nunca mais voltou!

adenildo lima


terça-feira, 8 de setembro de 2009

Não é errado falar assim!

"Não é errado falar assim! em defesa do português brasileiro". Esta frase titula o mais novo livro do grande estudioso da nossa língua brasileira, o escritor Marcos Bagno, com prefácio de Sírio Possenti. Acabei de encontrar esse livro, agora mesmo, no site do Bagno http://www.marcosbagno.com.br. Em breve comprarei, sei o quanto Esse autor caminha em desefa do português brasileiro, um cidadão merecedor de respeito e atenção por todos nós, nessa sua mais nova obra, mais uma vez, pelo o que eu li no prefácio e na sinopse, o escritor continua com seus passos de um cidadão preocupado com a educação. Como ainda não li, não vou falar muito, mas sem medo, recomendo a todos, sei que é mais uma obra de arte viva da nossa língua materna.

BAGNO, Marcos. Não é errado falar assim! em defesa do português brasileiro. São Paulo, Parábola, 2009

Falar é expressar o que sentimos, conforme a nossa cultura!

adenildo lima

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Diferente

Vinícius acordou pela manhã, ainda não era 5h, decidiu fazer um caminho diferente do que ele fazia todos os dias. Até parece que ele não fez muita coisa, mas fez algo diferente em sua vida, mudou a rotina, teve uma nova visão, encontrou pessoas que nunca tinha visto antes e descobriu que todos os dias podia fazer algo novo, mesmo sem precisar de mudar de caminho.

Aquele Vinícius, hoje, já nem existe mais, é outra pessoa. E como foi bom para ele, essa mudança de si mesmo, consigo mesmo, até o mundo mudou, tudo está diferente.

adenildo lima

Uma carta de amor

São Paulo, 7 de setembro de 2009

Saudações,

é com muito amor e carinho que começo escrevendo esta carta pra você, faz tanto tempo que estamos ausentes, hoje, agora mesmo, me veio uma grande saudade de nós dois, lembrei de nossas brincadeiras, de nossas brigas tão saudáveis e carinhosas, senti falta de você. Estou escrevendo pra dizer que estou bem, mesmo nesta cidade solitária dar pra ser feliz, à noite, às vezes, abraço o silêncio e lembro de você, a nossa amizade era tão sincera, nem mesmo os beijos dados na boca, nos afastou, eles não existem mais, mas nossa amizade continua. Me lembro, nós, sentados na calçada com aquele violão, e eu cantando a música do Roberto Carlos "Como é grande o meu amor por você", e você cantou comigo, nós, desafinados, rimos de nós mesmos ao terminar a canção. Foram momentos tão lindos, né? a vida é assim mesmo. Aqui eu já conquistei novas amizades, sim, digo conquistei, pois amizade se conquista, acho que quando você estiver lendo esta carta vai ri, chorar não, né, pra que chorar? Estou pensando em voltar em breve, mas deve estar tudo mudado, mas as casas continuam as mesmas e as pessoas também, né? Muitos vão me abraçar, vão ficar feliz com a minha volta. E eu continuo a mesma merda de sempre: brincalhão, sorridente, bravo, revoltado com a situação do nosso país, a burguesia sempre no domínio... ah, falando nisso, hoje é 7 de setembro, ontem o presidente foi pra tv proclamar a segunda independência do Brasil - pré-sal - mas como você sabe, como nós sabemos, a burguesia quem vai ganhar com isso. E a educação, né, anda de pior a pior, sabe o que eu conclui em meus pensamentos? acho que você nao sabe, mas deve pensar agora "eita, adenildo, o que vem?" relembrando a sua fala, agora lembrei que você sempre me chamou de adenildo, muitas pessoas me chamam de adê, aqui também, sabia? mas você me chamou de adenildo, é engraçado (rs). Voltando ao assunto da educação no Brasil. Nós sabemos que é um processo histórico, mas que os doutores das universidades são os grandes responsáveis pela evolução da péssima educação, são sim, eles não fazem nada, ficam robotizados em suas poltronas, pior, nas salas de aulas quando encontram um aluno que tem um pensamento de criação, boas ideias pra ser discutidas, os professores proibem na hora. Sabia que às vezes tenho pena deles, eles escrevem aquelas teses 90% é tudo cópia e 10% é concordando com os imortais, loucura, né? ah, mas vamos mudar de assunto, assim, já estou terminando, mas aguardo notícias suas, tá? e nunca esqueça que te amo um montão....bjs

carinhosamente,

adenildo lima

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O que resta de mim?

"O povo daqui só anda correndo, nem sabe pra onde"

Partindo desta frase, eu começo este texto, amigo leitor. Conversando com uma jovem que está aqui em São Paulo há menos de dois meses, ela fez essa observação. Podia ser uma frase como outra qualquer, mas para mim, não foi. Isso, para mim, é um resumo de todo um contexto da sociedade "dita" civilizada.

Os moradores de uma cidade grande corre corre sem saber para onde. A rotina de vida se torna algo abusivo: acorda pela manhã, pega ônibus, trens, metrôs... todos lotados. Os ônibus e os carros passam horas e horas no mesmo lugar. O trânsito sufoca, maltrata, estressa... Pior, o cidadão chega no trabalho e repete tudo o que fez ontem, amanhã a mesma coisa... e para sempre amém rs... volta para casa, deita, dorme, acorda... volta tudo de novo.

O ser humano, com essa globalização, põe valor em tudo, e falo de valores capitalista.s Você vale o quanto vale o seu carro, a sua casa... O humano em si, está morrendo, suicidando-se aos poucos nessa correria à busca de beleza que o mundo pós-moderno oferece. Quando a moça falou para mim "as pessoas daqui só andam correndo, nem sabe pra onde", ela definiu o que é a humanidade de hoje, sem objetivo, sem um ponto de partida e muito menos um ponto de chegada.

E que não levem a mal os gramáticos, mas coisar para mim, hoje, é verbo: a nossa sociedade civilizada está se coisificando coisa.

É, mas na arte ainda podemos ver um pouco do que resta de humano.

adenildo lima

Momentos distraídos

"Você nem sabe o quanto estávamos rindo"
"É, 15 minutos dar para fazer tanta coisa, até mesmo para fingir".

adenildo lima

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

solidão

Perguntaram-me sobre solidão. Disse que não tinha definição. E acrescentei: talvez só Deus possa detalhar esse assunto, já que ele é único.

adenildo lima

terça-feira, 1 de setembro de 2009

brincando de pós-moderno 2

Viver, para o artista, se torna difícil pelo simples fato da intelectualidade não conseguir enxergar o presente.

adenildo lima

Um sorriso e uma eternidade

A humanidade é mascarada, com uma máscara na cara caminha parecendo anjo. E assim será por toda eternidade, pois até Deus que é eterno deixará de ser quando os 'ditos' humanos forem extinguidos da face da terra.

adenildo lima

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sem explicações

Para ser um grande poeta
não precisa mais do que um poema.

adenildo lima

Brincando de pós-modernismo

"Mas você não tem um cachorro?"
"Não."
"Mas como, não?"
"A solidão em mim, ainda nao chegou ao êxtase."

adenildo lima

domingo, 30 de agosto de 2009

Vestidura

Essa vestidura
que veste teu corpo
guarda tantos segredos
aos meus olhos.

Tua pele suave
por debaixo desse veste
é revestida de ensejos
aos desejos dos meus beijos.

Teus beijos que veste
teus lábios molhados
carnudos
transmitem-me o sentir.

Sentir tua pele vestida de pele
ao toque suave e breve do cariciar
do meu carinho ninar
revestido de desejo

Ah, onde estão teus beijos?

adenildo lima

Diário

Madrugada. Tempo frio. Lugar deserto. Lá, só eu e Rafaela, dormindo no mesmo quarto. Ela levanta, enquanto durmo, sai para contemplar o universo, céu estrelado, lua majestosa, um vento suave; começa escrever em seu diário.

Levanto, olho para um lado, olho para o outro lado, Rafaela não está. Saio, apressado, e vou a procura dela. Ela está lá no terreiro escrevendo no diário, parece que contempla a natureza como o amante aprecia a amante.

- Você, sozinha aqui, Rafa?
- Contemplando a natureza, é tão bom ficar livre de tudo e escrever sem compromisso.
- O que você tanto escreve?
- Segredo.
- Como segredo, se você está livre? - pernguntei, rindo.

Ela riu e me abraçou. Nos beijamos, ali, livres... tão livres que, naquele momento, éramos parte da natureza, ou, a própria natureza. Nossos lábios se beijaram, nossos corpos se uniram. Nos amamos como se ama por uma noite e por uma eternidade.

E amar é esquecer que existe uma definição. É apenas viver, e isso basta!

adenildo lima

sábado, 29 de agosto de 2009

Cartas de amor

"Professor, me ensina fazer uma carta, uma carta de amor." Gabriela pediu com o olhar mais carinhoso que possamos imaginar.
"Cartas de amor, Gabriela?! Mas professor não ensina fazer essas coisas".
"Ah, professor, ensina, sim. O senhor que não quer."
"Não, Gabriela, cartas de amor não se ensina mesmo, em lugar nem um do mundo. Amor é declaração livre, sem regras e sem pontuação. Escreva você mesma, sua carta de amor."
"Não sei se posso fazer isso. É tão difícil dizer o que sentimos a um professor."

adenildo lima

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Os ditames de 2.000 e alguma coisa

Encontrar uma definição para a palavra arte, seria tentar resumir o infinito. Sabemos que só ao ser que chamamos de humano, é possível. Ela representa os momentos de um povo, a história de um povo através da sensibilidade do artista. Por isso, hoje, até um vaso sanitário é colocado numa exposição, representando a arte contemporânea.

Quem sou eu para dizer que um vaso sanitário não é arte, ou qualquer outro objeto? Se a arte é a representação da humanidade, podemos ver o vaso sanitário como representação da sociedade atual, ou até mesmo como um ato irônico, diante da socieda atual. E quem disse que a arte não é irônica?

Ela é o maior grito de um povo: a música, a poesia, a pintura...

A sociedade pós-moderna caminha sem saber pra onde. No modernismo ainda existia a ilusão de chegar a algum lugar, hoje, dificilmente é enxergado assim. Nós somos um monte de objetos, muitas vezes, caminhando em cima de uma nuvem de gelo. A cada momento o gelo começa a derreter, e nós corremos mais e mais... Qualquer desvio, corremos o risco de cair no abismo, de sermos puxados pelos dragões, de sermos engolidos pela mãe ganância.

Os jovens, já nem existem mais. Muitos, são meros bonecos se construindo para satisfazerem a grande mídia.

Mas a arte pós-moderna está aí, basta que cada um abra a boca e vomite o que as grandes massas estão forçando-nos a engolir.

Triste mesmo é saber que nós brasileiros conhecemos tão pouco a nossa história. E sem história, não existe um povo, uma sociedade pensante, exercendo o papel de cidadã.

adenildo lima

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Na lista

São tantas faces facetadas e fingidas nas avenidas que já não cabe mais a mim identificá-las. Para resumir um pouco escrevo o que eu também não sei explicar e, nestas linhas, faço frases com ritmos poéticos, patéticos... e assim vou escrevendo sem começo e sem fim, talvez tenha um meio, mas um meio sem desenvolvimento.

O ser que chamamos de humano, nos dias atuais, está tão individualista, tudo bem que isso está na lista dos pós-modernistas nessa correria, essa agonia absurda de querer ser belo, conforme determinam os meios de comunicação, os shoppings; os panfletos de jornais. A guerra por um dinheiro querendo sempre mais e que não sobra nunca.

É, o que digo mais, amigo leitor?

adenildo lima

domingo, 23 de agosto de 2009

Concreto e discreto

Caminhando pela avenida, sem rumo e sem direção, apenas enganando o que chamo de vida, olho os prédios, olho as pessoas, olho os sorrisos misturados com as maquiagens, vejo um grande disfarce. Disfarço que não estou vendo, mas é impossível! É maquiagem demais nos corpos andantes.

adenildo lima

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Em outra direção

Teus passos lentos e tão corridos vindo em minha direção, senti um frio misturado com ansiedade e ensejos dos teus beijos. Pensei em correr também, mas o vento vinha em outra direção. Te esperei! um segundo pareceu uma eternidade e a cada passo que você dava eu te desejava bem mais. Abri os braços para te receber, mas o vento vinha em outra direção e não permitiu. Ainda hoje sinto o sabor daquele beijo que não aconteceu, daquele abraço que o vento levou, dos nossos olhares que os nossos lábios não abraçou; ainda hoje lembro e sinto você vindo em minha direção com seus passos lentos e tão corridos. Mas o vento vinha em outra direção. Maldito automóvel!

adenildo lima

escrita e visão - fotografia

faltaram-me as palavras, veio-me o silêncio, mas não calei
falei
gritei
andei
lutei
faltaram-me os teus sorrisos, veio-me o desejo de chorar, mas não chorei
amei
registrei e
contemplei o motivo de viver em todos os ângulos fotografados pelos meus e os teus passos corridos

adenildo lima

um dois um dois

A pressa dos mortos vem através dos passos corridos dos vivos.

adenildo lima

todas as coisas do mundo

"Você é artista, né?'
"Não sei, é tão difícil definir."
"Mas você é, num é?"
"Não sei, só sei que quando não estou fazendo nada, faço arte."

adenildo lima

terça-feira, 18 de agosto de 2009

XXI

Todo mundo se organizando, vamos fazer a prova.

– Não vou fazer.

Um aluno levantou a voz, a sala inteira o acompanhou. Gritavam, xingavam o professor e a algazarra crescia. A diretora foi convocada.

– Bernardo, vamos à diretoria.

Bernardo levantou a voz, levantou a mão e meteu o dedo na cara do professor. A diretora ficou surpresa, não queria acreditar no que estava vendo, ficou sem reação, perdeu a voz.

– Este fessô é folgado, ele acha que é quem, dona Diva?

Dona Diva, apenas ouvia. Se fez forte, chamou o aluno, e o suspendeu por cinco dias.

– Tudo bem, dona Diva, vou te respeitar, não vou contra à senhora não, mas diga pro senhor Josemar que a coisa tá feia pro lado dele, beleza?

Na hora do intervalo os alunos não falavam em outra coisa, a notícia correu muito rápido, alguns até chegaram a falar que o professor Josemar tinha tomado um tapa na cara, que Bernardo tinha mandado a Diretora pra puta que pariu. Bernardo ao ser suspenso da escola, ficou lá fora, sentado na calçada.

– Tá fudido comigo, fessô.

Josemar ouviu, olhou fixamente nos olhos dele, observou os movimentos de suas mãos, e saiu caminhando, enquanto Bernardo se aproximava dele.

– Você aponta o dedo na minha cara e ainda quer me desafiar aqui fora? Lembre-se, lá dentro sou seu professor, aqui somos homens de igual para igual. Se você acha que é malandro, na vila onde eu moro, morre garotos iguais a você todos os dias. Para ser malandro precisa ser inteligente, rapaz.

– Mas, temos umas contas pra acertar, você é muito folgado, fessô.

– Estou trabalhando, não tenho conta nenhuma para acertar com você.

Enquanto o professor se virou e saiu andando. Bernardo pôs a mão no bolso da blusa, tirou uma arma com muita rapidez e atirou. No momento em que ele ia atirar alguém gritou. A bala não atingiu o mestre. Mas no outro lado da avenida surgiram uns gritos. Eram os gritos de uma senhora que passava, a bala tinha lhe atingido. Bernardo correu. Várias viaturas foram à procura dele. Foi preso. Era menor de idade. Não ficou muito tempo na prisão.

Dizem que lá, na prisão, ele tornou-se profissional e, hoje, dificilmente erra uma pontaria.


adenildo lima

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

flores no chão de concreto

estou caminhando como sempre

em mim, nada mudou:

cada palavra,

cada momento,

cada segundo...

se vale a pena pra você!

Reconquista-me!

estou na rua, na praça, no parque...

... você se mostra tão ausente,

é engraçado,

nem parece que somos tão amigos.

é estranho, né?

eu lutei tanto por nós

e sempre fui tão aberto, tão sincero...

amigo é assim!

assim como uma semente:

nasce em campo limpo,

no parque,

na rua,

na praça...

mas deixa pra lá,

desculpa!

pensei até que já tivesse

te conquistado.


adenildo lima

Deleites

A vida é um barco pronto para se afundar. Hoje os navegantes da meia viagem te abraçam, brincam, amam; amanhã viram as costas e fazem de conta que você nunca existiu. Aproveite cada momento da vida, por isso amo cada segundo vivido.

adenildo lima

sábado, 15 de agosto de 2009

O sol sagrado

Natália acordou, olhou para o tempo, o sol nascia com seus raios fortes e aquecedor. Escovou os dentes, vestiu uma bermuda, abraçou uma criança e foi para o parque. Lá, no parque, estava uma liberdade solteira. Antes, nunca tinha se sentido tão livre: uma sensação boa vinha misturada com o vento das árvores e com o canto dos pássaros. Natália abriu os braços e correu estrada afora, com sorriso de felicidade, sendo acompanhada pela criança. "Tudo é tão lindo", a criança disse. O sorriso de Natália contemplou aquele momento.

E, em algum lugar os peixes nadavam, brincavam... E os humanos apenas riam, se divertiam; a criança continuava subindo e descendo a escada. "Tia, vem brincar comigo?", "Diego, estou com uns amigos, não posso ser criança agora". Diego riu, Natália também. E a felicidade contemplava aquele momento.

Natália parecia livre, parecia que tinha encontrado a liberdade. Naquele parque ela se sentia tão bem, bem longe das máquinas, dos livros com seus artigos e códigos que a cada vez mais só procura coisificar a humanidade. Natália se parecia tão humana, tão mulher, tão criança, pena que os códigos controlam as pessoas em seus escritórios, e uma cadeira com um crachá coisifica o que chamo de humano. Natália, acho que ela se perdeu no parque.

A criança, possivelmente esteja rindo, brincando, subindo e descendo a escada (da vida), a escada do parque. Na estrada, guardo apenas aquele sorriso, aqueles sorrisos.

Natália, já não existe mais. Diego, talvez, eu o encontre por aí, e ele abra um sorriso. Confesso, não terei coragem de perguntar por Natália. Ela deve está muito longe nesse momento. E feliz, só as lembranças de um momento feliz.

E o brilho do sol, pela manhã, todas às vezes que acordo, ele me faz lembrar aquele momento feliz; acho que o frio da noite, levou aquele sorriso lentamente.

adenildo lima

Flashes

Pareciam monstros diante de seus olhos. Um som suave e forte entrava e adentrava sua vida. Ele imaginava tantas coisas: pedras subiam e desciam, morros despencavam dos seus lugares, árvores caíam de onde se encontravam, crianças choravam, homens gritavam, mulheres imploravam, animais fugiam. Ele não sabia mais onde estava e o que estava vivendo.

adenildo lima