sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A fome e um olhar

Andando pelas ruas da grande São Paulo, olho e observo os detalhes, que muitas vezes, muitos não conseguem enxergar. Enxergar é diferente de ver.

Uma mãe amamenta sua criança com o leite que sai dos seus peitos, muitas vezes, ela fica sem jeito para expor seu seios diante das pessoas, mas a criança tem fome e precisa se alimentar; a mãe a alimenta.

Um senhor sentado na calçada do teatro municipal é um artista excluído dos palcos, mas ele se vira, rebola, chora, implora, pira; tem vergonha de pedir, mas ele tem fome e precisa se alimentar; ele pede as migalhas que sobram da nossa mesa.

Uma negra limpa o escritório, e limpa, e varre, e tira a poeira, e organiza as coisas do senhor engravatado. Muitas vezes ela se cansa, o cansaço pede que ela sente um pouco, mas a poeira vem, e ela se levanta mais uma vez para limpar a mesa daquele homem. Ela sabe que são mais de cinco séculos fazendo isso, ela se cansa; mas ela tem fome e faz.

Um policial aborda um jovem garoto vindo do trabalho, o chama de vagabundo e ainda aponta uma arma para a sua cabeça; o garoto sabe que aquilo não é certo, mas ele ama a vida e continua seu trabalho, pois sua barriga tem fome.

E eu, diante de tudo isso. E você, diante de tudo isso. Somos um pouco de tudo isso?

Por Adenildo Lima

Um comentário:

Rosana disse...

Tanta coisa acontecendo neste mundo e algumas pessoas não encontram tempo para observar, sentir e olhar com os olhos do coração para situações como essa que passam nossos irmãos! A solidariedade, um sorriso, um olhar ... apenas um olhar poderia mudar tudo isso, pelo menos no que diz respeito a vivermos em paz, com dignidade e honra! Parabéns por esse mundo que vc traz através de seus textos para podermos para e pensarmos um pouco mais sobre tudo...