domingo, 28 de setembro de 2008

Um olhar e uma bolsa

- Senhor, o que olhas, com este olhar perdido?
- Olho o infinito, filho.
- Mas o que carregas nesta tua bolsa, posta nas costas?
- Carrego palavras, filho, palavras.
- Mas palavra, serve pra quê?
- Não sei filho, esta bolsa pesa, têm diplomas, tem uma história e tem as palavras que eu quero fazê-las adormecer.
- Adormecer palavras, senhor?
- Sim filho, já existem palavras demais.
- Mas elas querem falar, senhor, tantas pessoas gostam de as ouvir, por que tentar abortá-las?
- É um direito meu, filho.
- Mas o seu direito não pode permitir o reflexo escondido por detrás deste olhar perdido.
- Pode filho, pode.
- Não pode, senhor. Calar é o mesmo que admirar o pensamento de um ser humano (humanamente falando) e ser igual a FHC.
- Calma, filho, não exagere.
- Tudo bem, senhor, mas para que vai ser estas palavras amarradas nesta tua bolsa jogada nas costas?
- Não sei, filho, mas sei que você às vezes me pergunta coisas que não consigo responder de imediato, afinal você tem a mesma idade que eu.

Por: Adenildo Lima

2 comentários:

marcela disse...

Existem palavras que não devem ser perdidas mas existem palavras que também não devem ser ditas e nem reveladas!

Rosana disse...

No íntimo sabemos que carregamos em nossos corações e almas uma bagagem muita grande de recordações. Muitas delas em forma de palavras e são palavras que às vezes queremos muito que adormeçam para sempre! E realmente ... esperando nunca mais acordá-las.