sábado, 27 de setembro de 2008

Os viajantes

Mariana saiu para passear, numa bela tarde de verão. No caminho, encontrou um amigo de velhos tempos. Abraçaram-se, riram, brincaram... e continuaram caminhando. Os dois, parece que não tinham um ponto fixo para chegar, queriam apenas viajar. Entraram na estação de metrô, atravessaram a catraca (ao lado, um casal brigava) desceram a escada, entraram no metrô (ao lado ,um casal se beijava), e foram.

Desceram na próxima estação, subiram a escada (ao lado, uma moça chorava), atravessaram a catraca (ao lado, uma mãe amamentava). Saíram, seguiram rua afora, sem destino e sem hora (ao lado, um carro atropelava). Os dois seguiam tranquilamente, queriam apenas viajar. Passaram por debaixo de um viaduto (ao lado, uma arma apontava). Mas os dois caminhavam.

Chegaram num teatro (ao lado, uma atriz ria e ria), entraram no auditório (ao lado, um casal criticava). Assistiram a peça, feliz com sorrisos na mente; felizmente. Saíram do teatro (ao lado, uns seguranças abordavam um rapaz simpático), continuaram sua caminhada.

Chegaram mais uma vez na estação: o metrô era de ferro, os homens eram de ferro, a catraca era de ferro; tudo era de ferro, mas os dois enxergavam carne naquele lugar.

Ao lado, sempre tem alguém. Cuidado!

Por Adenildo Lima

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