domingo, 31 de agosto de 2008

João Alberto

João Alberto estava sentado numa mesa de bar, tomando a sua cerveja, ali, sozinho, olhando as pessoas passando: vindo e indo. Ele olhava para o copo com cerjeva, às vezes, sentia vontade de quebrá-lo, mas ao mesmo tempo dizia que aquilo não era apenas um copo de cerveja, era algo mais importante do que apenas um copo com um líquido dentro. Diante do copo, ele lembrava de milhões de coisas, sentia vontade de chorar, de ri; mas nem ria e nem chorava.

- Mais uma cerveja?
- Por favor.

E bebia, depois de uma hora, ali, sentado, já não estava mais sozinho. Tirou o seu violão da capa e começou a tocar. João Alberto já não era mais uma pessoa apenas, ali, tomando cerjeva: era o moço do violão.

- Toca Raul.

Ele tocava.

- Toca Zé Ramalho.

Ele tocava. Tocava tudo o que pediam.

- Moço, toca a música que você mais ama.

E ele tocu uma música dele.

- Essa nós não conhecemos.
- Mas é a que eu mais amo.

João Alberto, passava a ser o moço do violão, o tocador solitário, sem nada ganhar; mas ele ganhava, e muito! a experiência e a própria arte estão acima das almas vendidas desses nossos artistas da mídia, que são mesmo uma média.

- João Alberto, mais uma cerveja.
- Não, obrigado, preciso dormir.
- Moço, volta mais vezes.

Quem era pra voltar mais vezes, o moço João Alberto ou o tocador?

Por Adenildo Lima



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