domingo, 20 de julho de 2008

Os lírios do campo

Muitas vezes, no sábado, Pedro se sente cansado. Neste final de semana ele foi a um sítio junto com amigos. Lugar bonito, calmo, com uma paz além do silêncio barulhento da correria da cidade agitada. É, no centro de uma grande cidade a humanidade corre tanto para não perder tempo e um segundo apenas não tem para um abraço amigo, um olhar de criança, um sorriso...

Pedro ficou feliz com tudo o que aconteceu neste final de semana. Ele conheceu duas pessoas interessantes. Conseguiu conversar bastante com elas. Era um casal de amigos: a moça bonita, com uns cabelos pretos caindo sobre os ombros e deixando um rosto bem simbólico diante dos olhos do menino Pedro.

Uma fogueira ilustra um cenário romântico, humano; a claridade da lua transmite um ar suave misturado com um frio caloroso. As pessoas bebem, brincam, contam histórias - Pedro apenas ama. Pedro é louco mesmo, ama tudo na vida. Ama até um sorriso escondido por detrás de um olhar.

A jovem garota demonstrava ter seus vinte e poucos anos de idade. E, ao falar, declarava uma biografia profissional de estatus na nossa sociedade, mas ela não é a sua profissão, é humana - assim suas palavras falavam por ela. Pedro a admirava.

O seu amigo, deixava a transparência do seu ser no sorriso duvidoso que vivemos, desse contraste social. E declarava com algumas palavras a dor doída que é a vida.

A fogueira continua queimando, ali, o fogo não é apenas o fogo, é bem mais, é a representação viva de assuntos debatidos com apenas um objetivo: a igualdade! A água na piscina permanece lá silenciosa e fria. O som no salão de festa também continua lá, mas Pedro só quer uma festa na vida: poder viver as pequenas coisas e, ali, diante da fogueira ele estava vivendo.

A madrugada chega com seu carinho e as pessoas se abraçam a ela e dormem. Pedro quer conversar mais - e conversa. Depois deita, faz um poema, fica lendo um texto e dorme. O domingo chega. Domingo não é um dia muito agradável, pois em seguida vem a segunda e na segunda as pessoas trabalham, e correm, e se transformam em máquinas, e sofrem, e choram - bom quando choram - na lágrima, o ser humano mostra o seu lado racional.

Mas Pedro tem que partir, já é tarde à tarde e tudo entardece. Em um papel ele entrega para aquela jovem garota seu contato. Ela olha, pega e guarda. Aquele papel pode ser bem mais do que apenas um simples papel com letras. Pedro acredita que quando conhecemos alguém importante não podemos deixar o vento levar como bolhas de sabão.

O passeio termina, há abraços de despedidas, há olhares de alegria... Mas a vida continua e a vida é o que vivemos.
Pedro agora se sente mais um rapaz caminhando na multidão:
duas mãos se abraçam, dois olhos se amam e a vida continua
em cada esquina dos olhares.

Por Adenildo Lima

5 comentários:

Rosana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rosana disse...

A paz que buscamos em nossas vidas está bem mais perto do que imaginamos. Idealizamos tanto que não percebemos e nem damos conta da importância de um lugar ou alguns minutos/horas com amigos e pessoas diferentes! Desta forma, perdemos a noção do que isso pode operar em nossas mentes e coração. O desconhecido e o novo servem para revigorar nossas energias e forças! Aproveitamos tudo o que a vida nos oferece para encararmos os dias seguintes com energia, força, coragem e uma razão a mais para viver! SE buscarmos, sempre encontraremos momentos, lugares, pessoas, ambientes, acontecimentos e bem estar à alma!

Anitha disse...

As coisas realmente são muito maiores do que aparentam, e pequenos gestos podem virar lembranças para uma vida toda.

Muito bom!

Anônimo disse...

Usou muito sentimento hein professor. Quem é Pedro?

Valéri@ disse...

É preciso grande sensibilidade para narrar com tanta precisão o que as pessoas escondem por detrás das máscaras impostas pela sociedade, que a todos e tudo taxa, nomeia. No cerne da simplicidade é possível ver quem realmente somos. É qdo nos revelamos, e às vezes basta uma fogueira e um pouco de vinho para nos denunciarmos, sem medo, sem pré-conceito, verdadeiramente.
Quem quer ouvir o que se passa por dentro de quem quer que seja nos dias de hoje? Revelar-se é um dom, e não ter vergonha de exercer esse dom é uma dádiva. Sinto-me abençoada por isso, e você também deve se sentir.
Saber ouvir é também um dom precisoso, por isso sinto-me honrada em identificar-me em palavras tão delicadas. Que uma amizade verdadeira e duradoura possa aflorar de tudo isso, pois são os amigos os maiores tesouros de que dispomos, e também o maior legado que podemos deixar.