sábado, 26 de julho de 2008

Duas histórias

− Bom dia, João Vitor.
− Bom dia, Karla.
− O que você tanto faz diante desse computador? – Karla perguntou com um tom misterioso. E saiu lentamente para a cozinha. João Vitor nada respondeu e continuou escrevendo a sua história fictícia. História que ele tanto sonhou um dia terminar, transformar num livro e se tornar um escritor, não famoso, mas um artista lido por alguém.

Na história ele tratava de um romance entrelaçado de dois jovens: o rapaz era rico, a moça era simples. Os dois estavam no auge da vida, com seus 20 anos de idade, aproximadamente. Rapaz culto, tinha uma fidúcia bem sofisticada, lia os grandes pensadores da história e carregava em si um pensamento inteiramente aristotélico.

A garota não era tão culta assim e odiava tudo que seguia regras. Gostava mesmo de sonhar com uma liberdade que ela mesma pudesse construir. Pintava seus quadros, com o seu conhecimento auto-didático. Nos finais de semana ia à feira cultural, lá na cidade onde ela morava, e expunha suas obras para o público. As pessoas apreciavam muito.

− Tchau, João Vitor. E bom final de semana.
− Tchau Karla, obrigado.

O dia estava indo, a noite estava se aproximando, o sol estava se escondendo, deixando com que, o dia e a noite se abraçassem. Karla seguia para sua casa, e ia caminhando toda sorridente, pra ela não tinha tempo ruim. João Vitor, já cansado de tanto escrever, empurrava o teclado do computador e ia lá pra área de sua casa. Ali, ele ficava tentando entender os mistérios da vida e, lia e relia os rascunhos dos seus escritos.

“− Não! Não! Não posso aceitar, tem alguma coisa errada, como posso estar apaixonado por uma moça pobre, uma diarista, eu sendo tão rico? Garoto nobre não aceitava e não conseguia entender aquela paixão. Tentava conversar com ela, mas ela tinha uma desenvoltura impressionante no linguajar, sabia usar as palavras como ninguém. Ele não aceitava aquilo, se sentia inferior diante dela e ficava se perguntando como ela podia ser tão inteligente assim se não tinha concluído nem o Ensino Médio?”

João Vitor lia seus escritos, às vezes gostava, já outras vezes rasgava alguma parte do texto. Depois reescrevia e entrava na historia loucamente. Amava criar aquelas personagens cheias de conflitos, amores, dores... Se sentia um criador, e era!

Ele tinha uma vida cheia de mordomia, fazia Direito em uma das maiores universidades do seu país, todo ano trocava de carro, tinha a mulher que ele bem “quisesse”, mas o que ele queria mesmo era terminar o seu texto, queria ser um escritor, finalizar aquela história de amor daqueles dois jovens e, como de costume, pegava os escritos e, lia, e relia, e apagava, e refazia...

“... Sei que sou uma simples garota, mas qual importância tem toda essa sua riqueza se os seus olhos demonstram infelicidade? A vida, é uma bela ilusão, a realidade imita a ficção, mas a ficção é bem mais real, quando paramos pra pensar, até mesmo quando pensamos na pessoa amada, às vezes é bem melhor do que estar junto a ela. Na fantasia você cria, na vida real a história é outra”.

A madrugada chegava e João Vitor deitava pensando nas palavras daquela personagem.

Por Adenildo Lima

Um comentário:

MARCELA disse...

REALIDADE E FICÇÃO...DOIS TERMOS DIFÍCEIS DE ENTENDER, POIS ELES SE MISTURAM DIA A DIA EM NOSSA ROTINA. ÀS VEZES ATÉ NOS PERDEMOS, SEM PERCEBER, E TROCAMOS A REALIDADE PELA FICÇÃO, PORQUE É MAIS FÁCIL ACEITÁ-LA. NOS DIAS DE HOJE A REALIDADE ANDA ULTRAPASSANDO OS LIMITES DE QUALQUER COISA QUE SE POSSA IMAGINAR!