sábado, 17 de maio de 2008

Um ato de coragem ou de covardia?

Júlia acordou, olhou o mundo a sua volta - o sol, a cidade grande em sua demasia, as pessoas correndo contra o tempo, as pessoas escravizando os outros - o contraste! Júlia, uma garota conceituada na vida, bem estudada, estava concluindo seu mestrado e, em sua tese tentava defender que o homem comum é que é o verdadeiro intelectual da humanidade.

Júlia há alguns dias não estava mais suportando o peso da desigualdade social. Olhava seus colegas estudiosos e percebia que eles estavam ali (não era para ajudar a nação), era apenas, para se sentirem "deuses" e ainda mais tentar menosprezar o menos favorecido. Teve medo de ser um deles. Ela que tanto sonhou com uma formação (Mestrado/doutorado), teve medo de tê-la.

Júlia teve vontade de escrever uma carta, suas mãos pesaram e ela conseguiu apenas escrever uma linha "Gostaria que o ser humano, mesmo desigual, fosse igual a um poema com sua essência". Nesta frase, ela concluiu sua Tese. Falou tudo o que não tinha conseguido falar durante 3 anos de estudos.

Júlia sentiu o vento frio apertar seus dedos e o seu corpo deitando no chão misturado com um cinza avermelhado. Sentiu a liberdade se misturando ao vento e ainda conseguiu ver um rio de lágrimas.

Júlia não sabe mais o que aconteceu. E muito menos eu!
Por: Adenildo Lima

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