sábado, 10 de maio de 2008

Paredes

Pedro armou a rede num ferro que vinha da parede. O ferro quebrou, a rede rasgou, o sonho passou. Ele abriu a janela. Deu bom dia ao sol em plena meia-noite, deu boa tarde à lua, em pleno meio-dia. Pedro tinha perdido o controle do tempo, já que o tempo é relativo - ficou feliz.

Na rua descalça passava uma moça de calça sem alça. Descalça a menina ria. Pedro tentava entender. O sol estava quente, seus olhos ardiam. Ele teve vontade de gritar por ela, mas a rede já tinha rasgado e o peixe se foi sem ninguém perceber. E, ao receber um telegrama, ficou sorridente.

Voltou para o seu recanto, olhou as paredes, todas estavam sem rostos. Seu olhar perdido procurava alguma coisa... Eram lembranças que avançavam sua mente. Pedro chorou. Amou. Gritou - nada naquele momento estava no lugar. A menina com o seu belo sorriso lhe dava um pouco de felicidade. Na cidade o feliz não tem cor de liz, ou da flor que diz. Infelicidade é coisa rara para quem não consegue encontrar o sorriso perdido nas paredes de sua casa.

As lembranças quando alcançam a luz que em nada mais reluz. O amor passa a ser dor. A vida é pequenina, que chora que ri; mas as paredes não estão mais no mesmo lugar e Pedro parece pedra.
Por: Adenildo Lima

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