sábado, 5 de abril de 2008

O menino da calçada

Hoje eu acordei pra falar de amor. Pois acho que estou inteiramente apaixonado. Acordei, e logo pela manhã vi passar a mesma mulher que passa todos os dias pela calçada da minha casa.

─ Bom dia – ela falou.

─ Bom dia – eu respondi. Nada mais ela fala. É apenas um bom dia, todos os dias. E o meu dia melhora mesmo. Não sei o nome dela, não sei se tem namorado. Sei que ela mora há pouco tempo, na mesma rua que eu moro. Seu sorriso é contagiante e atraente. Ela passa, às vezes com o cabelo amarrado, outras vezes com ele solto. O seu corpo segue os movimentos dos seus pés, como se fosse uma bailarina. Acho que estou apaixonado.

Mas o que é a paixão? Muitas vezes, pergunto pra mim mesmo. Sinto a vontade de tê-la ao meu lado por alguns segundos a mais. Sentado na calçada, viajo.

─ Acorda, Pedro! A minha mãe fala. Tenho um susto e me levanto rindo, meio perdido. Acho que todo mundo tem vontade de ter alguém para está ao seu lado. Poder dividir as dores, os amores; a própria solidão. Poder deitar nos braços da pessoa amada e olhar nossos olhos dentro dos olhos dela, é maravilhoso.

Eu posso está enganado, mas aquela mulher parece ser muito especial. E quantas vezes moramos ao lado de pessoas especiais e não percebemos, não temos coragem de perguntar o seu nome, de parar por um segundo e lhe dizer bom dia ou lhe perguntar como foi o seu dia.

Por: Adenildo Lima

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