quarta-feira, 30 de abril de 2008

É uma loucura, né?

Tudo o que fazemos parece uma grande viagem. Uma caminhada meio perdida no tempo. Você já parou pra observar? Você deita meia-noite e acorda às cinco da manhã. Sai correndo, pega um ônibus lotado, trabalha, trabalha... às vezes sai do trabalho e vai direto estudar e volta pra casa e faz tudo de novo.

É uma loucura, né?

Lutamos tanto por uma vida melhor e, na maioria das vezes, esquecemos de viver a vida. Esperamos uma tal vida melhor no futuro e o futuro é sempre o presente e o presente nunca melhora porque você fica esperando um futuro e o futuro e o presente nunca se encontram. 

É uma loucura, né?

Sinceramente, a vida vai ser melhor quando as pessoas começarem a viver o presente, não ficarem presas num passado e muito menos esperar por um tal futuro. 

É uma loucura, né?

Adenildo Lima

domingo, 27 de abril de 2008

Ser culto ou conhecer a cultura de um povo

À noite, passeando nas ruas do centro da cidade de São Paulo, na famosa Virada Cultural, a madrugada estava repleta de pessoas. Tinha shows em cada esquina. Primeiro eu fui ao show do grande Tom Zé, lá na Casa das Rosas, na Paulista. Um artista que com a sua inteligência humorística ironiza a desigualdade social de uma forma tão bem trabalhada. Ironiza os intelectuais, a falta de visão deles diante das coisas, ironiza a burguesia com a sua liderança capitalista, com a sua ignorância preconceituosa... e como respostas, o grande Tom Zé recebe palmas da mesma elite ironizada por ele.

Saindo dali, junto com parentes e amigos fomos ao Show do Zé Ramalho, tinha tanta gente, tanta gente... Impossível assistir ao show. Nas ruas, a maioria dos jovens de classe média alta, estava sentado nas calçadas, e a maioria drogado! Mas como era um movimento culto, uma virada cultural; os ricos podiam ficar a vontade, podiam até deitar na cama dos mendigos, sem terem nojo, afinal, era culto.

E os ricos adoram ser vistos como cultos.

Os mesmos que discriminam os Nordestinos, os mesmos que têm nojo dos mendigos nas ruas e tentam sempre fechar os olhos para não vê-los, batem palmas para artistas como Caetano Veloso, Maria Bethânia, Zé Ramalho, Tom Zé, Raul Seixas, Graciliano Ramos, Jorge Amado, entre tantos outros.
   
Quando um pobre usa droga é bandido, agora um rico é chique, é moderno. Quem disse que existem bandidos na classe média alta... os bandidos estão na favela, né? Eu me pergunto: por que os políticos usam terno e gravata – é chique, é moderno, fazem parte da cultura da elitizada...

E o que muitos políticos fazem?

“Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês
Mas também existe o bom burguês
Que vive do seu trabalho honestamente
Mas este quer construir um país
E não abandoná-lo com uma pasta de dólares”.
(Cazuza/Ezequiel Neves/George Israel)

E cantando ao vivo o Cazuza acrescenta “eu também sou burguês, mas sou artista, estou ao lado do povo”.
O que é ser culto, afinal?
 
Adenildo Lima

sexta-feira, 25 de abril de 2008

BUNDA X FACE

Caminhando noite adentro pisando dentro dos buracos e buscando uma resposta para esta desvalorização do corpo feminino que estamos vivendo hoje, sinto vergonha de olhar nesses olhares perdidos destas meninas do mundo contemporâneo.

O corpo da mulher é tão lindo, tão bem arquitetado pela natureza, e esconder a face para ser vista através da bunda é ridículo. Por onde andam a essência feminina, a beleza de encantar com um olhar, de transmitir desejos com um sorriso nos lábios doces e sensuais que só a mulher tem...?

Muitas vezes ao passar em determinadas ruas, ou até mesmo ao relance do meu olhar, na casa de um amigo que se encontra com o seu aparelho de TV ligado nestes programas ridículos dos finais de semanas, não consigo acreditar como que a mulher pode bater palmas enquanto uma outra mulher canta “só as cachorras... sou isso, sou aquilo...”.

Começo a desconfiar de que muitas mulheres estão se descivilizando com a moderna vida em que a sociedade está vivendo. (o homem também), mas no momento quero falar da mulher, pois admiro muito o seu corpo como pura obra de arte e a sua essência doce e carinhosa como particularidades delas.

Têm dias que me sinto perdido, quase não dá mais para levar um assunto com início, meio... Assuntos interessantes, brincadeiras agradáveis... Difícil é ouvir “por mano, tá muito louco o baguio – (bagulho) ... se tu quisé saí a noite tem umas quebrada da hora...”. E algumas outras “Nossa! hoje vou ao shopping comprar uns tênis de marcas, um celular do último lançamento e depois comer o n° 01 no Mec Donalds...”.

Respeito todas estas diferenças, afinal é de diferença que vivemos e nos enriquecemos culturalmente a cada momento que se passa, mas me refiro ao Eu humano que está perdendo o valor para ser visto pelas marcas de produtos ou pela inocência roubada com a falta de educação e valorização da cultura de cada um.

Mas ressalvo este texto e digo abertamente que tem tantas mulheres que nos satisfaz com o seu falar, não me refiro a língua culta/padrão, refiro-me ao conteúdo mental delas. A mulher pode ser difícil para se entender, mas é tão prazeroso a busca desta descoberta encoberta no silencio das águas de um rio.
Por: Adenildo Lima

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Silêncio das almas

Marina tinha seus 15 anos de idade quando, em uma noite de sexta-feira, resolveu ir a uma balada. Tudo pra ela era festa. Bebeu, usou determinadas drogas com seus amigos e se sentiu livre leve e solta. Depois dançou, beijou e até transou. Quando a noite terminou restou apenas uma determinada solidão,um vazio meio perdido no tempo. E o sol estava nascendo diante dos seus olhos, de várias cores.

O silêncio das almas reinava em seu corpo, já não era mais uma vida naquele corpo cansado e dolorido da noitada. Tinha um silêncio no seu ventre como se fosse um vento, uma luz no meio de um caminho sem saída, pra ela, naquele momento.

Passaram-se alguns dias e ela descobriu que tinha engravidado de um rapaz que ela nem lembrava o rosto. E a noite é assim, tem muitas pessoas sem rosto e sem amor; apenas diversão, solidão, uma busca pra enganar... não se sabe o que. Uma vida estava dentro dela, uma criança sem pai e com uma mãe que ainda não tinha deixado de ser filha. O que fazer? - ela ficou se perguntando.

Nestas horas é difícil uma saída - ela falou. E concluiu: O melhor caminho é pensar antes de fazer qualquer coisa, nunca fazemos nada só, tudo o que fazemos sempre reflete em algum lugar, é a lei da natureza.

Marina pensou muito diante de si mesma, diante da situação... afinal era uma criança que ela estava carregando dentro dela. O narrador desta história (eu) não procurou mais saber o que aconteceu. Ele acredita que por ela ter começado a pensar, tenha tomado uma decisão conforme a sua própria escolha.
(...)
Por: Adenildo Lima

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A internet, os jovens, as editoras e a poesia

A internet é ruim? Não. Minha resposta é não. A internet é boa? Não. Minha respota é não. Ela é um dos meios de comunicação mais verdadeiros que temos hoje. Podemos expressar nossas ideias sem precisar de vender a alma. Pena que num país onde Educação e Cultura são esquecidas como prioridades. Aí, as crianças, os jovens e os adolescentes têm acesso a ela sem saber pra que usá-la. Ficam horas e horas enganando a solidão, com seus milhões de amigos virtuais.

A internet hoje é um caminho preciosíssimo para a divulgação da nossa literatura. Os poetas têm milhares de leitores lendo seus poemas e deixando comentários. Os editores de editoras ignoram a poesia como 'arte menor'. Passei vários dias tentando entender isso, só depois descobri que com tanto pensamento dentro daquelas cabeças capitalistas/consumistas, jamais iriam publicar sentimentos, alma - alma. Muitos nem têm mais, já venderam por uma quantia de dinheiro através dos escritos.

Mas é necessário que o poeta saiba que não é preciso uma editora para publicar o seu trabalho, o amor não se publica, a alma não se carimba com etiquetas editorais... a poesia é o calar do falante e a voz do mudo. Sempre falo isso para meus amigos poetas, então me digam o que é a poesia...
e como ficam os editores diante dela...
por: Adenildo Lima

domingo, 20 de abril de 2008

Calma! não é um crime, é um roteiro

... Não me perguntem o que é a imprensa do Brasil, não perguntem o que é uma notícia, mas se você se perguntar já é um grande começo. Um começo pra duvidar, pra não acreditar, pra questionar e pra deixar de acompanhar as novelas ou filmes, sei lá, criadas a partir de assassinatos e de tantas coisitas mais que podiam ser apenas notícias.

Acredito que não seja possível que exista alguém que acompanhe um caso todos os dias; uma notícia transformada em roteiro de filmes, novelas... com tramas e tudo... para ficar esperando quem é o culpado. Mas ao mesmo tempo acredito que milhões de brasileiros fazem fazem isso todos os dias diante da tela de um aparelho... como posso chamá-lo mesmo?

A TV tem um poder enorme, pena que é usada para manipular as pessoas, para enganá-las enquanto seu filho não tem uma boa escola, enquanto milhões passam fome, afinal o importante é ser feliz (rs). Então vamos pular o carnaval o ano todo.

Enquanto milhares e milhões de pessoas não tem nem onde dormir, a mídia brasileira fica 24h martelando um assunto para assim deixar morrer mais rápido aqueles que não tem ninguém por eles.

Eu peço desculpas ao amigo leitor, mas não vou explicitar as metáforas da lágrima do sol que caiu do alto de um prédio de classe média alta. É tudo alto, até o noticiário - altíssimo é o dinheiro que a mídia está ganhando com tudo isso. Se fosse a lágrima daquela criança que chora pra não morrer de fome e de sede nas ruas das cidades ou nos canaviais do país, duvido se teria um espaço de duas linhas nos jornais de grande circulação. É ISSO AÍ, VAMOS COMEÇAR A DUVIDAR DE TUDO, ATÉ MESMO DA NOSSA EXISTÊNCIA!
Por: Adenildo Lima





quarta-feira, 16 de abril de 2008

Recanto feminino

Em seu recanto ela estava, sozinha, com um copo de cerveja, bebia e flutuava com um olhar perdido no vão do pensar. Pedi licença e sentei à mesa com ela. Me disse que quando criança adorava andar a cavalo e ficava observando a natureza. Perguntou meu nome. Pedro - falei. continuamos a conversa, aos poucos o copo estava vazio e uma gota de lágrima caía dos seus olhos. Me falou que naquele momento estava em seu canto de mulher. Fiz que ia me levantar para nao atrapalhar seu momento. Ela olhou dentro dos meus olhos. Senti o corpo tremer - confesso. Muito bonita, com uns lábios desejosos, uns seios sensuais, olhar bem feminino e, através dele pude ver que ela estava ali para fugir de algo sentimental. Entre tantas palavras me disse que a um mês o homem que ela tanto amava a abandonou. Falei que isso é normal, perder é sempre um grande começo pra recomeçar. Ela riu. Apertou minha mão e transmitiu um carinho tão amável. Falei que precisava sair. Pedro... - ela falou em tom um pouco alto. Deixei meu e-mail e o número do meu celular e disse que podíamos conversar bastante. Naquela noite podia ter acontecido tanta coisa, até um beijo... Mas um beijo não é tão saboroso quanto a realização consciente da conquista de um beijo.
Por: Adenildo Lima

terça-feira, 15 de abril de 2008

Dor é não conseguir ver a dor no olhar do irmão

... Viver nas ruas, debaixo dos viadutos da cidade, sem ter o que comer, sem ter onde dormir, sem poder abraçar o seu filho, a sua filha, seus familiares, ser ignorado pela própria sociedade, ser violentado pela própria segurança pública e não saber nem o seu nome não deve ter dor maior do que esta para alguém que olha do outro lado e sabe que ele é igual a qualquer um de nós. E nós não fazemos nada! Nada! nada... Mas os políticos do nosso país fazem... E muito! Os usam para poder ganhar o voto desta nossa sociedade que a cada dia que se passa fica mais cega para enxergar as suas lágrimas no rosto de outra pessoa. É triste! E com esta educação que temos, precária como está, a tendência é piorar. Mentiroso é quem disser que não é possível dar um teto e uma família para nós brasileiros! Muitos jovens lutaram por uma democracia para o país chamado Brasil, hoje, muitos daqueles jovens são adultos e corruptos. É triste! E o pior, hoje nossos jovens estão todos dormindo, controlados por um maldito controle remoto: SISTEMA!

Por: Adenildo Lima

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Mulher

Diante da tela deste micro computador, fico procurando um tema para escrever alguma coisa. De repente me vem à cabeça a palavra mulher. Paro, penso um pouco... Sei que é um assunto extenso, e com tantas perguntas sem respostas.

Uma das coisas que diferencia a mulher do homem é a sensibilidade. A mulher é sensível, assim como um poema de amor. Transmite emoção, sonhos, desejos... Tantas interpretações. Sinto-me encantado com o abraço da mulher, é carinhoso, principalmente quando vem com um “eu te amo no meu ouvido”. Mulher chora, e não sente vergonha. Já o homem acha que chorar é deixar de ser humano. A mulher não, ela mostra o seu lado humano em cada lágrima que cai.

Algumas vezes tento penetrar na alma da mulher. Como é doce a alma feminina. Bem mais doce do que o mel e mais perigoso do que uma cobra é o desejo dela ao sentir-se desprezada. Mulher não trai, ela apenas busca o amor em outro, por lhe faltar em casa. Já para o homem é pura diversão. Partindo do ponto lógico desta frase – traição não existe. Traído é aquele que não consegue dar o amor necessário.

Já, quase terminando o texto, fico pensando: se uma mulher ler este pequeno texto, talvez fique feliz e deixe um comentário para o autor, talvez triste, não sei. Só sei que difícil é entendê-la. Mas não me preocupo com isso não, vivo descobrindo a cada segundo que estou com uma delas, que seja conversando, que seja lhe beijando, ou até mesmo nos momentos em que unimos nossos corpos em um, afinal a vida é sempre uma descoberta.
Por: Adenildo Lima

sábado, 12 de abril de 2008

Uma tese de doutorado

I
Doutor. Palavra poderosa, só em ouvir soa forte aos ouvidos. Antes eu pensava que doutor era ser médico ou advogado. Com o tempo descobri que não. Então o que é ser doutor, afinal?
Confesso que eu não sei o que é ser um doutor. Nunca o vi. Ando nas ruas, não o encontro, passeio nos parques de diversões não o vejo. Pergunto: por quê? Um besouro grita ao meu ouvido e diz que suas roupas pesam para passear num parque ou andar pelas ruas, pois, eles têm medo de que se sujem com a roupa do homem comum.
Comecei a duvidar de que doutor existe, que é uma invenção de um povo que anda à busca do mal... que seja dito: poder. Comecei a me preocupar, li vários livros e lá estava escrito: “Doutor fulano”.
II
Desesperado com a ânsia de conhecer um doutor, fui a um salão nobre – e era nobre mesmo a sala. Sentei, todo tímido, com um olhar observador. Detrás de uma mesa estava um senhor de olhar sério, e com uns óculos que transmitiam um determinado poderio. Eu o olhava, mas ele nem percebeu que eu estava lá. Alguém anunciou “compõem a banca os doutores...”. Na minha inocência fiquei feliz “agora conheço um doutor, ou, vários doutores de uma só vez”. Engano meu, eles não conseguiam me vê. Gritei: Vocês são cegos?! Um deles falou “tira-o fora, está atrapalhando”. Fui convidado a sair. Saí. Voltei. Eles não me viam mesmo. Sentei naquela cadeira nobre. Tudo ali era nobre, até a cadeira. Alguém defendia uma tal “Tese” sobre meninos de rua. Os doutores gesticulavam, falavam, argumentavam, mas eram tão artificiais. Não aguentei, me levantei e disse: vocês não sabem o que estão falando. Está tudo errado. (ali, quem era eu para dizer que os “doutores estavam errados”?). Eles pararam e me convidaram mais uma vez a sair.
III
Saí. Alguém tentou fechar a porta, falei “é público, senhor”. Entrei. Os doutores não me viam mesmo. Desconfiei, não conseguindo entender a falta de visão deles. Mas eles liam e riscavam papéis, argumentavam e diziam palavras bonitas, mas não conseguiam ver nada além daquela mesa, mas acreditavam que podiam falar de meninos que moravam nas ruas. Falei mais uma vez: todos vocês estão errados, os senhores doutores e a senhora defensora desta tal “tese” nunca viveram na rua, é bonito falar no papel a dor de uma criança que para não morrer de fome e de frio cheira cola. Tudo isso é muito bonito quando vocês escrevem, é até poético, emocionante. Mas nada se iguala a dor de estar lá, sendo guardas noturnos, e sendo expulsos pelos próprios guardas. Me perdoem senhores, não tenho a palavra bonita igual estas aí, mas posso dizer sem medo que todos estão equivocados. Equivocados! Se tem alguém que conhece deste assunto sou eu. E convido qualquer um a discutir comigo”.
IV
Naquele momento houve um silêncio. Todos pararam para poder me olhar dentro dos olhos. Mostrei postura, confiança, conhecimento no que eu estava falando. O auditório ficou pasmo ao ouvir a minha voz diante deles. Continuei meu discurso: “O nosso país não precisa de doutores. Precisa de homens comuns, de alguém que anda nas ruas, de alguém que pisa na terra seca, de alguém que vai ao sertão para saber o que é ficar sem beber água, de alguém que conhece o povo. Doutor não é povo, é uma invenção de alguém que usa o poder para deter o menos favorecido. Tanto estudo, tanto conhecimento e de tão pouco conhece. O conhecimento só existe quando é dividido. Uma criança chora nos faróis da cidade, enquanto seus filhos, doutores, bebem o nosso leite e escravizam nossas ‘mamas áfricas’. Senhora defensora desta tal ‘tese’ estudou tanto e posso garantir que sabe menos do que eu que nunca tive a oportunidade de estudar. E saibam que eu não sei de nada. Ou talvez eu sei de que sei que nada sei.
V
Alguém no auditório chorou. Vi cair dos seus olhos uma gota de água. Me levantei. Olhei dentro dos olhos de cada um. Perguntei se eles queriam argumentar alguma coisa. Nada. Nada eles falaram. Saí. Andei um pouco. Depois sentei num lugar qualquer e fiquei pensando em tudo o que eu tinha falado. Eu, sem estudos, sem família, sem lar, sem comida, consegui calar os doutores com os seus conhecimentos. Falei comigo mesmo em silêncio: “o que é um doutor’?
Por: Adenildo Lima

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Poeta, o que é isso?

Tem dias que passo horas e horas pra fazer um poema, já outros dias, faço num piscar de olho. Depois de escrever tantos poemas, ainda me pergunto o que é ser um poeta. Quem sabe me responder?

Por: Adenildo Lima

Delírios

Mulher não existe. Mulher é um sonho. Ela com seus lábios carnudos, com seu olhar sedutor, uma blusa deixando o umbigo transmitir sensualidade. Quem disse que isso é real? A saia que a deixa mais mulher. Mulher existe mesmo é na imaginação dos homens. Quando real, ainda não deixa de ser sonho. Talvez Freud explique este ser inexplicável.

Por: Adenildo Lima

O que isso tem pra nos dizer?

Quem já parou para olhar um mendigo deitado na calçada da igreja da Praça da Sé? Um dia eu parei e fiquei tentando entender. Naquela reviravolta de pensamentos resolvi entrar naquele palácio. O prédio é lindo, tem uma arquitetura maravilhosa.













Quando entrei ouvi alguns líderes religiosos pregando o amor, a igualdade... Fiquei me perguntando o que é o amor e o que é a igualdade. Não tive resposta, enquanto se prega uma igualdade no altar temos um cidadão jogado na calçada da mesma sem comida, sem bebida, sem lar... E o pior, sem família. Tive vontade de chorar, mas a minha lágrima talvez fosse pouca demais para lavar tanta sujeira posta nas cadeiras com seus senhores dirigentes.

Não podemos negar, e vamos ser sinceros: tantas religiões neste país, todas pregam a igualdade, o amor, e elas mesmas brigam entre si. Alguém já parou pra pensar sobre isso? Eu já. Que bom seria todos os religiosos, sem placa de igreja, sem nome de entidades, apenas amor, saíssem rua afora, fossem a Brasília e exigissem moradia, boa educação, boa saúde... que bom seria! Eu confesso que também seria um religioso.

Você que talvez não me conhece (e confesso que nunca vai me conhecer) deve se perguntar agora a que caminho sigo. Não sei. O meu caminho é traçado a cada segundo que se passa. Traço o caminho do amor, procuro sempre perguntar o nome das pessoas, procuro sempre levar um sorriso, procuro sempre dizer que as amo, que ela é muito importante para mim, procuro nunca ver cor, nem religião, nem nacionalidade, nem origem, apenas o seu olhar de humano. Isso me deixa feliz nesta caminhada. É, descobri que o meu caminho é esse. Você sabe qual?

Por: Adenildo Lima

terça-feira, 8 de abril de 2008

Melhores amigos

Pedro era do tipo “o homem apaixonado” escrevia carta de amor, mandava flores e rosas para sua musa inspiradora. Ele até se achava um poeta dos tempos românticos. Já o João, o seu melhor amigo, nem queria saber de romantismo. Romantismo pra ele era coisa de boiola.

─ Por Jão, você precisa saber como a mulherada gosta de homens românticos.

─ Gosta nada, Pedro, você é que é troxa ficar mandando flores pra ela. Sabia, ela nem gosta de você.

─ Você tá loco! Ela me ama... e ama um montão.

─ Ama... eu sei.

Pedro ficou um pouco preocupado com a irreverência do seu amigo diante do amor. Mas o João era um rapaz malandro e esperto – tipo Macunaíma – o herói sem nenhum caráter. E Pedro confiava muito nele, até pedia pra ele entregar flores pra sua amada Cleonice.

João entregou tantas flores do Pedro que ficou amigo dela. Amigo e mais amigo e até amigo íntimo. Coitado do Pedro, acreditou tanto no amor que nem sabe mais mandar flores.

─ É Jão, acho que você conhece o amor melhor do que eu.

─ Será Pedro? O que eu sei mesmo é que flores podem conquistar uma mulher. E como!

Por: Adenildo Lima

sábado, 5 de abril de 2008

A vida

Quanto vale a vida? a partir desta pergunta eu inicio este pequeno texto para falar sobre ela. Olhando nos olhos das pessoas só vejo solidão, um amor ausente, uma pergunta sem resposta... Os jovens deste mundo contemporâneo são inteiramente solitários. Orkut é uma das provas desta solidão. Milhões de amigos sem se abraçarem, milhares de "eu te amo" artificial... E a vida, o que é?

Ser solitário não é tão ruim assim. Ruim é ficar com dezenas de pessoas, beijar, transar e no outro dia não lembrar o rosto daquele ser que se disse humano, que te fez sentir um determinado prazer... E a vida, o que é?

O que as paredes pichadas, a lágrima no sorriso sem objetivo, a felicidade privada... Têm pra nos dizer? Não importa quanto tempo você ficou com alguém, o que importa é o que você viveu de importante com ela - isso não é solidão.

Solidão é não ter alguém que te abrace e que te olhe dentro dos olhos e te diga "um eu te amo". Solidão é você não ser capaz de fazer isso.... E a vida, o que é?

Por: Adenildo Lima

O menino da calçada

Hoje eu acordei pra falar de amor. Pois acho que estou inteiramente apaixonado. Acordei, e logo pela manhã vi passar a mesma mulher que passa todos os dias pela calçada da minha casa.

─ Bom dia – ela falou.

─ Bom dia – eu respondi. Nada mais ela fala. É apenas um bom dia, todos os dias. E o meu dia melhora mesmo. Não sei o nome dela, não sei se tem namorado. Sei que ela mora há pouco tempo, na mesma rua que eu moro. Seu sorriso é contagiante e atraente. Ela passa, às vezes com o cabelo amarrado, outras vezes com ele solto. O seu corpo segue os movimentos dos seus pés, como se fosse uma bailarina. Acho que estou apaixonado.

Mas o que é a paixão? Muitas vezes, pergunto pra mim mesmo. Sinto a vontade de tê-la ao meu lado por alguns segundos a mais. Sentado na calçada, viajo.

─ Acorda, Pedro! A minha mãe fala. Tenho um susto e me levanto rindo, meio perdido. Acho que todo mundo tem vontade de ter alguém para está ao seu lado. Poder dividir as dores, os amores; a própria solidão. Poder deitar nos braços da pessoa amada e olhar nossos olhos dentro dos olhos dela, é maravilhoso.

Eu posso está enganado, mas aquela mulher parece ser muito especial. E quantas vezes moramos ao lado de pessoas especiais e não percebemos, não temos coragem de perguntar o seu nome, de parar por um segundo e lhe dizer bom dia ou lhe perguntar como foi o seu dia.

Por: Adenildo Lima

Século XXI

De um lado, uma rua com mansões e carros importados. Do outro lado, a visão renegada de um país chamado Brasil. No meio, a avenida que dividia aquelas duas nações.

Nas mansões tinham crianças nas melhores escolas, jovens nas melhores faculdades. No outro lado tinha crianças sem comida, sem roupa, sem estudo, jovens sem faculdade, adultos sem emprego.

Tudo estava tão próximo-longe. Uma senhora perguntava: onde está o espelho - no lado de cá ou no lado de lá? Uma criança chorava. A luxúria enxergava tudo aquilo como a vergonha do país, a foto mal revelada, o atraso da pátria. Um político sorria ao assistir toda aquela cena.

De um lado tudo era de sobra, mas a sobra nunca chegava ao outro lado. Uma avenida dividia aqueles dois mundos: ouro, prata, ódio, poeira, amor, humildade. A humanidade caminhava como humanos, mas dentro do coração circulava a ganância de um povo quem nem sabia o significado da palavra humano.

No meio daquela avenida tinha uma barreira e o Muro de Berlim. O amor não sabia como se infiltrar. Um dia aquela senhora saiu do seu pequeno barraco, derrubou a barreira e foi para o outro lado. Ao chegar viu um espelho refletindo a imagem daquelas mansões. Ela que amava, chorou. Pôs a sua criança no colo e bateu na porta de um daqueles casarões. Uma voz respondeu: aqui não tem ninguém.

Pobre senhora de um tão rico amor, concretizou que ali não tinha ninguém. Mas lá dentro tinha muitas pessoas, estavam em festa, comemorando a própria inexistência.

Ela não se conformou e gritou. Deu um grito tão forte que fez todos saírem. Ao saírem quiseram espancá-la, mas no meio entre eles alguém conseguiu vê toda aquela beleza refletindo no outro lado e disse: olhem! Toda esta maravilha em que vivemos o espelho não consegue enxergar, ele apenas nos mostra uma certa igualdade.

Entre tantos comentários, aquela senhora conseguiu mostrar que todos nós somos iguais e que a pobreza é o reflexo da burguesia nojenta que só pensa em si e que toda a riqueza é nada mais ou nada menos de que o suor sofrido de um povo que ama.

Todos deram as mãos, se abraçaram, quebraram todas as barreiras e muros daquela avenida, levaram a festa para rua e comemoraram a existência de um povo que ama, que acredita que escola é feita para todos, que faculdade é um direito da sociedade em geral, que a vida não está resumida em apenas ouro, pois o ouro para ser ouro precisa das mãos de um povo que derruba o seu suor salgado que é bem mais doce do que muito vinho amargo.

Eu, autor deste texto, acredito na humanidade, e assim, acredito em você que acaba de lê-lo. Acredito que o grito de cada um é capaz de derrubar a barreira do preconceito, da desigualdade, de unir as mãos de um negro, de um índio, de um mulato, de um branco, de todos. Acredito que você não é o que tem, mas sim, apenas o que é dentro de si.

E você, acredita? Eu acredito que você acredita, por isso concluí este texto.

Por: Adenildo Lima

O passageiro do vôo dois mil e alguma coisa...

A mulher queria trepar de qualquer jeito, mas o homem não tinha dinheiro suficiente para pagar a trepada dela. A noite estava muito bonita, tinha um homem morto lá no meio da avenida e uma criança pedindo comida num restaurante. O homem sentou na calçada e tentou abraçá-la com amor. Ela recusou. Ele abriu a carteira. Ela sorriu. Mas o maldito não tinha o dinheiro. Uma festa no outro lado da avenida estava rolando, e os adolescentes estavam todos felizes. Era tão bonito olhar aqueles jovens viajando como se fosse em um conto de fadas, acho que a noite pra eles era verdadeiramente como vê estrelas na imensidão coberta de neblina.

A mulher se levantou e saiu com passos lentos à direção do homem que tinha deixado de ser homem para ser o corpo de um homem. Ao chegar diante dele, ela pôs a mão em sua carteira e tinha duas notas de cinqüenta reais. Foi tão gostoso que ela gozou ali mesmo, e nem lembrou mais do homem vivo que não tinha o dinheiro suficiente. Foi embora e nem percebeu que aquela carteira era de um homem que tinha feito a mais bela viagem para a eternidade.

A madrugada começou a se aproximar, o sereno da noite começou a esfriar o corpo da mulher dos cem reais. Ela precisava se aquecer. Uma viatura fazia ronda, mas os faróis estavam apagados e não conseguiu ver o corpo do homem da avenida. Uma saia pequena, umas pernas bonitas, uns seios bem decotados – a mulher era atraente! Os policiais eram homens gentis e deram carona a ela pra protegê-la do frio da madrugada.

Coitada dela! Quando o sol nasceu estava tão quente que o seu corpo ficou todo bronzeado. A madrugada é bela e a mulher nem sabe se é fria ou quente. O homem na calçada continua sentado com o seu amor querendo abraçá-la. A viatura às vezes pára defronte ao bar e troca uma idéia com os jovens viajantes. E alguém continua voando no vôo dois mil e alguma coisa.

Por: Adenildo Lima

O que é o amor?

Tem perguntas que nunca vamos ter a resposta. E se tivermos é melhor nem responder. Ontem uma amiga me perguntou o que é o amor. E eu sei lá o que é o amor, falei pra ela. Ela riu. Mas em seguida ficou indignada.

 Como você não sabe o que é o amor?

 Não sabendo oh! E você, por acaso sabe?

 Por quê? Só é o que faltava, para fugir da pergunta manda ela de volta pra mim. Se enxerga garoto, você é igual aos outros.

E continuou falando mil coisas. Minha amiga ficou realmente nervosa. Levei na brincadeira e fui pra casa rindo da ingenuidade humana. Por que se preocupar em saber o que é o amor? Melhor seria amar apenas. Uma criança ama tanto sem se preocupar com a definição desta palavra e o seu amor é tão sincero. Acho que quem se preocupa muito em buscar definição acaba é ficando alienado.

O que é o amor? Eu também pergunto, também tenho minhas curiosidades, mas se tivesse definição, não seria amor, já que ele é infinito, como a maioria fala. Amar é esquecer que existe uma resposta, é poder transmitir confiança para a pessoa amada. Segundo a história, foram os gregos que deram esse nome a um sentimento forte que temos pelas coisas, pelas pessoas... E, se sentimos esse sentimento forte, pra que definição? Vamos vivê-lo!

O amor tem milhões de faces, e cada pessoa ama do seu jeito. O tempo que perdemos tentando definir o amor é o mesmo tempo que podíamos estar amando. Camões, o grande poeta português, disse em seu mais famoso soneto que o amor é fogo que arde sem se ver. E eu concordo com ele. O amor é realmente um fogo que arde e não podemos ver. É o nosso sentimento queimando nossas veias, controlados pelo desejo, é um fogo que às vezes esquenta, e outras vezes, esfria. Isso é amor.

A minha querida amiga vai continuar buscando essa resposta. Mas o pior desta busca é que ela vai perder tanto tempo procurando definição, onde na verdade, podia estar amando.

Por: Adenildo Lima